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sábado, 20 de junho de 2020

O evangelho Puro e Simples e as criticas a um governo.

Bolsonaro leva pastores para orar por ele e "contra o coronavírus ...Vendo as ultimas postagens deste blog alguém pode estar se perguntando se ele mudou o foco que é a defesa do Evangelho Puro e Simples de Jesus  e a denuncia contras as heresias pedindo o fim do $how  e se passou a ser um blog que fala de politica agora.

Não!!!!   o blog não mudou, e quem leu e entendeu as postagens verá que o foco continua sendo a proposta de volta ao Evangelho Puro e Simples e pelo fim do $how.

 Então por que  a politica esta presente nestas postagens?

Simples, a politica esta presente nas postagens deste blog por que ela esta presente no meio da chamada igreja, a politica tem se misturado com o evangelho e com isso tirado a sua simplicidade e pureza. Falsos lideres e políticos safados estão fazendo um verdadeiro $how usando o nome de Deus, sua Palavra e o  rebanho.

Ultimamente, infelizmente, muitos ditos cristãos que defendiam a apologética ( a defesa da verdade e pureza do evangelho), se aliaram as falsos profetas e picaretas do dia a dia na defesa de um novo evangelho onde os ensinos de Jesus perderam a relevância mediante a politica. É claro que como evangélicos gostam de espiritualizar tudo espiritualizaram a politica e tentam fazer relação entre textos bíblicos ( descontextualizados) e a politica,  muitos acham que o atual presidente do Brasil é uma escolha divina e que ele é mais que um escolhido, ele é um servo de Deus que foi escolhido por ele para defender a igreja  do comunismo e imoralidade. Nada mais falso, nada mais herético, nada mais fake ( já que fake é uma arma usada pelos apoiadores deste governo).

O fato do presidente  aparentemente orar  ou citar textos bíblicos não faz dele um cristão comprometido com a Palavra de Deus.

Se por um lado o Presidente defende algumas pautas morais que é cara para a igreja que acha que pecado se vence por decreto, ( ele foi esperto ao perceber que defendendo esta pauta atrairia parte do rebanho a seu governo), por outro ele defende outras inadmissíveis por qualquer pessoa que lava os ensino de Jesus a sério.

Em  Prov 20;23 temos o ensino que:  "Pesos diferentes são abomináveis ao Senhor, e balança enganosa não é boa." mas é exatamene o que a igreja faz quando defende determinadas pautas do governo mas fecham os olhos para outras.

Sim,  sabemos que a pratica do aborto é abominação,ninguém tem o direito de dar fim a uma vida preciosa, mesmo que ela ainda seja um feto,  toda a vida é preciosa aos olhos do Senhor, mas ai entra a hipocrisia dos que são contra o aborto mas se calam quando a vida humana é desprezada como por exemplo dos velhos que perderam a direito de se aposentar, que se aposentarão de forma indigna  e que por isso morrerão antes do tempo, os mesmos velhos ( não só eles) que morrem pela Covid 19 ou seus efeitos e que o governo que combate o aborto não faz nada ( muito  pelo contrário) para tentar conter estas mortes, alias alem  de não fazer nada, desdenha dizendo que não é coveiro ou simplesmente ao ser informado sobre milhares de mortos responder com um sádico "E DAI?;

Pesos e medidas enganosos são praticados quando estes mesmos cristãos apoiam o presidente que defende a tortura e a morte e quer armar os cidadãos para que matem. Na minha  infância era comum ver as igrejas fazerem trabalhos evangelísticos em presídios, ou mesmo em áreas onde existiam muitos bandidos,  pois a igreja acreditava que o sangue de Jesus tinha poder de purificar todo pecado e que bandido bom era bandido convertido ao Senhor, já hoje a frase bandido bom é bandido morto esta na boca de muitos cristãos e lideres. Nem vou entrar no mérito sobre a Estado poder punir segundo as escrituras, pois não se trata de defesa legal , trata-se  do sentimento de vingança e ódio exalado por estes cristãos.

Vejo cristão defender o governo pois o mesmo é contra a ideologia do gênero, mas estes mesmos cristãos que combatem o pecado da "homossexualidade" fazem vistas grossas ao divorcio combatido pelas escrituras, ( o presidente esta em seu terceiro casamento), que não dão tanta importância ao adultério ou outros pecados comuns no sei da chamada igreja..

Chamam de e mito um governo que ama a mentira e tem seu governos um gabinete de ódio que espalha fake news (mentiras) e esquecem que a bíblia diz que o pai da mentira é o diabo. 

Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. (João 8:44)



A bíblia é um livro que fala em Justiça e combate as injustiças. basta ler a lei mosaica e ver nela muitos ensinos para defesa do necessitado, do pobre, do orfão, do escravo.... Os profetas viviam denunciando as praticas injustas praticada pelos dirigentes das nações ou pelos sacerdotes. O direito do jornaleiro ( empregados),dos servos, dos órfãos e viúvas, dos pobres... eram constantemente defendidos, no Novo testamente nada difere, mas a igreja de hoje em nome de uma ideologia, ou em nome de uma pessoa que consideram mito desprezam isso,  amor ao dinheiro ( a economia)  que é a raiz de todos os males passou fazer parte da igreja.

Há os que usam o combate a corrupção como meta na defesa deste governo,mas só conseguem ver a corrupção de governos passados, de governos com outras ideologias e fecham os olhos para a corrupção que vem do quintal da família do presidente que não pode ser chamado de corrupto, que em nome da corrupção passada ignoram acham normal não crer na ciências, desdenhar por vidas perdidas em uma pandemia e pregara violência.

Não consigo entender um cristão que é contra a democracia e que defenda a ditadura e ainda defenda isso usando o nome de Deus.

Como defender o evangelho puro e simples e não denunciar a igreja que trocou a adoração a Deus por uma adoração ao mito politico ( vão dizer que não o adoram, que apenas o reverenciam como certas religiões dizem fazer ao serem acusadas de adorar "santos" e são criticadas por estes mesmo).

Ouvi cristão dizer que o Bolsonaro derramou seu sangue pelo povo, que  sacrifica sua vida por nós,  ouvi cristão usar personagens biblios para  compara-los ao presidente, vejo cristãos perder totalmente a racionalidade e de forma fanática defender o mito achando perfeito tudo o que ele fala ou faz, e se recusando a ouvir qualquer criticas como se estas fossem obras malignas...

Sabemos que parte da liderança que apoia este governo o fazem por interesses, querem perdão de dividas, querem favores, querem emissoras de radio e TV, querem cargos a indicados pela igreja, querem privilégios e  mais privilégios e parece que o povo cego não percebe isso.

SIM este blog continua a DEFENDER O EVANGELHO PURO E SIMPLES, suas postagens são  um convite para que a IGREJA lembre-se de onde caiu e Volte a ele. SIM este blog continua a crer  que todo o tipo de $HOW usando o nome de Deus tem que parar.

Cada cidadão, e todo cristão é um cidadão, tem direito de escolher sua ideologia politica, tem o direito de ser liberal ou conservador na economia, tem o direito  de escolher seus representantes, de elogia-los quando for devido e critica-los igualmente, mas não tem direito de manipular textos bíblicos, de dizer o que Jesus não disse, de defender o que Jesus criticava. Nenhum cristão  deveria confiar cegamente em homens, nenhum cristão deveria venerar ( ou adorar mesmo) políticos.... O cristão até pode, como cidadão participar da politica do seu pais, mas quando o fizer não pode fazer isso cegamente e não pode abrir mão de princípios inegociáveis, tanto em relação a Palavra de Deus, quanto em relação a  Democracia. O cristão não pode esquecer que o Estado é laico e que a Biblia é Constituição da Igreja não da Nação.

Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te ( Apocalipse 2:5 )




quinta-feira, 14 de maio de 2020

A "BOLSORRELIGIOSIDADE": A NOVA SEITA BRASILEIRA


Religião é rede simbólica perpassada por memórias, metáforas, ritos e narrativas, cujo sistema interpreta o mundo e a realidade a partir do conjunto de valores e saberes partilhados por determinado grupo. Por vezes, o fiel se sente na obrigação de defender seus dogmas e verdades irredutivelmente, ao mesmo tempo em que precisa proteger seus líderes, dos quais aceitam acriticamente suas informações sagradas. No Brasil, temos testemunhado um tipo novo de fenômeno religioso: a bolsorreligiosidade. Em termos gerais, essa nova expressão de fé tem algumas características: moralismo intolerante, messianismo acrítico, monofonia, sacrificialismo violento, antipatia à ciência, dualismo e verborragia com indícios de pós-verdade.
A Bolsorreligiosidade defende conceitos pouco realistas de família tradicional, o que alimenta intolerância contra a pluralidade e modelos não adequados ao padrão idealizado. Por vezes, tem relações sincréticas com evangélicos fundamentalistas, o que alimenta um moralismo intolerante. É messianicamente acrítica, porque preserva um discurso messiânico tipicamente sebastianista. Bolsonaro é aceito como modelo de salvador, o qual representa a descontinuidade e novidade político-religiosas. O seu messias é blindado pela infalibilidade, o que desenvolve um sistema idólatra. Com pouco espaço para o contraditório, essa expressão religiosa é monofônica. Ou seja, os dogmas da bolsorreligiosidade não abrem espaços para o diálogo ou polifonia. A eliminação inquisitorial é seu modus operandi no trato com as heterodoxias. Consequentemente, tem traços da religiosidade sacrificial-violenta. Como as religiões primitivas, a bolsorreligiosidade tem na linguagem e práticas violentas a proteção de seu sistema de crenças e bens simbólicos. Qualquer ameaça é passível de punição. Por outro lado, nessa expressão de religiosidade o bolso-messias sacrifica-se pelos fiéis, porque é visto como um tipo de servo sofredor.
Comum nas expressões religiosas mais fundamentalistas, costuma relativizar o valor da ciência ou mesmo negá-la. Em sintonia com discursos e mentalidade medievais, essa expressão religiosa repetidamente desqualifica o saber científico. Na bolsorreligiosidade o obscurantismo e a ignorância são tratados como provas de fé e fidelidade. Naturalmente, nessa perspectiva, o mundo deixa de ser social e historicamente complexo, pois é dividido de maneira maniqueísta e dualista: nós x eles, bons x maus, cidadãos de bem x comunistas, fiéis ao Messias x marxistas. E, como estratégia de blindagem de suas contradições e legitimação das incoerências, usam-se expressões verborrágicas perpassadas por tendências comuns da “pós-verdade”: o real e verdadeiro serão sempre modelados pelas crenças do seu líder, mesmo que não haja qualquer fonte legítima ou plausível. Por ser fortemente retórica, as afirmações aceitas pelos seus fiéis não dependem de comprovação, bastam repetir discursivamente suas crenças.
Por essa razão, precisamos, mais do que nunca, preservar no Brasil a inegociável separação entre religião e Estado.

Kenner Terra
Jornal A Gazeta    

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Os religiosos em tempo de pandemia e aquele povo.






   Enquanto o país registra oficialmente mais de 100.000 brasileiros infectados pelo coronavírus (Numero oficial, mas segundo pesquisas  este numero é  de 10 a 15 vezes maior pois nem todos são testados). 

   Enquanto o numero de mortos  pelo novo vírus esta chegando a 10.000 ( certamento quando alguém estiver lendo este texto já serão muito mais). 10.000 mortos testados pois devido a sub notificações o numero também é bem maior.

   Enquanto no mundo  a maioria das nações seguem o isolamento social ( a melhor forma de controlar a contaminação da população e preservar o Sistema de Saúde), e as que estão saindo estão fazendo com todo cuidado após terem cumprido de forma bem mais rigorosa que nós e com mais informações por realizarem  testes em massa da população, no Brasil um grupo de brasileiros seja por não terem noção do perigo desta pandemia, seja pelo amor do dinheiro ( a raiz de todo o mal) que levam a deduzir que CNPJs vivos são mais importante que CPFs ( vidas podem morrer, empresas não), ou seja mesmo para defender o presidente que zomba das vidas humanas com frases tipo gripezinha não mata atletas como ele, que ele não é coveiro ou um simples " E DAI?" perante os mortos, querem o fim do isolamento.

   A Ciências, a Medicina especializada, os números baseados em estudos e experiências mundiais e o bom senso dizem  que o isolamento é sim,  nossa principal arma para protegermos a população do contagio , ou pelo menos que este contagio seja de forma mais lenta de forma que o Sistema de Saúde não colapse, pois muitos doentes ao mesmo tempo significará falta de  leitos hospitalares, falta de UTIs, falta de EPIs, Insumos, respiradores( em falta no mercado) profissionais e treinamentos. Sem atendimento não só os infectados pelo vírus sofrerão, mas qualquer pessoa com qualquer tipo doença ou vitima de acidentes também sofrerão com a esta falta. Isso já  aconteceu em outros países e está ocorrendo em alguns lugares do Brasil.

    Para um isolamento eficaz  fecham-se templos,  cancelam-se reuniões com ajuntamento de pessoas como qualquer outro  ajuntamentos, sejam  esportivos, artísticos, religiosos, culturais... e sem este ajuntamento para o "culto" não tem o momento mais importante para a liderança, a hora dos dízimos, ofertas e sacrifícios. Alem disso com cultos virtuais fica mais fácil das "ovelhas" ouvirem" outros ensinos o que pode tirar o poder que exercem sobre o rebanho e ai esta liderança entra em panico.

   Tal é o panico que muitos são levados a cometerem crimes ( Sim qualquer desobediência  a determinações de poderes é crime alem de ser crime contra a vida quando em plena pandemia tenta-se ajuntar pessoas que alem de correrem riscos de adoecerem tornam-se vetores de transmissão para o resto da sociedade). A convocação postada demonstra bem isso.

   É a religiosidade zombando da vida humana. E quando a religiosidade tem apoio do principal ídolo politico da nação, a coisa fica mais perigosa.  O discurso do presidente inconsequente e irresponsável aliado a liderança de boa parte da Igreja Evangélica Brasileira ajudam esta pandemia prosperar.

   Triste ver um cristianismo sem Cristo, evangélicos sem Evangelho, fé cega e inútil, atos religioso sem AMOR. Triste ver cristãos que não entenderam a resposta de Jesus a mulher samaritana, que o Lugar de adoração não é nos montes nem em Jerusalém e muito menos num templo. Triste ver cristão  que não entende que cultuar a Deus não é  ír a um templo feito por mãos de homens onde Deus disse não habitar ( nada contra se reunir neste lugar quando isso é possível e não coloca vidas em jogo) .

   Quando este pastor, desta grande organização religiosa do país, faz esta convocação ele prova que a religiosidade supera a espiritualidade, que templos precisam serem cheios mesmos que a Igreja esteja vazia pois não conseguem discernir a diferença do templo para a Igreja, da organização religiosa  do organismo vivo que é a Igreja de Jesus Cristo, seu Corpo.

   Espero que as autoridades locais impeçam este loucura, pois se podem liberar aglomeração  para o tal culto, pode para o baile Funk, para as festinhas, para o esporte, para o show, para a macumba...

    A defesa da vida em primeiro lugar, ajuntamentos religiosos neste momento não tem sentido.

    Segue-se um testo de Giovane V Aguiar muito pertinente ao tema, e a referida denominação que convoca para os cultos.




ONDE ESTÁ AQUELE POVO?


(Nota de repúdio às decisões populistas e inconsequentes tomadas pela CGADB nos últimos dias). 
  
   Onde estão os piedosos pastores e missionários, que sentiam a presença de Deus enquanto carpiam roça ou ordenhavam vacas , em seus pobres lotes de terra, nos rincões distantes do Brasil, com templo ou sem templo? Precisam de cultos super produzidos para não "perder a fé"
.

  Onde estão os discípulos de Daniel Berg, que ensinava as técnicas básicas de higiene e salubridade para ribeirinhos de lugares distantes? Viraram reprodutores de vírus! Onde estão os discípulos de Vingren, que agradeceu a Deus por ser dispensado de lutar na guerra? Fazendo "arminha" com as mãos, E isso em nome de Jesus! 


   Onde estão os que prezavam a concórdia entre os irmãos, a "vergonha da cruz", o bom testemunho e o mandamento de “não tentar a Deus”? 

   Onde estão os pastores, que davam "Glória a Deus!" e "Aleluia!", quando eram esfaqueados protegendo as ovelhas? Transformaram-se em pomposos papas renascentistas, que as arrancam até a pele e os ossos!

   Onde estão os crentes, que tanto criticavam a idolatria? Hoje declaram adoração e obediência incondicionais ao Ídolo-mor e anti-Messias da nação.

   Onde está a juventude desta igreja, que por amor a Deus e ao próximo, se propunha a negar as próprias necessidades, preferir o bem dos outros ao bem próprio, viver isolada e perseguida, em determinados ambientes, pelos que seguiam valores mundanos?

   Onde estão as irmãs do Círculo de Oração, que intercediam e abençoavam seus inimigos, que não devolviam ofensas, nunca praguejavam ou falavam palavras chulas (muito menos se o intuito fosse defender políticos!)

   Onde estão as crianças, que aprendiam , na EBD, a história da Estátua de Ouro de Nabucodonosor, sendo ensinadas a agir sempre como os “três rapazes”?

   Estariam muitos daquele povo indo embora para a Babilônia- e cantando cânticos de alegria enquanto o fazem?

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Apoio a Bolsonaro já pesa sobre reputação de evangélicos, diz teólogo






O teólogo e pastor da Igreja Batista de Água Branca (Ibab), em São Paulo, Ed René Kivitz, um dos mais populares religiosos do país, acredita que a associação da fé cristã protestante com o governo Jair Bolsonaro já está pesando sobre a reputação dos evangélicos.
Em entrevista à coluna, o pastor, um dos poucos líderes evangélicos críticos da atual gestão federal e da mistura de religião com política, sustenta que, de acordo com os valores cristãos, a vida humana não pode entrar em conta de custo-benefício, pois a morte que pode ser evitada é inaceitável.
A crítica é direta à postura do presidente no atual contexto da pandemia do coronavírus, quando o político reiteradamente resolveu contrapor-se à ciência e às medidas de combate da doença, como o isolamento social, usando a economia do país como subterfúgio.
Ed René Kivitz destaca que uma pessoa morrer de velhice, ou com uma enfermidade que, apesar dos cuidados da medicina, não foi possível evitar, é lamentável. Já um óbito que poderia ser evitado com cuidados profiláticos e terapêuticos, e se aceita, contabilizando essa morte como o ônus para outros ganhos, contraria o que é o natural do evangelho: ou seja, o acolher, o cuidar do pobre e da viúva, dos desassistidos, dos enfermos. 

“Esse descuido para com a vida humana é incompatível com os valores da fé cristã. Então, uma igreja que dá suporte a essa identidade política se compromete mesmo”, afirma Ed René Kivitz, que faz cultos online para mais de seis mil pessoas durante o período de isolamento social. 
Defensor ferrenho do estado laico, o pastor tem dado palestras pelo país reafirmando o direito dos cristãos de defender seus valores na esfera política, mas não de impô-los à sociedade. 
Na entrevista, o líder religioso fala sobre os riscos que a igreja evangélica brasileira corre ao se associar ao governo Bolsonaro (os evangélicos são hoje uma das suas principais bases de apoio político) no atual momento de crise sanitária, quando o vírus se alastrar pelas camadas mais pobres.
Segundo ele, há um risco duplo. O primeiro é que a comunidade religiosa (os fiéis), em um determinado momento, pode se voltar contra o governo, que a instruiu de maneira inadequada. E o segundo, que mais preocupa o pastor e teólogo, é um conflito de fé como o que ocorreu na Europa pós-guerra, quando as pessoas se perguntavam onde estava Deus enquanto ocorria o holocausto. 

“Porque essas pessoas, elas não estão ignorantes quanto aos riscos do vírus, mas elas estão acreditando que a bênção de Deus sobre elas é suficiente para poupá-las dessa fatalidade, enfim, poupá-las da morte. E aí as pessoas não vão apenas questionar o governo, mas elas vão questionar a própria benção de Deus”, afirma.
Na entrevista, Ed René Kivitz afirma ainda que, no caso do movimento evangélico, o principal dano à imagem tem a ver com reforçar a ideia de que religião e ciência são coisas antagônicas, que não conversam e que se hostilizam mutuamente. “Essa é uma visão muito equivocada da relação religião e ciência, mas fica reforçada num momento como esse”. 
Leia abaixo a primeira parte da entrevista do pastor e teólogo à coluna:
Blog – Os evangélicos hoje são uma das principais bases do presidente, que se apoia contra a ciência, contra aquilo que está sendo feito no mundo inteiro em relação à pandemia. O desgaste político de se aliar não pode pesar às próprias lideranças evangélicas e à igreja em algum momento?

Ed René Kivitz – É, eu acho que vai pesar sim. Na verdade, acho que já está pesando no sentido de comprometer a reputação desse contingente evangélico. À medida em que o governo vai sofrendo avaliação negativa, toda a sua base de apoio sofre também. E no caso do movimento evangélico, o principal dano tem a ver com reforçar a ideia de que religião e ciência são coisas antagônicas, que não conversam e que se hostilizam mutuamente. Essa é uma visão muito equivocada da relação religião e ciência, mas fica reforçada num momento como esse. Reforçar a ideia de que religião é para pessoas ignorantes, que desprezam a importância da educação e do esclarecimento. Já o outro dano eu acho que também é no sentido valorativo, se posso chamar assim, que é associar o evangelho a um governo de índole tão contrária ao respeito à vida humana. Não apenas na questão já sabida das declarações do presidente Bolsonaro quanto à tortura, quanto à violência, toda a ênfase de armamento, de uma ação belicosa, uma cultura bélica e violenta, mas ultimamente também, o desprezo à vida humana, submetendo a vida humana a esse cálculo pragmático de ‘pessoas têm que morrer, paciência, temos que salvar o país e a economia do país… e se as pessoas morrerem, paciência’. Quer dizer, esse descuido para com a vida humana é incompatível com os valores da fé cristã. Então, uma igreja que dá suporte a essa identidade política se compromete mesmo. 
Blog – De que forma, na sua opinião?
Ed René Kivitz – Por exemplo, a vida humana, a morte que pode ser evitada é inaceitável. A gente lamenta a morte quando não foi possível evitar. A gente chama isso de fatalidade. A gente ofereceu todo cuidado disponível, mas não foi possível. Então isso é uma fatalidade e é inerente à finitude humana. Sabe, uma pessoa morrer de velhice, ou com uma enfermidade que, apesar dos cuidados da medicina, não foi possível evitar a morte, a gente lamenta. Mas uma morte que poderia ser evitada com cuidados profiláticos e com cuidados terapêuticos, e a gente aceita e contabiliza essa morte que poderia ser evitada como o ônus para outros ganhos numa a relação de custo-benefício… a vida humana não pode entrar em conta de custo-benefício.
Blog – É possível que a doença avance agora entre as camadas mais pobres, onde estão uma base grande dos evangélicos. Isso não pode revelar ainda mais a contradição desse apoio da igreja ao Bolsonaro? 

Ed René Kivitz  – Acho que tem um risco duplo aí. O primeiro é que a comunidade religiosa, em um determinado momento, vai se voltar contra o governo, que a instruiu de maneira inadequada. Mas o risco maior que eu vejo é o abalo e a crise de fé que isso pode gerar. Porque essas pessoas, elas não estão ignorantes quanto aos riscos do vírus, mas elas estão acreditando que a bênção de Deus sobre elas é suficiente para poupá-las dessa fatalidade, enfim, poupá-las da morte. E aí as pessoas não vão apenas questionar o governo, mas elas vão questionar a própria benção de Deus, o poder de Deus, a existência de Deus. Eu temo que isso gere uma crise de fé muito grande, muito significativa. 

Blog – Qual a dimensão desta crise de fé?
Ed René Kivitz  – Eu acho que pode, pode gerar uma crise de fé, como a que aconteceu na Europa pós-guerra: ‘onde estava Deus enquanto estava acontecendo o holocausto? Onde estava Deus enquanto nossos filhos morriam e os nossos corpos eram empilhados?’. Essa pergunta a respeito do papel e do lugar de Deus no mundo ela vai começar a ser feita com muito mais intensidade, eu acho. 
Blog – Durante mas também no pós-pandemia?

Ed René Kivitz  – Eu acho que sim. O que eu quero dizer é que eu não consigo avaliar qual é o rebote do apoio da comunidade evangélica para com o governo, mas eu temo a ressaca dessa experiência na experiência de fé. É o que me ocupa mais, é o que me preocupa mais.
Blog – Qual será mais fácil de medir?
Ed René Kivitz – Não sei porque a medida do apoio evangélico ao governo vai ser a urna. Tem um critério muito objetivo, mas as crises de fé, e as doenças da alma, e as doenças espirituais ou as sequelas espirituais de uma crise de fé é difícil de você mensurar. Acho que a questão, o desenlace da relação com o governo talvez seja mais fácil de mensurar.


FONTE:   https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/ 

sábado, 18 de abril de 2020

O BRASIL DO JEITO QUE O DIABO QUER

Do jeito que o diabo gosta | Renan Nascimento | Flickr
Que tempos curiosos! Os ministros de Estado não são escolhidos/julgados por sua competência, e sim por ideologias. Prova disto é a vergonhosa atuação do atual ministro da educação, um semi-analfabeto piadista e irresponsável.
Os cristãos abandonam convicções milenares em troca de agenda política. Há católicos que desobedecem aquele que é o infalível Vigário de Cristo (segundo seu Catecismo), para obedecer a um presidente. Jejuam num domingo, violam a quarentena (que é apoiada pelo papa), etc.
As igrejas pentecostais conservadoras, que exigem uma série de passos e mandamentos para que alguém seja salvo (não pode beber, não pode ouvir rock, não pode ter crucifixo, não pode falar palavrão, não pode isso, não pode aquilo). consideram o Sr. Presidente um santo, pelo simples fato de apoiar as hierarquias eclesiásticas. Cresci ouvindo histórias de "crentes" que ficaram endemoninhados por chupar balas de Cosme e Damião. Bolsonaro oferece libação a um ídolo hindu, e continua sendo um santo. Porque só ele pode?
Vários cristãos, que até o fim do ano passado choravam e falavam em línguas nos cultos, dizendo que morreriam por Jesus se necessário fosse, agora tremem de medo da crise econômica que poderia resultar da quarentena. Por isso, com a fúria de pitbulls, mordem e esbravejam, dizendo que quarentena é palhaçada, etc. Cadê a coragem dos "soldados de Cristo"? Cadê a "fé de Abraão"?
O consenso científico é rejeitado. Prefere-se confiar em discípulos de astrólogos, correntes de whatsapp, revelações dos "profetas do Senhor" e médicos aleatórios que surgem em programas de tv ligados a igrejas corruptas e heréticas(que estão em conchavo com o atual governo). Igrejas que tentam manipular a verdade, que espoliam o populacho ignorante com promessas de prosperidade ( contanto que os paguem  primeiro, como diz Gilberto Gil) e curas mirabolantes.
Por causas destes senhores, igrejas e até famílias estão se dividindo. Há um clima de ódio nunca antes visto. Estou certo que muitos matariam os próprios amigos e familiares, se o presidente e os pastores-lacaios mandassem...
O erro não é ter determinada visão política. O erro é colocá-la acima da fé, gerando ódio entre irmãos, violando os princípios da caridade e da honra. Qualquer um que  pensa poder instalar a "vontade de Deus" através de uma agenda política, segue um evangelho maldito e carnal. Colocam um segundo deus ao lado do Senhor. Dividem a sua glória. São rebeldes como Coré, mercenários como Balaão, sincréticos como Jeroboão e traidores como Judas. Que Deus se compadeça de nós, idólatras e homicidas.   




por Giovani V Aguiar.

domingo, 12 de abril de 2020

A fé não imuniza


Os líderes evangélicos precisam assimilar a importância da ciência: já se foi o tempo em que ela rivalizava com a religião

Por Ed René Kivitz* - Atualizado em 10 abr 2020, 11h10 - Publicado em 10 abr 2020, 06h00

Sobram profetas anunciando que o coronavírus é uma praga apocalíptica e a Covid-19, um juízo de Deus contra a maneira irresponsável e predatória como a humanidade vive no universo. Há também quem pregou que um grande jejum comunitário e compartilhado nas redes sociais pudesse ser o remédio contra o problema. Antes de entrar nos pormenores de cada questão, é preciso entender historicamente a longa e complicada relação da religião com a ciência. Associar os fenômenos sociais e naturais a causas espirituais e sobrenaturais é próprio de todo sistema religioso. É importante ressaltar que a religião encara o mundo como um mistério que exige explicação e sabe que não é a ciência que pode revelar o que está oculto por trás do aparente. Essa compreensão da religião, entretanto, abre um fosso de distanciamento que coloca a fé e as crenças de um lado e a razão e a ciência no extremo oposto. Um abismo perigoso e que não precisa ser tão profundo.
Em sua obra As Formas Elementares da Vida Religiosa, o sociólogo francês Émile Durkheim esclarece que a religião se ocupa da “ordem de coisas que ultrapassa o alcance de nosso entendimento, o sobrenatural, o mundo do mistério, do incompreensível. A religião seria, portanto, uma espécie de especulação sobre tudo o que escapa à ciência e, de maneira mais geral, ao pensamento claro”.
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Explicar a ordem do universo natural a partir dos mistérios da sobrenaturalidade pode fazer alguma diferença em contexto de baixo desenvolvimento científico. Houve um tempo no qual as rupturas da ordem natural — períodos de seca quando se esperava chuva ou chuvas torrenciais fora do padrão, colheita escassa frustrando a expectativa de fartura, ou ter de lidar com pragas e pestes que destruíam os campos e as sociedades — podiam ser explicadas como ação dos deuses, ou mesmo de Deus, descarregando sua ira sobre o mundo. A mentalidade religiosa perdeu lugar à medida que o conhecimento científico foi domesticando a natureza. Para uma boa safra é melhor se fiar na tecnologia agrícola que no humor dos deuses. Contra pestes e pragas, Albert Sabin (que desenvolveu a vacina contra a poliomielite) e Alexander Fleming (descobridor da penicilina) ajudaram mais que rezas e quebrantos.
A noção de que a religião trata do que escapa à lógica racional e científica e explica aquilo de que a inteligência humana não dá conta sugere outro abismo perigoso — aquele que separa o racional do irracional. O passo seguinte é a condenação da religião como superstição de gente ignorante. Em termos simples, quanto mais ciência, menos religião; quanto mais esclarecimento, menos necessidade de fé; quanto mais iluminado ou ilustrado o mundo, menos supersticioso ele é, em tese.
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Os profetas contemporâneos e os pastores que insistem em negar a voz da ciência em nome da fé prestam, portanto, grande desserviço à sua crença. Comprometidas em resguardar o papel da religião num mundo que o teórico social Max Weber chamou de desencantado, onde Deus é tido como hipótese desnecessária, as lideranças religiosas que pretendem combater o vírus com vigílias, orações e jejuns conseguem apenas reforçar a noção secular de que a experiência religiosa é mesmo para incultos e fanáticos.
“A necropolítica encontra em líderes religiosos de caráter duvidoso, ou mal esclarecidos, sua face mais nefasta”
Pastores que, apesar de todas as recomendações e orientações das autoridades competentes, insistem em manter seus templos abertos e dar continuidade a seus eventos e cultos expressam não apenas ignorância, como também atuam de maneira irresponsável e cruel, expondo seus fiéis e a própria sociedade à disseminação de um vírus que já se provou letal. A necropolítica encontra em líderes religiosos de caráter duvidoso, ou mal esclarecidos, sua face mais nefasta, pois é promovida em nome de Deus, em franca oposição às palavras de Jesus, que dizia: “Eu vim para que tenham vida”.
Paralelo parecido pode ser feito quando o assunto é a convocação para um jejum nacional no Brasil, ideia admirada por uns, rechaçada por tantos outros. Aos que desconhecem o hábito, tal convocação encontra contexto na Israel bíblica, quando um rei, que governava em um Estado teocrático e sob a autoridade religiosa dos sacerdotes, usava o período de abstinência de alimentos e de sacrifícios para apresentar a Deus seu arrependimento, livrando o povo, assim, de seu juízo. Falta a muitos religiosos, porém, um olhar atual sobre hábitos específicos do período registrado no Antigo Testamento da Bíblia. O Brasil não é um Estado teocrático, é um Estado democrático de direito. O Brasil não tem rei sob autoridade religiosa, mas um presidente eleito democraticamente, que governa sob a autoridade do pacto social expresso na Constituição. Como já dito, o flagelo que abate o Brasil e o mundo não é juízo de Deus contra a idolatria de seu povo. No Novo Testamento, o hábito do jejum foi ressignificado por Jesus como um ato de devoção íntima e pessoal, praticado no anonimato, e não com publicações nas redes sociais. Como diz o texto bíblico, o Pai (Deus), ao ver a oração íntima, recompensa aos seus — enquanto quem se vangloria de sua religiosidade busca somente o aplauso de homens. Reforço aqui: o caminho para a superação da pandemia passa pela submissão à autoridade da ciência e pelo rigor na observação das orientações e recomendações dos profissionais da saúde.
A cisão entre fé e ciência reflete mais ignorância que piedade. Atender às recomendações das autoridades governamentais, notadamente aquelas orientadas pelos profissionais da saúde, os especialistas e infectologistas, é uma expressão de sensatez e também uma forma de honrar a Deus. Pois, como bem disse Louis Pasteur, “um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”.
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A religião não rivaliza com a ciência: assim como a fé não imuniza, também não existe vacina contra o preconceito, o egoísmo e a crueldade. Se é verdade, e assim creio, que o coronavírus deve ser enfrentado com boa medicina, e a superação da Covid-19 será inclusive uma conquista da ciência, também é verdadeiro que os suplementos de empatia, solidariedade, compaixão e misericórdia, necessários e heroicamente demonstrados por todos aqueles que se expõem ao risco para prover cuidado aos enfermos e vulneráveis, são qualidades que se encontram no coração dos que creem (ou intuem) que a vida descansa nos mistérios e virtudes do espírito humano e do Espírito divino. Assim é a fé saudável: não se fabrica em laboratórios nem se compra em farmácias.

Ed René Kivitz:

* Ed René Kivitz, teólogo, é mestre em ciências da religião e pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo
Publicado em VEJA de 15 de abril de 2020, edição nº 2682