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quinta-feira, 4 de março de 2021

CONTRA A "TEOLOGIA MODERNA"



Pessoal, tenho que falar a verdade. E vou fazer de maneira simples. Há tópicos teológicos que requerem muitos anos de estudo, exegese, leitura. Mas há coisas básicas para qualquer cristão, como os Dez Mandamentos, o Sermão do Monte e o exemplo de Jesus. Não podemos ignorá-las.
Eu abomino essa "teologia moderna", totalmente relativista, sincrética, idólatra e hedonista. Eu creio que pecado continua sendo pecado. Eu creio que propagar fake news (como o "tratamento preventivo") é agir como "filho do diabo". Eu creio que o ódio é uma forma de homicídio, e leva uma pessoa para o castigo eterno após a morte. Eu creio que Deus não tolera que usem o seu santo Nome para fins políticos ("Deus acima de todos"). Eu creio que Deus derramará a sua ira eterna sobre quem ignora, relativiza e zomba do sofrimento alheio. Eu creio que o pecado existe. Que o inferno existe. Que existe "bem" e "mal". Que há coisas que sempre são certas, e coisas que sempre são erradas.
Eu creio que não é possível servir a Cristo e ao diabo simultaneamente. Cristo prega que "bandido bom é bandido convertido". O diabo prega que "bandido bom é bandido morto". Cristo prega que "uma alma vale mais do que o mundo inteiro". O diabo prega que "o importante é não ferrar a economia". Jesus prega que o reino dele não é deste mundo. O diabo prega que "o Brasil é um país cristão". Cristo ensina a chorar com os sofredores. O diabo ensina a dizer "e daí" diante do sofrimento. Cristo ensina a amar os inimigos. O diabo ensina que devemos brigar até mesmo com os amigos.
Não sou nenhum teólogo. Sou um cristão simples, irrelevante e que busca apenas servir a Deus e ao próximo. Sei que sou um pecador miserável, cheio de defeitos, que faz muita besteira e não pode salvar a si próprio. Creio que merecia a condenação, mas Jesus me amou e me salvou. Por isso não quero a condenação de ninguém, por mais que as vezes eu tenha uma baita raiva de alguns. Sei que não sou melhor do que ninguém. Somos todos um bando de sacos de vermes. Graças a Deus, sou salvo pela graça mediante a fé (Sola gratia e Sola fide).
Agora, essa graça barata que estão pregando por aí.....me parece coisa de Satanás! Onde já se viu? Chamar pecado, maldade, e idolatria de "questões políticas que não comprometem a fé"? Estou confuso....porque os pastores pararam de pregar que o ódio, a violência, a mentira, a ganância, a idolatria e a soberba são pecados? Será que "atualizaram a Bíblia", para poder continuar agindo de acordo com o espírito do mundo?


via FAcebook

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

É impossível seguir Jesus e se calar sobre Bolsonaro: traíram o Evangelho

 


O presidente Jair Bolsonaro em Brasília - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro em Brasília
Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
Ronilso Pacheco

Colunista do UOL

21/02/2021 04h00

Não são poucas as igrejas evangélicas e os evangélicos que têm demonstrado apoio irrestrito ou silêncio conivente com o governo bolsonarista. Até aí, estaria tudo bem, porque, gostemos ou não, são escolhas.

Como o campo evangélico é extremamente diverso, é comum a alegação de que evangélicos possuem posicionamentos diferentes e podem sustentar suas posições na Bíblia, porque isso seria uma questão de interpretação. Mas, definitivamente, não se trata de interpretação. A vida de Jesus está lá, nos quatro Evangelhos do Novo testamento para servir de referência.

A posição desses pastores — seus impérios, sua conivência com a política bem-sucedida de indiferença com os cuidados da população — é uma traição inquestionável do que é a vida de Jesus descrita nos quatro Evangelhos.

Homens como Silas Malafaia, Edir Macedo, Valdemiro Santiago e R.R. Soares não possuem qualquer compromisso com uma "forma" de ser evangélico. São interesseiros milionários. É inexplicável que líderes milionários se digam imitadores de alguém que mal tinha uma casa e fomentou que os ricos distribuíssem a riqueza que tinham.

Chega a ser doentio que esses pastores busquem conquistar o país com uma megaigreja em cada parte do território nacional, enquanto, na Bíblia, Jesus não teve qualquer apego aos templos por onde passou.

Aliás, as principais memórias sobre Jesus, os textos mais conhecidos sobre suas mensagens (o Sermão da Montanha talvez seja o maior deles) aconteceram em meio ao povo, na rua, nos montes, às margens de rios, e nunca no templo. É sintomático que, nas poucas ocasiões em que Jesus aparece no templo, ele tenha precisado fugir da elite religiosa, ameaçado de morte.

Isso não quer dizer que igrejas são desnecessárias, quer dizer que igrejas têm mais a ver com uma relação comunitária, cuidada por sua liderança, do que com um império de centenas de igrejas espalhadas pelo país e que torna o seu pastor-fundador absurdamente rico, milionário.

O império desses homens também criou uma geração de pastores "playboys" que ostentam preconceito, racismo religioso e homofobia. Pastores como André Valadão e Lucinho Barreto não são apenas pregadores ruins, são cínicos e desrespeitosos.

Como a pregação no púlpito de uma igreja também é algo que se aprende a fazer (as frases, as orações, as músicas, os gestos, o tom de voz, tudo pode ser ensinado e aprendido) eles apenas interpretam, cada um à sua maneira.

Lucinho Barreto é o homem que age como menino, brincando de "cheirar a Bíblia", incitando racismo religioso, gabando-se de atacar terreiros. Que diz que, contra bandido, o policial deve matar "descarregando a arma e jogar o revólver na cara no final".

Da mesma forma faz André Valadão, o menino rico que ostenta a boa vida em Orlando, nos Estados Unidos, enquanto acha estar defendendo a Bíblia ao dizer que "igreja não é lugar para gays".

Igreja Batista Lagoinha, Vitória em Cristo, Universal, Renascer, Sara Nossa Terra, Catedral do Avivamento, de Marco Feliciano, Igreja Batista Atitude, entre outras e suas respectivas lideranças não possuem nada, absolutamente nada, do que a vida de Jesus é. Consequentemente, elas ferem e traem quem deposita nelas a credibilidade de conhecimento e compromisso com o Evangelho.

Mas nem tudo vem do mundo pentecostal e seus pastores milionários, seus playboys inconsequentes. Não mesmo. A precariedade e perversidade políticas do governo Jair Bolsonaro (sem partido) também têm a chancela dos que fingem "racionalidade" e imparcialidade.

Órgãos como Convenção Batista Brasileira, Coalizão pelo Evangelho, Visão Nacional para a Consciência Cristã, Associação Nacional dos Juristas Evangélicos, Jocum (Jovens com uma Missão), entre outros, contribuem para blindar um governo que tem na violência sua principal linguagem, prioriza mais as armas do que as vacinas e continua atacando minorias sociais (e a democracia).

E, como o governo odeia tudo que tem aparência de "esquerda", "comunista" ou "progressista", esses homens (sempre homens) "ilustrados" da igreja usam o silêncio para chancelar tudo que o bolsonarismo tem raivosamente implementado, da política econômica à social.

Não há inspiração em Jesus possível aqui. Um país com um governo que patina no cuidado da saúde numa das maiores crises sanitárias de nossa história, com a economia secundarizada para os mais pobres, implorando por um auxílio emergencial para não tocar a fome, e o campo evangélico conservador e fundamentalista dividido entre os que olham ensimesmados para o céu e os que olham para suas contas bancárias e para os privilégios da sua igreja.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.




FONTE: UOL

https://noticias.uol.com.br/colunas/ronilso-pacheco/2021/02/21/e-impossivel-seguir-jesus-e-se-calar-sobre-bolsonaro-trairam-o-evangelho.htm?utm_source=facebook&utm_medium=social-media&utm_campaign=noticias&utm_content=geral&fbclid=IwAR0YxYykPypjiTtpOL7Oz2f5iVfac5zEMGao9z_r-3d3sDEThzCWs-4xrBY

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

CANSEI DE TEOLOGIA

 Prleogoncalves


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CANSEI DE TEOLOGIA

Prleogoncalves
Sim, foi isso mesmo que você leu. Após quase 20 anos dedicados a estudos teológicos, artigos e dissertações, eu simplesmente cansei de teologia. É claro que não foi um cansaço repentino, coisa de um dia só. Foi, na verdade, uma exaustão gradual.

Felizmente, não estou cansado de toda e qualquer teologia. O que me cansa mesmo é a teologia árida, hiper-academica e sem aplicação no mundo real. Me cansa a teologia que se esforça por responder questões que o mundo não está fazendo, e que discute tópicos sem relevância na vida da igreja.

Eu também estou muito cansado da hiper-relevancia dos profetas do óbvio, óraculos que se sentem na obrigação de comentar todo e qualquer acontecimento da vida cotidiana. Meu coração não aguenta ver questões tão importantes sendo colocadas em xeque em postagens de um parágrafo em uma rede social.

Cansei da idolatria teológica, que confunde diferentes tradições com heresia. Tenho vergonha do arminiano que chama o calvinista de herege, do calvinista que chama o irmão arminiano de pelagiano, e da guerra infantil entre cessacionistas e pentecostais. Desconheço um esforço teológico tão inútil, ou uma guerra tão boba. Também estou cansado da teologia sendo usada como máscara para defender o político A ou B, como se Deus fosse republicano, democrata, petista ou bolsonarista. Essa última manifestação teológica, vejo como carnal e diabólica!

Cansei dos mesmos teólogos porque o que eles escrevem não se relaciona com o "chão da igreja". Irmãos, nós pensamos, pregamos e escrevemos para servir à Igreja. Logo, toda teologia que não serve ao corpo de Cristo, não passa de palha teológica.

Enfim, estou cansado de teologia ruim e de teólogos sem coração pastoral. Estou cansado de quem escreve para ser admirado pelos colegas e confrades, e não para servir a grei. E isso não é ódio pela academia; o que odeio é a ausência de praticidade. Detesto o fato da igreja exaltar os teólogos que escrevem para anjos e não para homens, mesmo não entendendo bulhufas do que eles falam, e depois, diante do luto inesperado, do desemprego que bate à porta, do desfacelamento da família, saírem em busca de nós, os varredores das calçadas do Reino de Deus.

Mesmo cansado de teologia, me vejo moralmente obrigado a fazê-la, senão por outro motivo, que seja ao menos para responder as difíceis questões pastorais que não podem ser encontradas nos maiores best-sellers evangélicos, nem em velhos tomos de Teologia Sistemática. Felizmente, a teologia do "chão da igreja" é prazerosa. Não dá destaque, não nos coloca nos círculos "famosos", mas alegra o coração de Jesus e provê esperança para a igreja. E no final, não era essa a missão?



FONTE: Léo Gonçalves 

Via: 

         https://medium.com/@prleogoncalves  

facebook



domingo, 13 de dezembro de 2020

No Brasil, o Cristianismo ganhou – e está sendo derrotado

 Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.

E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.
Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;
Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.
Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma? – Mateus 16:21-26

No Brasil, o Cristianismo venceu. Somos uma das maiores nações cristãs. Entre católicos e evangélicos, somos atualmente 81% da população. Nosso presidente é cristão, assim como seu ministros e os secretários que lhe são subordinados. Enfim, o Cristianismo ganhou no Brasil. E está perdendo.

A primeira vitória do Cristianismo se deu nos tempos de Constantino, quando deixou de ser uma seita perseguida pelos romanos para se tornar a religião oficial do Império. Com sua vitória, o Cristianismo recebeu as recompensas dos vencedores: a possibilidade de construção de grandes catedrais, para denotar a grandeza e poder do seu Deus; a proximidade com o Estado, podendo os representantes de Deus influenciar os detentores do poder político, assim os levando a fazer a vontade de Deus em seus territórios; seus sacerdotes passaram a ter grande respeito e reverência, manifestada através das vidas luxuosas das quais eram merecedores, afinal eram os porta-vozes do próprio Deus na terra; houve a salvação dos povos que lhes eram submissos, povos esses convertidos aos valores do Cristianismo e tementes ao Inferno que lhes adviria caso fossem rebeldes em qualquer aspecto apresentado, sejam questões espirituais, políticas, econômicas ou sociais.

Mas Cristo não mandou que o Evangelho fosse pregado em todas as nações? Daí vieram outras vitórias do Cristianismo, seja através das guerras santas nas chamadas Cruzadas, seja através da imposição da fé aos povos conquistados nas terras descobertas (como o continente americano), seja usando de ferramentas de fé com as da Inquisição. O importante é a vitória do Cristianismo, e para tal quaisquer meios se justificariam.

E o Cristianismo continuou vencendo, até os dias de hoje.

Em termos de Brasil e também de mundo, o Cristianismo é vencedor. E está perdendo. Isso porque o que é vencedor tem nome de Cristianismo, mas não é e nunca foi cristão, de Cristo. É uma farsa, uma fake news de muitos séculos e que engana até hoje.

O Cristianismo verdadeiramente vencedor é o que perde aos olhos deste mundo que jaz no Maligno.

O Cristianismo vencedor era aquele anterior a Constantino. Aquele que reunia crentes em cavernas, no porão das casas, escondidos, subversivos, marginalizados. Era aquele que tornava seus seguidores conhecidos pelo amor que tinham uns pelos outros apesar das dificuldades e perseguições. Era aquele onde os crentes sofriam as mesmas perseguições que seu Mestre. Era aquele caminho estreito e difícil, que levava não à vitória financeira, ou à conquista política, ou às honrarias nos encontros presidenciais, mas à crucificação, à fogueira, às feras, ao apedrejamento ou, na melhor das hipóteses, ao asilo em terras distantes. Era aquele que trazia vergonha a quem o seguia, e não era moda como nos dias atuais.

81% da população brasileira é cristã. Nosso governo maior é cristão. E quais transformações positivas vemos em nossa sociedade? Quais os frutos que nosso Cristianismo tem apresentado?

Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?
E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.
De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas,
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.
E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,
Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar. – Atos 2:36-47

Isso só foi possível por partir de crentes não mancomunados com os poderes deste mundo. Isso só foi possível porque a dependência toda estava em Deus, não na influência do político ou no poder do dinheiro. Isso só foi possível porque não se fechou os olhos à corrupção política, porque fulano é contra gay ou contra o aborto. Isso só foi possível porque Pedro e os Apóstolos (de verdade) eram foragidos, marginais, inimigos das estruturas podres, ainda que vestidas de púrpura e cheirando aos mais caros perfumes do oriente. Isso só foi possível porque, por amor a Deus e às almas que ali estavam, não temeram perder a única coisa que ainda tinham: suas vidas.

O Cristianismo no Brasil está perdendo. Mas está ganhando.

Está perdendo o Cristianismo de Constantino a Bolsonaro. Está perdendo o Cristianismo de Edir Macedo, Silas Malafaia, Estevam e Sonia Hernandes, R. R. Soares, Valdemiro Santiago, Renê Terra Nova, Agenor Duque, José Wellington Bezerra da Costa, Silas Câmara, Samuel Ferreira, Marco Feliciano, Jerônimo Onofre da Silveira, Mario de Oliveira e tantos mais…

Mas está vencendo o Cristianismo de um Remanescente, de uns poucos que são taxados de hereges pelas corjas que se abraçaram aos poderes deste mundo, de uns poucos que, conhecidos ou não, preocupam-se não com as recompensas que o mundo pode lhes dar, mas em fazer a vontade do Pai.

No Brasil, o Cristianismo perdeu. Mas uma fagulha do verdadeiro Cristianismo está acesa, sob acusações e pedras, e vencerá. Assim como seu Mestre venceu!

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. – João 16:33



               Voltemos ao Evangelho puro e simples,


                             O $how tem que parar!



A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.


FONTE;

estrangeira.wordpress.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

A igreja racista brasileira

Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. – Romanos 2:11

Ontem foi celebrado o Dia da Consciência Negra, repleto de protestos por conta da morte de Beto Freitas, negro, dentro das dependências de uma loja Carrefour em Porto Alegre (RS). A essa, soma-se uma série de denúncias de violência ocorridas nessa rede de hipermercados.

Mas não quero tratar do Carrefour, embora ele seja um sintoma de uma sociedade doente. Quero tratar da igreja racista brasileira.

A igreja racista brasileira, assim como os racistas brasileiros, é dissimulada e não se diz racista, ao contrário! Ela tem até membros “de cor”, dizimistas fiéis, assim como os racistas dissimulados têm seus amigos e conhecidos negros. A proximidade – com reservas e bom espaço, diga-se de passagem – com gente preta traz uma aparência de bom mocismo à igreja racista brasileira, assim como o faz com os racistas brasileiros. E assim, vive-se no Brasil uma falsa sensação de que não há racismo estrutural, apenas episódios esporádicos. E, se não há racismo estrutural, não há mal a ser combatido. E, para a alegria da igreja racista brasileira e dos racistas brasileiros, tudo continua como antes.

Como já dito, racistas costumam estar próximos de gente preta. E até se acham amigos de alguns, o que não os tornaria racistas. Mas em boa parte, esses pretos suportados são subalternos, como a moça da limpeza, o porteiro do prédio, o manobrista do restaurante da moda. Para esses, sorrisos e até alguma boa vontade, afinal são pretos mas são gente muito honesta, a quem até se pode deixar a chave do carro ou tomar um café sem medo. E da mesma forma, a igreja racista brasileira também tem seus pretos subalternos, a líder das senhoras, o líder do louvor, o obreiro que fica na porta.

Mas em casos raros, um preto é alçado a um nível próximo do racista e da igreja racista brasileira. Mas apenas se esse preto deixa de se sentir preto e passa a se sentir branco, a ser um igual. E isso significa também deixar de sentir a dor das gentes pretas das quais ele deixou de pertencer. E assim vemos pretos-não-pretos em altos escalões de igrejas racistas brasileiras, e vemos pretos-não-pretos ao lado de racistas.

Isso me trouxe à lembrança o ótimo “O Último Rei da Escócia”, (aviso de spoiler! Se não assistiu ao filme, pule para o próximo parágrafo) onde um jovem médico branco passa a ser considerado o “macaco branco” do ditador de Uganda.

Mas, se racistas e a igreja racista brasileira vivem de certa forma próximos à gente preta, como reconhecê-los?

A característica maior que une os racistas dissimulados (tanto a igreja quanto os indivíduos) é o desmerecimento de tudo o que diga respeito ao povo preto. O grau de empatia é zero: não querem acreditar que um preto tenha sido seguido no shopping por seguranças por ser preto, e que uma preta não tenha conseguido aquela vaga para a qual tinha o melhor currículo por não ter “boa aparência”. Para os racistas dissimulados, tudo é frescura, é coisa de “nutella”, é “mimimi”. Claro, nunca serão seguidos no shopping, nunca serão considerados menos bonitos, seus cabelos não são considerados “ruins”, suas aparências não trazem suspeitas.

Agora, falando mais especificamente da igreja racista brasileira, como ela não tem empatia pelo povo preto, apenas pelo bolso e mão-de-obra gratuita que esse povo pode lhe proporcionar, seu sofrimento não lhe causa nada. E por isso, a igreja racista brasileira apoia sem a menor dor na consciência falas como as seguintes:

Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco [de um dos filhos se apaixonar por uma mulher negra] e meus filhos foram muito bem educados, e não viveram em ambientes como, lamentavelmente, é o teu”.

“Fui num quilombola (sic) em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava 7 arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem pra procriador ele serve mais”.

“Vem cá, minha sombra!”

“Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso”.

A igreja racista brasileira é a versão light da Ku Klux Klan. Hoje, não queima pretos como sua correlata americana, mas os cala, os intimida, os aprisiona no sistema do “não toqueis no ungido do senhor” e no “pecado de rebeldia”. Demoniza sua cultura, suas crenças, suas danças, sua história. Aos pretos que lhe servem, basta abaixar a cabeça e repetir o mesmo discurso do seu (im)pastor: tudo isso é mimimi e vamos continuar apoiando quem deus colocou lá para abençoar a nação.

Mesmo que às custas de injustiça. Mesmo que às custas da omissão diante das violências verbais, físicas, econômicas e sociais. Mesmo que às custas da falta de empatia. Mesmo que às custas do esfriamento do amor.

O racismo cometido dissimuladamente contra a gente negra é só uma das facetas da igreja racista brasileira. Ela é também omissa e inimiga dos homossexuais, dos miseráveis, dos que se posicionam contra as injustiças, de qualquer um que possa, de alguma forma, ameaçar seu império na terra – pois nos Céus não possui nenhuma morada.

A igreja racista brasileira, ao contrário de Deus, faz e perpetua a acepção de pessoas. Tudo em nome de um projeto de poder político terreno (aliás, a única coisa que lhe é possível).

Mas os injustiçados têm seu lugar junto ao Pai. E ai do clamor de Justiça deles!!!

Não se compraza com a injustiça. Não se omita. Não se acovarde. Os tesouros que os políticos deste mundo podem lhe proporcionar nada são diante daquilo que o Pai preparou para os seus.

Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.