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domingo, 15 de outubro de 2017

Os evangélicos e a corrupção: delações de Funaro, novo Refis e o direito de comer o melhor desta terra



michel3Há 2 anos, surgiam as primeiras denúncias contra o então deputado Eduardo Cunha. Além de presidente da Câmara dos Deputados, esse dito também era evangélico, dizimista e ofertante na Assembleia de Deus do Brás Ministério Madureira (ADBras). Era convidado de honra nos palcos das Marchas para Jesus, principalmente no Rio, ao lado de aliados e até então fiéis defensores, como Silas Malafaia. Nos bastidores era conhecido por sua agressividade, mas à vista de todos era um homem inteligentíssimo e articulado, que pela “vontade de Deus” alcançou grande poder político.
Com o tempo, e com a necessidade de entregar um “bode expiatório” para justificar o “perdão” aos demais políticos corruptos do seu partido (PMDB) e dos demais aliados, Eduardo Cunha caiu. As denúncias (segundo o Ministério Público) de corrupção, desvio de verbas públicas, a existência de contas no exterior em seu nome e no nome da esposa e filha, acabaram com a perda do seu mandato político e seu envio para um presídio. Por seu caráter agressivo e vingativo, esperava-se que logo faria “aquela” delação, entregando a tudo e a todos, mas misteriosamente mantém-se calado, curtindo seu longo período de férias forçadas.
Também é curioso que Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, tenha sido inocentada de todas as acusações. Com envolvimento parecido, tivemos a prisão (mesmo que absurdamente domiciliar) da esposa de Sérgio Cabral. Poupar Cláudia Cruz do espaço prisional teria sido a moeda que pagou até hoje o silêncio de Eduardo Cunha?
Lembrando de trecho de uma gravação do Senador (suspeito de corrupção) Romero Jucá meses atrás: “tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria, por meio de um acordo com o Supremo, com tudo”. (fonte: UOL Notícias)
2aypx7ijr4_6dqq6q316a_fileEduardo Cunha continua em silêncio, mas seu parceiro operacional no PMDB resolveu falar. Lúcio Funaro fez a delação e dias atrás foram divulgadas as gravações. Incriminou, na delação, todos os caciques do PMDB, citando inclusive o presidente Michel Temer. Apesar de horrível, tudo isso já era esperado. Mas o que mais intriga, e que é o cerne deste artigo, são os trechos a seguir:
“O terceiro encontro com Temer, segundo Funaro, foi uma reunião de apoio à candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) para a Prefeitura de São Paulo. Ele diz que o encontro foi na Assembleia de Deus do bairro Bom Retiro, com a presença dos bispos Manoel Ferreira e Samuel Ferreira.” (fonte: Revista Veja)
michel6Encontrar-se numa igreja evangélica não tem nenhum problema. Porém, a cúpula do PMDB foi a uma igreja não para um culto, mas para uma “reunião de apoio” a um candidato a prefeito de São Paulo, o católico Gabriel Chalita. Ou seja, era um evento especial, fechado, com o objetivo puramente político. E com o aval dos papas dessa igreja.
E lembrando, essa igreja, que antes era do Jabes de Alencar, agora é do Samuel Ferreira, também dono da ADBras, que é a mesma que tem (ou tinha) Eduardo Cunha como fiel dizimista e ofertante. E a ADBras é a mesma que, tempos atrás, foi acusada de lavar parte do dinheiro de Eduardo Cunha, no caso uns 250 mil reais (fonte: UOL Notícias). E vale lembrar que seu papa, o agora Bispo Samuel Ferreira, foi acusado na delação da JBS de receber 1 milhão de dólares de propina em 10 parcelas de 100 mil dólares, numa conta nos Estados Unidos (por que será? – Fonte: G1 Notícias).
michel4Enfim, Eduardo Cunha é (ou era) membro da igreja certinha para seu (falso) caráter cristão.
Outros trechos da delação de Lúcio Funaro que merecem destaque neste artigo são os seguintes (a partir de 3:15 minutos):
“O Eduardo, ele funcionava como se fosse um banco de corrupção e de políticos. Ou seja, todo mundo que precisava de recursos pedia pra ele e ele cedia os recursos, e em troca mandava no mandato do cara, era assim que funcionava” (3:27 minutos).
“O dinheiro vivo chegando em minha mão, eu distribuía pra quem eu tinha que pagar, e nesse caso era o Eduardo Cunha que fazia o repasse para quem era de direito dentro do PMDB, que eram as pessoas que apoiavam ele dentro do PMDB”. “Que eram?” “Henrique Meireles, Michel Temer, todas as pessoas. A bancada que a gente chamava de bancada do Eduardo Cunha” (4:14 minutos).
No vídeo acima, a partir do minuto 1:40, vemos Lúcio Funaro delatando que a bancada evangélica sempre votava seguindo Eduardo Cunha, e que esse “esquema” se iniciou em 2009, justamente com a ascensão de Cunha. Em 2:40 minutos, Funaro revela que Eduardo Cunha tinha influência no PSC (Partido Social “Cristão” – aspas nossas), na Bancada Evangélica e no PMDB, e com todos esses em suas mãos, Cunha tinha um poder de barganha muito grande na Câmara dos Deputados, podendo “negociar” com empresários interessados a aprovação ou a rejeição de projetos de leis e medidas provisórias. Esse “esquema” é explicado a partir de 4:30 minutos.
Aí fica a dúvida: a Bancada dita Evangélica seguia (obedecia) ao Eduardo Cunha por ver nele um homem de Deus, ungido, santo e cheio de discernimento? Ou o faziam porque, assim como os demais deputados que o seguiam, havia, segundo Funaro, o recebimento de propinas advindas dos empresários que tinham interesses nesse ou naquele projeto de lei?
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Muito grave tudo isso. Diria até abominável, se a delação se confirmar. Afinal, se alguém se diz seguidor de Jesus Cristo, é até aceitável que cometa um ou outro pecado. Porém, é incompreensível que viva em tão grande corrupção.
Dias atrás houve também a votação de uma medida provisória, o novo Refis, que seria o refinanciamento de dívidas tributárias de empresas. Para as igrejas, os deputados deram dois benefícios a mais, segundo a Época Negócios:
“A primeira prevê perdão de dívidas tributárias com a Receita Federal de igrejas, entidades religiosas e instituições de ensino vocacional sem fins lucrativos. A remissão vale para débitos inscritos ou não na Dívida Ativa da União, inclusive aqueles objeto de parcelamentos anteriores ou que são alvo de discussão administrativa ou judicial.
A segunda emenda favorável às igrejas estabeleceu isenção de cobrança de tributos da União incidentes sobre patrimônio, renda ou serviços para igrejas e instituições de ensino vocacional. A isenção valerá por cinco anos para entidades que exerçam atividade de assistência social, sem fins lucrativos.”
michel7As igrejas já possuem isenções fiscais, por seu caráter de entidade sem fins lucrativos (para muitas, pelo menos em tese, não na prática). Além disso, o Brasil passa por um dos mais difíceis períodos de sua história econômica, com altos índices de desemprego, grandes quedas na produção e com os entes da União sem caixa para tratar das mínimas questões. O Estado do Rio de Janeiro amargou falta de dinheiro até para o pagamento de aposentados e servidores ativos. Não há como arcar com os gastos para a segurança, saúde, moradia, educação nas mais diversas regiões do país.
Com o desemprego e a queda na produção, obviamente caiu também a arrecadação através dos impostos. O Refis seria uma alternativa de renegociação para que o governo possa receber valores atrasados e assim investir (e não propinar, por favor) no que é necessário. É claro que também é uma tentativa do governo de se aproximar do empresariado, ao facilitar a renegociação de dívidas. Apesar da necessidade do governo de angariar fundos, os líderes e políticos evangélicos não conseguem se sensibilizar e buscam, através de negociatas travestidas de votações no Congresso, não pagar nem o que antes lhes era devido. Mas eu e você precisamos pagar, sim senhor!
Cabe aqui um adendo: você viu algum líder evangélico, mesmo de igrejas tradicionais, denunciando isso? Será que a mudez geral se deve ao fato de que todos, isso mesmo, todos, serão no final “beneficiados”?
E pensar que Jesus, o Cristo, pagava impostos sem reclamar e sem necessitar, mas para dar e ser exemplo para os verdadeiros cristãos!
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Seja nas delações de Funaro, seja nos esquemas para a aprovação das vantagens gospel no Refis, o que vemos é que muitos líderes evangélicos são capazes de qualquer coisa para ter, no futuro, um presidente da mesma religião. E qualquer coisa, para muitos desses líderes, significa propinar, roubar, mentir, enriquecer às custas do Erário e dos fiéis. Para eles, o fim justifica os meios.
Lembremos de Jesus, quando chamou os fariseus de sepulcros caiados: limpos por fora e podres por dentro. Lembremos das admoestações de Jesus em Mateus 23, quantos ais!
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Certa vez, uma jovem seguiu o Apóstolo (de verdade) Paulo por muitos dias, bradando que ele e os demais eram servos do Deus Altíssimo (Atos 16:16-18). Porém, o Apóstolo (de verdade) Paulo era cheio do Espírito Santo e teve discernimento de Deus. Embora a jovem falasse a verdade, estava tomada por um espírito maligno, que foi prontamente expulso pelo Apóstolo.
O que acontece nas igrejas hoje, que líderes e políticos evangélicos são totalmente enganados por seres como o Eduardo Cunha? Cadê o discernimento dos espíritos? Cadê a prudência?
Ou será que não foram enganados e se aliaram de caso pensado?
pobreza-e
Tudo isso é para se pensar. Funaro deu 13 horas de depoimentos, que podem ser assistidos na íntegra no Youtube. Tive que assistir a muitas horas, pois se você pesquisar no Google “bancada do Cunha” e “bancada evangélica”, não achará absolutamente nenhuma notícia. É como se tivessem orquestrado um cala-boca gospel. Mas assistindo aos vídeos, outros gospel são citados, como o Garotinho e o Pr. Everaldo, e isso provavelmente também não sairá na grande imprensa. Amanhã inventarão algum meme na internet e essa delação, assim como a da JBS e a da Odebrecht, cairá no esquecimento. E os “esquemas” continuarão, com direito a testemunhos nos púlpitos de como “deus” abençoou que apareceu um bom dinheiro para ajudar na reforma do templo.
Nojo. Por muito menos, Jesus expulsou os mercadores do templo. E nós, pelo caminhar da carruagem, acabaremos reelegendo os mesmos indicados de sempre por nossos (im)pastores.
O mais triste é que muitos evangélicos sabem de tudo, mas mesmo assim apoiam suas lideranças e instituições, pois tudo vale em prol do “reino”. Até mesmo corrupção em nome de Jesus.
Será que ninguém mais está vendo isso? Onde estão as vozes para denunciar a iniquidade em parte das igrejas evangélicas brasileiras? Por que estão caladas?
Simples: muitas lideranças e muitas instituições são sustentadas por esse “sistema”. Ninguém quer perder sua parcela dentro do sistema corrupto.
Estamos a cerca de 2 semanas dos 500 anos da Reforma Protestante. O que temos a comemorar é que as Escrituras, como sempre, estão certas:
“E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” – Mateus 7:14
lutero solamente
Igreja Evangélica Brasileira, formada por mim e por você: arrependamo-nos enquanto é tempo.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Fonte:
https://pedrasclamam.wordpress.com
https://estrangeira.wordpress.com

domingo, 8 de outubro de 2017

: Após 500 anos de reforma, o que mudou?

Em Outubro deste ano faremos 500 anos da "Reforma Protestante" Reforma esta  iniciada por Martinho Lutero em 31 de outubro de 1517, que pregou 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. 

O documento desafiava diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano.  Ficamos a pensar, após 500 anos o que mudou nas igrejas protestantes? Será que o termo protestante se aplica nos dias atuais? Bem pelo contrário não vemos mais essa nomenclatura 'Protestante' sendo usada como outrora. É possível que tenha ainda alguns remanescentes oriundos da reforma em nossos dias. Seja um crente Reformado: Examine sua Bíblia

Solus Christus????

O que estamos vendo, principalmente em nosso País em relação a igreja evangélica - me refiro a grande maioria e principalmente as "igrejas Neo-Pentecostais" e as milhares de igrejas pentecostais - é que cada vez mais diminuem as diferenças das práticas outrora do catolicismo romano. Hoje não podemos mais falar da idolatria católica romana, pois temos objetos sagrados e venerados nas diversas denominações. Para essas denominações JESUS não é mais suficiente Salvador, ou seja, Ele perdeu totalmente a suficiência. O que vai te abençoar hoje é: O sal grosso, a arruda, a meia ungida, a tolha suada do tal Após-tôlo, a água benta, a arca da aliança, o shofar, a chave, o tijolo, a caneta e tantos outros milhões de objetos que não caberiam nessa página. 

Outro Evangelho 
Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho. Gálatas 1:6

Os que deveriam manter-se firme na Palavra e no Evangelho de Cristo, protestando contra heresias e doutrinas do diabo, tem praticado, envergonhado os verdadeiros cristãos protestantes.  Práticas bizarras se espalham cada vez mais dentro dessas instituições ditas evangélicas. O que eles fazem superam o Catolicismo Romano do século XV. 

Igrejas viraram empresas, os membros mercadorias e Pastores investidores
Hoje é descarado o comércio da fé dentro dessas "igrejas". Impossível ouvir, acompanhar um sermão deles sem que eles não falem em Lucros, Chantagens, Ameaças e muito dinheiro. Tudo gira em torno de lucros: quem muito oferta, muito recebe, quanto maior for o "sacrifício" dos 'fieis' ($), maior são as bençãos conquistadas por eles. Segundo os falsos após-tôlos, os falsos profetas, falsos bispos, falsas 'pastoras', o tema principal é: Doem tudo, digo, tudo o que você tem para que sejam prósperos.

Vergonha alheia 

Eu tenho vergonha desses vendilhões. Eu tenho vergonha do que vejo todos os dias na TV ao que se refere as práticas desses líderes em suas igrejas. Modismo, amuletos, práticas espiritas, símbolos judaicos, falsos testemunhos, Curas fabricadas, tudo em torno da denominação. Partidarismo puro. Quanto maior o marketing, maior o números de fieis que virão fazer parte.

Temos hoje na Tv aberta um show de quem cura mais, quem realiza mais "Milagres". Super-Heróis, que pregam outro evangelho, arrastam multidões e chegam a dizer: Se esta obra não é de DEUS porque cresce tanto? Mas os verdadeiros são poucos.

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Gálatas 1:8

Milhares são enganados pela cobiça de serem "Abençoados, Prósperos e Ricos".
Porque são enganados?? 

Não examinam nas Escrituras, aliás nem conhecem o livro que carregam debaixo de seus braços. Erram por falta de conhecimento. Fazem conforme ditam os tais falsos "Após-tôlos".

Eis que o meu povo está sendo arruinado porque lhe falta conhecimento da Palavra. Oséias 4:6

E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;
também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.. 2 Pedro 2:2-3

Louvado seja DEUS que diante esse quadro caótico Brasileiro existe algumas igrejas tradicionais Como: Presbiteriana, Congregacional, Batistas, Luterana e outras no meio pentecostal. Algumas raridades das Assembléia de Deus e pouquíssimas igrejas que não abrem mão das escrituras e tem clamado por uma REFORMA na igreja Brasileira.

Onde estão os cristãos protestantes???? Se você é um protestante não se conforme no que tem acontecido. Fale, proteste, se preciso for, denuncie.

Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

Por Pb Josiel Dias
http://josiel-dias.blogspot.com.br

domingo, 1 de outubro de 2017

O mal da dependência institucional religiosa

Por: Paulo Siqueira

Mundo“Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; mas o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca.
Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno.” – 1 João 5:18,19
Sei que muito gente vai se enfurecer com este artigo. Ou melhor, já devem estar enfurecidos só pelo título. Porém, esta é uma reflexão de quem acompanha a vida institucional religiosa desde criança, pois minha vida institucional da qual tenho lembrança se inicia aos 6 anos no catecismo católico.
Sempre tive minhas pulgas atrás da orelha, como diz o dito popular. Já na infância, minha mãe me alertava a tomar cuidado com o pároco da comunidade, pois o mesmo era dado a muito vinho. Na minha adolescência, fiz parte dos então iniciados grupos carismáticos porque acreditava que esses estavam mais próximos da Bíblia do que os católicos convencionais. Na minha conversão para o protestantismo (no meu caso, para o pentecostalismo), sempre me assustava com toda a mística envolvendo a igreja. Isso nunca me atrapalhou, pois sempre estive mais envolvido com a prática do que com as teorias, e nunca me deixei estimular pelos dogmas, preferindo as ações de misericórdia e solidariedade.
Uma das primeiras intrigas que tive com o “sistema institucional religioso” foi quando era professor de escola dominical em uma pequena congregação num bairro extremamente miserável da periferia de minha cidade natal. Tinha quase trinta alunos que chegavam às aulas nos domingos pela manhã, algumas crianças nuas, descalças, sujinhas, famintas, e algumas com somente uma peça de roupa. A maioria, filhos de pais envolvidos no alcoolismo, drogas, em todo o tipo de violência. Eu então trabalhava no período noturno e pela manhã me dirigia para essa escola com sacolas e sacolas de alimentos, roupas, calçados e brinquedos arrecadados durante a semana entre colegas de trabalho, vizinhos e amigos.
Então fui comunicado pela igreja-sede de que eu deveria incluir na classe da escola dominical da congregação as “revistas” exigidas pela instituição. Então comentei: “as crianças não têm roupas, não têm o que comer, como comprarão a revista?” E o irmão superintendente disse: “Paulo, são as regras da igreja!” E então descobri, a partir disso, que a instituição religiosa tem suas falhas, e falhas gravíssimas.
Assim como nesse exemplo, muitas são as perguntas que todo aquele que vive dentro do sistema religioso tem dentro de si e muitas vezes guarda calado.
Nessa história que referi, não adotei as revistas. Mas, aos poucos fui adquirindo bíblias para as crianças, ao ponto de todas as crianças terem uma bíblia. Ou seja, eu comprei uma grande briga com a instituição, pois quebrei a regra. E essa quebra de regra só não me trouxe grandes consequências porque a congregação cresceu, se tornou uma igreja (pois os pais e responsáveis pelas crianças, vendo a transformação que o Evangelho proporcionava em seus filhos, passaram a também frequentar a congregação).
Ou seja, a congregação cresceu, deu frutos. Sendo assim, a quebra de regras foi desconsiderada.
Porém, essa não é a realidade da igreja. A igreja vive sob um sistema pesado na sua dogmática, na sua eclesiologia, onde as regras falam muito mais alto do que a sensatez, a misericórdia, a solidariedade, o amor. Muitas vezes, as regras falam até mais do que a própria razão. E muitas vezes, até mais do que a própria fé.
Estamos no mês em que comemoramos 500 anos da Reforma e é uma boa lembrança nos referirmos aos motivos que levaram Lutero a afixar suas teses. Não é de hoje que o sistema institucional religioso está doente, decadente, ferido e ferindo a muitos.

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Dentro do versículo que descrevemos no início, a segunda parte é a que mais nos vem à lembrança. Porém, a primeira parte nos refere sobre a questão do “nascido de Deus”.
Em João 3, Jesus diz a Nicodemus que importa nascer de novo, pois aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. E aqui em 1 João temos que o que realmente é nascido de novo o Maligno não lhe toca. E por que digo isso?
Porque todos aqueles que vivem ou fazem parte do sistema religioso e vivem as mentiras, as armações, as hipocrisias do sistema vivem uma vida de pecado.
Tenho visto, após décadas vivendo no sistema religioso, que muitos são os que vivem os pecados institucionais em troca de salários, em troca da casa pastoral, em troca de um carro, em troca de mestrados e doutorados, ou seja, todas as benesses do sistema. Porém, eles não se atentam de que o que realmente importa nessa vida é o estar em Cristo, como Paulo diz em 2 Coríntios 5: 17: aquele que está em Cristo nova criatura é. Ou seja, uma nova criatura que não se alimenta, que não se veste, que não usufrui dos favores do mundo. E isso inclui os favores institucionais.
Os milhões de desigrejados são vítimas das feridas provocadas pelo sistema religioso. Um sistema que vai coexistindo com a mudez e a conivência dos seus participantes. É muito fácil apontar as falhas do catolicismo, as falhas do espiritismo, mas é preciso entender que o sistema evangélico também é repleto de falhas: falhas doutrinárias, ético-morais, sociais, políticas. Porém, o grande mal é o corporativismo institucional, alimentado por todos aqueles que de certa forma vivem do sistema.
Há alguns anos encontrei um contemporâneo de faculdade teológica. Dialogando com ele, apontei-lhe o porquê dele ter aderido à Teologia da Prosperidade mesmo tendo todo o conhecimento teológico. Ele subitamente interrompe meus argumentos com a pergunta: “quantas vezes você foi para Israel?” Sinceramente, não acreditei estar ouvindo aquilo. E depois veio a outra: “que carro você tem?”
Ou seja, essa pessoa a qual me refiro não só havia sido engolida por um desvio doutrinário. Essa pessoa estava equivocada quanto ao seu novo nascimento.
Tenho enfrentado isso nos últimos anos. Depois que comecei a fazer parte do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira e passei a denunciar os problemas da instituição evangélica, sou confrontado com os valores deste mundo. Muitos, quando sabem dos meus problemas de saúde, encontram argumentos para confrontar as verdades bíblicas. É preciso entender que a Igreja só tem sentido de existir se ela for o reflexo de Cristo descrito na Bíblia.
Só há um sentido da prática dogmática da Igreja: se essa dogmática for o reflexo de Cristo na Bíblia. A grande essência de um pastor, de um líder frente a uma comunidade religiosa não está no salário, nas viagens ou no carro, mas sim nos frutos do Espírito que a convivência dos santos proporciona.
A Igreja não é uma empresa. A Igreja não se fundamenta nos lucros. A Igreja é uma instituição totalmente espiritual, apesar de palpável. Para isso, é preciso que os que dela fazem parte vivam uma espiritualidade real, em Cristo. Por isso, ela é o contrário do mundo. Enquanto o mundo jaz no Maligno, a Igreja e os que dela fazem parte são de Deus e vivem os Seus valores. Isso deve ser manifesto com integridade, com transparência, com verdade, não com hipocrisias e mentiras.
A Palavra de Deus nos diz que todo obreiro é digno do seu sustento. Porém, a partir do momento em que o sustento se torna o motivo de eu estar na igreja isso passa a ser um profissionalismo, e aí os valores que norteiam minha vivência são totalmente institucionais.
Há muitos pastores puramente institucionais. Verdadeiros profissionais da fé. Jesus chama a esses de mercadores ou mer-ce-ná-rios. Sim, isso mesmo. Mercenários da fé.
O mercenário é aquele que atua, que age simplesmente pelo pagamento, sem se importar com a essência, os valores e as consequências do trabalho a ser realizado. Essa é a razão de tantas igrejas, apesar de cheias, não produzirem verdadeiros nascimentos em Cristo.
Essa é a razão pela qual, apesar do crescente número percentual de evangélicos, o Brasil ainda sucumbir diante da corrupção, da intolerância, da prostituição, da violência. Reflexos de uma igreja que vive mais os valores do mundo do que os valores de Deus.
Por isso João faz questão de lembrar que o mundo jaz no Maligno.
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A Igreja não depende de verbas públicas, a Igreja não depende de favores políticos, a Igreja não depende de ter um grande empresário. A Igreja depende de Deus, e para isso precisa viver Seus valores descritos na Palavra de Deus.
Sei que muitos não conseguirão ler essa reflexão. É mais fácil ignorar. É mais fácil viver os luxos do que ser confrontado com as verdades. Porém, como o título desse blog é As Pedras Clamam, estou aqui como uma pedra que clama, clamando por justiça, clamando por santificação, clamando por mais de Deus e menos do homem.
Espero que os que chegaram até aqui na leitura desta reflexão possam se sentir aliviados, pois apesar de fazerem parte de uma instituição religiosa, estão com as vestes limpas. Ou senão, que esta reflexão possa levar ao arrependimento e até, se possível, ao abandono do pecado.
Isso mesmo, abandono!
“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.” – Mateus 5:29,30
Você está sendo radical, irmão!!! Do que que eu vou viver? Onde vou trabalhar?
Verdade. Porém, é preciso lembrar que essa vida é passageira, mas o inferno será eterno.
“Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.” – Mateus 18:6
Eu poderia citar mais versículos, como por exemplo o capítulo todo de Mateus 23 ou Ezequiel 34, textos esses esquecidos por muitos.
Muitos devem estar horrorizados deste texto. “Como pode falar mal da instituição?”
Não. Estou falando contra os que fomentam a mentira, a hipocrisia, aos mercadores da fé que transformaram a Igreja num balcão de negócios. Há muitos homens e mulheres que não se venderam ao deus deste mundo. Há muitos mesmo. Porém, o número de mercadores cresce a cada dia.
Esta reflexão tem por intenção despertar os que pecam, pois assim age o Espírito Santo de Deus, sempre no propósito de chamar o homem à consciência, e assim o levar ao arrependimento. Não seremos salvos segundo nossa formação teológica, segundo nosso cargo ou posição dentro do sistema religioso, ou pelo quanto nos adequamos aos valores deste mundo, mas seremos salvos mediante o reconhecimento, em vida, do sacrifício de Cristo no Calvário.
Não viva em mentiras, pois o Pai da Mentira é o diabo. Mesmo que ele lhe pague um bom salário, esse salário pode ser sua ruína, pois o salário do pecado é a morte.
Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

pedrasclaman.wordpress.com

sábado, 16 de setembro de 2017

Protesto Marcha para "Jesus" no Piau 2016

Jovens protestam contra corrupção nas igrejas


Graças a Deus que no Brasil, muitos  tem aberto seus olhos para a corrupção religiosa. Não só nós do MEEB ( Movimento pela ética evangélica) mas muitos outros irmãos pelo país afora tem aproveitado movimentos como a marcha para Jesus   (Jesus?) para alertar o povo e propor o evangelho verdadeiro e denunciar o falso evangelho.
  Jesus não é Je$u$   foi o tema da faixa exposta em  manifestação em marcha realizada  em Teresina, capital do Piaui no ano de 2016. Apesar de não conhecermos estes irmãos percebemos que temos o mesmo objetivo.


Tomei conhecimento deste protesto através da cobertura da marcha pelo site da TVVERDESCAMPOS ( http://www.tvverdescampossat.com/blogs/marcha-para-jesus-atrai-milhares-de-pessoas-em-teresina-211776.html) 
Abaixo segue-se o que o site diz sobre esta manifestação;:


"Um grupo de jovens, vestidos de preto, aproveitaram o evento para realizar uma manifestação contra a corrupção nas igrejas e a pregação que prioriza a prosperidade sobre a salvação. Com um alto falante eles alertavam sobre a necessidade dos pastores priorizaram palavras de salvação e minimizarem os pedidos de oferta. 

A Marcha Para Jesus percorreu a avenida João XXIII e finalizou com o percurso com uma concentração no centro de Teresina


Jovens protestam contra corrupção nas igrejas

Fica a sugestão para você que pensa com nós, realizar uma manifestação  semelhante em sua cidade assim como já aconteceu em cidades dos estados de SP, MG, RJ,PR,PA,PE,AC,RS...  Gostaríamos de divulgar estes atos para incentivar outros irmãos, então ao realizar por favor entre em contato conosco.


"credito das fotos e cobertura do evento: site TV Verdes Campos PI"



domingo, 10 de setembro de 2017

Vivemos a Contrarreforma Protestante?

reforma-protestanteHá poucos dias da comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante não se vê movimentação na maioria das igrejas evangélicas (filhas da Reforma). Há os cultos de empresários, congressos de avivamento, campanhas financeiras, tardes de bênçãos, sextas fortes da libertação, domingo dos milagres. Mas nada que remeta ao movimento reformador.
Também, como comemorar o que é desconhecido?
Faça um pequeno teste. Vá a um culto da Igreja Universal, ou da Plenitude do Trono de Deus, ou da Mundial, ou da Advec do Malafaia, ou de qualquer igreja evangélica de bairro. Pergunte para umas 3 ou 4 pessoas o que elas acham da Reforma Protestante. E esteja psicologicamente preparado para não se assustar com as mais estapafúrdias respostas que receber.
Não tenho como esquecer uma situação de anos atrás. Peguei um táxi e vi uma pequena bíblia aberta em cima do painel. O taxista começou a puxar assunto, e obviamente caiu na religião. Então ele me perguntou qual religião eu seguia. “Sou protestante”, respondi. “O quê?”, o taxista perguntou confuso. “Evangélica”. “Ah, bom!”
O desconhecimento da história da Igreja traz duas grandes preocupações. A primeira é que nossas escolas não estão conseguindo passar os conteúdos básicos para os alunos. Lembro-me de ter estudado sobre a Reforma e a Contrarreforma na 6a. ou 7a. série. Mesmo se não fosse cristã, teria pelo menos uma base mínima do que ocorreu naquela época por conta das pesquisas que tive que fazer para conseguir acrescentar nota em História. Infelizmente, a grande maioria dos estudantes acabam “decorando” para a prova e se esquecendo de todo o conteúdo dias depois. Talvez a culpa seja da forma de avaliação, e isso precisa ser discutido amplamente.
A segunda preocupação é que as igrejas brasileiras estão negligenciando o ensino de sua própria história. E isso é ainda mais grave.
O que faz um filho adotado buscar conhecer seus pais, mesmo tendo sido tratado com todo o amor e carinho por quem lhes adotou é o desejo intrínseco de conhecer suas origens. E quem, tendo a oportunidade, nunca se sentou junto a seus avós para conhecer as histórias de sua família?
Dizem que conhecer o passado ajuda a projetar o futuro. E ajuda a evitar a repetição de erros. Por isso vemos grupos neonazistas e antissemitas que tentam convencer que nunca houve o Holocausto: para poder repetir as atrocidades do passado sem culpa nenhuma.
E não é o mesmo que estão fazendo as igrejas (ou emprejas) brasileiras atualmente?
A Reforma Protestante ocorreu numa época de trevas da Igreja Católica Apostólica Romana. Seus sacerdotes estavam totalmente afinados com o poder do Estado, tinham grandes regalias em relação ao povo, tratavam os considerados hereges com mão de ferro e viviam como nobres. Porém, sustentar tal padrão de vida exigia muito dinheiro. Assim como nos dias atuais.
downloadEm 1517, vemos Tetzel correndo as cidades em busca de recursos financeiros para a construção da Basílica de São Pedro. O povo já sofria com a alta cobrança de impostos pelo Estado. Como tirar mais dinheiro dessa gente tão sofrida?
Simples! O povo é temente a Deus, então bastava espiritualizar a doação de dinheiro. Assim, decretou-se que pela “vontade de Deus” os pecados poderiam ser perdoados a partir do pagamento de indulgências. (alguma semelhança com a teologia de boa parte das igrejas evangélicas brasileiras, especialmente as neopentecostais)?
Eis uma tabela das indulgências, a título de curiosidade (extraída do blog Pérola de Cultura):
1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas, seja, por fim, com outra mulher qualquer, será absolvido, mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2. Se o eclesiástico, além do pecado de fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deve pagar 219 libras, 15 soldos. Mas se tiver apenas cometido pecado contra a natureza com meninos ou com animais e não com mulheres, somente pagará 131 libras e 15 soldos.
3. O sacerdote que desflorar uma virgem, pagará 2 libras e 8 soldos.
4. A religiosa que quiser alcançar a dignidade de abadessa depois de se ter entregue a um ou mais homens simultânea ou sucessivamente, quer dentro, quer fora do seu convento, pagará 131 libras e 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver maritalmente com parentes, pagarão 76 libras e 1 soldo.
6. Para todos os pecados de luxúria cometidos por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo; no caso de incesto, acrescentar-se-ão em consciência 4 libras.
7. A mulher adúltera que queira ser absolvida para estar livre de todo e qualquer processo e obter uma ampla dispensa para prosseguir as suas relações ilícitas, pagará ao Papa 87 libras e 3 soldos. Em idêntica situação, o marido pagará a mesma soma; se tiverem cometido incesto com os seus filhos acrescentarão em consciência 6 libras.
8. A absolvição e a certeza de não serem perseguidos por crimes de rapina, roubo ou incêndio, custará aos culpados 131 libras e 7 soldos.
9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos e 3 dinheiros.
10. Se o assassino tiver morto a dois ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apenas assassinado um.
11. O marido que tiver dado maus tratos à sua mulher, pagará aos cofres da chancelaria 3 libras e 4 soldos; se a tiver morto, pagará 17 libras, 15 soldos; se o tiver feito com a intenção de casar com outra, pagará um suplemento de 32 libras e 9 soldos. Se o marido tiver tido ajuda para cometer o crime, cada um dos seus ajudantes será absolvido mediante o pagamento de 2 libras.
12. Quem afogar o seu próprio filho pagará 17 libras e 15 soldos [ou seja, mais duas libras do que por matar um desconhecido (observação do autor do livro)]; caso matem o próprio filho, por mútuo consentimento, o pai e a mãe pagarão 27 libras e 1 soldo pela absolvição.
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpetração do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.
14. Pelo assassinato de um irmão, de uma irmã, de uma mãe ou de um pai, pagar-se-á 17 libras e 5 soldos.
15. Quem matar um bispo ou um prelado de hierarquia superior terá de pagar 131 libras, 14 soldos e 6 dinheiros.
16. O assassino que tiver morto mais de um sacerdote, sem ser de uma só vez, pagará 137 libras e 6 soldos pelo primeiro, e metade pelos restantes.
17. O bispo ou abade que cometa homicídio por emboscada, por acidente ou por necessidade, terá de pagar, para obter a absolvição, 179 libras e 14 soldos.
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição, por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro, terá de pagar 168 libras e 15 soldos.
19. O herege que se converta pagará pela sua absolvição 269 libras. O filho de um herege queimado, enforcado ou de qualquer outro modo justiçado, só poderá reabilitar-se mediante o pagamento de 218 libras, 16 soldos e 9 dinheiros.
20. O eclesiástico que, não podendo saldar as suas dívidas, não quiser ver-se processado pelos seus credores, entregará ao pontífice 17 libras, 8 soldos e 6 dinheiros, e a dívida ser-lhe-á perdoada.
21. A licença para instalar pontos de venda de vários géneros, sob o pórtico das igrejas, será concedida mediante o pagamento de 45 libras, 19 soldos e 3 dinheiros.
22. O delito de contrabando e as fraudes relativas aos direitos do príncipe contarão 87 libras e 3 dinheiros.
23. A cidade que quiser obter para os seus habitantes ou para os seus sacerdotes, frades ou monjas autorização de comer carne e lacticínios nas épocas em que está vedado fazê-lo, pagará 781 libras e 10 soldos.
24. O convento que quiser mudar de regra e viver com menos abstinência do que a que estava prescrita, pagará 146 libras e 5 soldos.
25. O frade que para sua maior conveniência, ou gosto, quiser passar a vida numa ermida com uma mulher, entregará ao tesouro pontifício 45 libras e 19 soldos.
26. O apóstata vagabundo que quiser viver sem travas pagará o mesmo montante pela absolvição.
27. O mesmo montante terá de pagar o religioso, regular ou secular, que pretenda viajar vestido de leigo.
28. O filho bastardo de um prior que queira herdar a cura de seu pai, terá de pagar 27 libras e 1 soldo.
29. O bastardo que pretenda receber ordens sacras e usufruir de benefícios pagará 15 libras, 18 soldos e 6 dinheiros.
30. O filho de pais incógnitos que pretenda entrar nas ordens pagará ao tesouro pontifício 27 libras e 1 soldo.
31. Os leigos com defeitos físicos ou disformes, que pretendam receber ordens sacras e usufruir de benefícios pagarão à chancelaria apostólica 58 libras e 2 soldos.
32. Igual soma pagará o cego da vista direita, mas o cego da vista esquerda pagará ao Papa 10 libras e 7 soldos. Os vesgos pagarão 45 libras e 3 soldos.
33. Os eunucos que quiserem entrar nas ordens, pagarão a quantia de 310 libras e 15 soldos.
34. Quem, por simonia, (compra ou venda ilícita de benefícios eclesiásticos) quiser adquirir um ou mais benefícios deve dirigir-se aos tesoureiros do Papa que lhos venderão por um preço moderado.
35. Quem, por ter quebrado um juramento, quiser evitar qualquer perseguição e ver-se livre de qualquer marca de infâmia, pagará ao Papa 131 libras e 15 soldos. Pagará ainda por cada um dos seus fiadores a quantia de 3 libras.
A venda de indulgências foi o gatilho para o ato de Martinho Lutero, que afixou suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg em 31 de outubro de 1517 (alguns historiadores relatam que Lutero enviou ao Papa Leão X cartas com suas teses). Esse dia ficou marcado como o Dia da Reforma Protestante, mas não podemos esquecer que muitos outros, antes e depois de Lutero, abriram mão de suas vidas pela causa de Cristo. Cem anos antes, temos a execução de Jan Hus e, em 1545, o martírio dos Valdenses como alguns exemplos que NÃO deveriam ser esquecidos pelas igrejas atuais.
buon10_concCom o movimento reformador, houve um alastramento das religiões protestantes na Europa. Sentindo-se acuada, a Igreja Católica promoveu a Contrarreforma, ou seja, algumas medidas para barrar o crescimento protestante: instituiu a Companhia de Jesus (os jesuítas), com o fim de propagar o catolicismo ao redor do mundo; criou a Inquisição, para combater os que ousassem se desviar das doutrinas católicas; e no Concílio de Trento (1542) inventou-se a “infalibilidade papal” (para que ninguém ousasse se indispor com o maioral da igreja), o Índex (lista de livros proibidos para os fiéis) e a proibição da venda de indulgências (fonte: Brasil Escola).
Mas por que perguntamos no título se vivemos uma Contrarreforma Protestante?
Porque, aparentemente, os eixos trocaram de lugar.
De um lado, temos uma maioria Protestante brasileira que sequer se acha protestante, mas assume a nova nomenclatura americanizada evangélica e gospel por não saber de suas origens, de sua história, do seu porquê. Essa maioria segue a doutrina do Papa Leão X e de seu fiel escudeiro Tetzel. São uma multidão que, em pleno século XXI, repete o exemplo dos camponeses e servos do século XVI: antes, porque poucos eram alfabetizados e porque o que havia das Escrituras era disponível em latim apenas para os sacerdotes; hoje, apesar de alfabetizados e com acesso fácil às mais variadas versões bíblicas, por nossa preguiça de ler e pelo quase total desconhecimento das regras básicas de interpretação de textos.
hqdefault (1)Se em 1517 os líderes religiosos vendiam o perdão dos pecados, em 2017 se vendem bênçãos. E isso facilmente se explica. Nos tempos de Lutero não havia muitos bens a serem vendidos. Obtinha-se uma casa, uma mesa, algumas cadeiras, uma cama e um armário para as poucas roupas e utensílios de cozinha, e a linha que dividia ricos e pobres era quase intransponível. Assim, a única coisa que um pobre camponês poderia desejar eram as ruas de ouro do outro lado da vida, e por isso a venda do perdão dos pecados.
Já nos nossos dias, temos à disposição centenas de tipos de tv’s, mobiliários, computadores, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, carros, casas, roupas, sapatos, opções de viagens, cursos, enfim, a lista de desejos é infinita. Assim, nossa satisfação não está nos céus, mas aqui e agora, em meio a todas as oportunidades que esse mundo nos oferece. E por isso o produto vendido mudou para a venda de bênçãos, para a aquisição de riquezas e cura de doenças (para vivermos mais para aproveitar o melhor desta terra).
news_morris_meioPerceba que, se formos pensar nas intenções, os fiéis do século XVI foram muito mais inocentes que os fiéis do século XXI. A falta de perspectivas terrenas os levavam a buscar os céus, mesmo que através do engano.
O diabo, astuto como a serpente que é, levou os humanos a criar e a aprimorar, com o passar dos anos, um sistema econômico opressor e que nos desvia do Alto. E o aprimoramento continua, pois estamos na fase da digitização, na qual a mão de obra humana é cada vez mais substituída pela automatização, gerando ainda mais desemprego e todos os males que dele advém. Mas isso é assunto para outro artigo.
Contrarreforma prediz algo contrário à Reforma, algo que a combata. Assim foi com a Contrarreforma Católica e assim está sendo com a Contrarreforma Protestante.
MURALHAS DE JERICÓ IURD
A Contrarreforma Protestante tem por objetivo anular as conquistas da antiga Reforma. E tem conseguido, infelizmente.
Tetzel foi ressuscitado em vários líderes: Edir Macedo, Valdemiro Santiago, R. R. Soares, Malafaia, Renê Terra Nova, Agenor Duque, Jerônimo Onofre da Silveira, Samuel Ferreira, Ezequiel Pires, Marco Feliciano, Estevam Hernandes e tantos mais. Manteve-se a busca por dinheiro por bons motivos (antes, a reconstrução da Basílica de São Pedro; hoje, a manutenção das poucas obras sociais, a construção de catedrais e a evangelização por rádio e tv). Aperfeiçoou-se a proximidade com os governos (até se lançam candidatos próprios para ocupar o Poder). Manteve-se o povo na ignorância (histórica e bíblica), pois assim torna-se mais fácil a manipulação. E manteve-se o gosto por boas roupas, grandes manjares e todo o conforto que só o dinheiro “santo” pode proporcionar.
A Contrarreforma Católica teve um lado positivo: acabou com a venda de indulgências (dando razão à Reforma) e, de lá para cá, a Igreja Católica evoluiu positivamente em alguns pontos (mas não se engane: é um sistema tão corporativista e corrupto como os demais – se puder, assista ao filme vencedor do Oscar Spotlight). Já a Contrarreforma Protestante não tem nada de bom, já que nega abertamente os pontos da Reforma.
Teria muito mais a escrever, mas por ora deixo espaço para a reflexão pessoal, já que, pelo andar da carruagem, não há muito o que comemorar no próximo dia 31 de outubro.
Que Deus levante Seu Remanescente para afrontar os que exploram os fiéis em troca de bênçãos. Que saibamos honrar a luta e a morte sob torturas e de forma infame de muitos irmãos e irmãs que não se curvaram a Baal ou a Mamom.
Jesus Cristo voltará. Está às portas. Que possamos nos arrepender enquanto é tempo.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.


fonte:  www,estrangeira.wordpress.com