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domingo, 10 de junho de 2018

O $how tem que parar na Convenção G12 Brasil 20

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IMG_20180609_124857416Ontem o MEEB esteve em São Bernardo do Campo (SP), na Convenção G12 Brasil 2018. A princípio ficamos bem na entrada, mas os seguranças educadamente nos pediram para sairmos do local, afinal ele estava “reservado”, ou seja, alugado, para o evento. Concordamos sem pestanejar e nos posicionamos na calçada, em frente a uma das entradas do estacionamento.
Estendemos nossa faixa e logo os organizadores se incomodaram, vindo falar conosco. Isso é muito bom, pois os profetas do Antigo Testamento não eram adorados, não tinham total aceitação, pois traziam na maioria das vezes palavras duras, aquelas que o grande amor de Deus lhes dava para trazer o povo de Israel de volta ao prumo. E as palavras que nossa faixa traziam eram apenas:
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
Para um cristão sincero, que crê em Cristo e segue Seus ensinamentos, esses dizeres não têm nada de mais. Ao contrário, trazem grandes verdades num tempo em que a Igreja Brasileira está se contaminando com o mundo, assumindo seus valores perversos, buscando primeiro as bênçãos materiais do que as do céu, idolatrando líderes e artistas gospel, levando políticos corruptos para profanar os púlpitos, num tempo em que se esqueceu que Deus não faz acepção de pessoas e que se dá os melhores lugares nas igrejas para os maiores dizimistas e ofertantes. Para um cristão verdadeiro, as palavras da faixa fazem todo o sentido, afinal um cristão verdadeiro não se sente ameaçado por elas.
Mas os cristãos puramente nominais, dos quais muitas igrejas estão cheias, esses se revoltam com essas palavras, pois elas são como flechas que atingem diretamente suas verdadeiras convicções diante do Evangelho.
E não foi diferente na Convenção G12. Os organizadores e seguranças vieram nos interpelar, queriam saber o que estávamos fazendo ali, por que estávamos estendendo aquela faixa, por que não estávamos evangelizando os ímpios. O incômodo diante da nossa presença era gigantesco. Um péssimo sinal, em se tratando de um evento que se diz cristão.
Mas enfim, continuamos no local e presenciamos muitos, mas muitos cristãos sinceros. Pessoas que realmente entregaram suas vidas a Cristo, e que seguiam as ordens do G12 porque esse foi o Evangelho que lhes fora ensinado. Muitos pegaram nossos folhetos, muitos fizeram perguntas, e muitos se incomodaram como os organizadores e seguranças. Enfim, bendito seja o Nome do Senhor!!!
g12algodaoUm fato, para nós muito triste, chegou ao nosso conhecimento. Um rapaz que vendia algodão doce veio falar conosco. Revelou que, ao saber do que tratava o evento, sentiu muita vontade de entrar e assistir ao “culto”. Porém, ao chegar na entrada, houve o seguinte diálogo:
_ Eu gostaria de entrar para assistir ao culto.
_ São R$ 80,00.
_ Não, eu não quero entrar para vender aí dentro, quero só assistir ao culto!
_ A entrada é R$ 80,00.
Esse valor, segundo o rapaz nos revelou, é o lucro de dois dias de seu trabalho. Por suas necessidades e por não crer que o que de graça receberam, pagando devem dar, o rapaz decidiu continuar do lado de fora. E ficou conversando conosco por um longo tempo. Deus não deixa quem Lhe busca sem resposta.
É bom deixar claro que sabemos que um evento de grande porte tem seus custos. E que esses custos devem ser pagos pelos membros da igreja. Assim, se um local é alugado, é justo que todos os que têm condições colaborem. Todos os que têm condições.
Jesus, o Cristo, pregava majoritariamente entre os pobres e marginalizados. Por isso, pregava em áreas livres, montes, à beira da praia. O Cristianismo nunca precisou de luxos e confortos para que sua mensagem fosse propagada. Na Idade Média, quando o catolicismo se tornou a religião oficial em grande parte da Europa, é que começamos a ver os “luxos”, templos magníficos com maravilhosos vitrais, desenhos e esculturas, arquitetura gótica, isso e aquilo, porém com uma mensagem apenas para os pouquíssimos que entendiam latim. Hoje, temos o Evangelho em nossa própria língua, porém herdamos o gosto pelo luxo e buscamos igrejas com cadeiras almofadadas, ar condicionado, estacionamento privativo, templos suntuosos e tudo o mais que possa mostrar aos outros o quanto nossa congregação é “abençoada”, já que, atualmente, a medida da bênção não são os frutos do Espírito, mas o saldo na conta bancária.
E por isso eventos como a Convenção G12 Brasil precisam cobrar, e caro, para dar aquilo que de graça Jesus nos ensinou. Custa caro manter a estrutura de “apóstolos” (?). Custa caro pagar a mensalidade da cobertura espiritual em forma de pirâmide, até chegar no dono da franquia, quero dizer, da metodologia G12, o sr. Castellanos. Custa caro manter aparência de prosperidade, enquanto os membros de muitas igrejas necessitam de auxílio financeiro e só dependem da infinita misericórdia de Deus.
Outro fato muito triste foi quando fomos entregar um folheto a um senhor que lia a faixa. Ele nos perguntou o que estávamos pregando, e lhe informamos que queríamos levar a Igreja à reflexão sobre algumas situações que a irmanavam com o mundo, como  o fato de algumas dependerem de políticos, levando-os para macular os púlpitos. Nessa hora, com raiva, o senhor devolveu o folheto. No mínimo, era um político ou um líder religioso com grande interesse em políticos.
Jesus aprova tudo isso?
Saímos do evento tristes, pela situação de boa parte da Igreja Brasileira, e felizes, pois enquanto nossas faixas incomodarem é sinal que Deus ainda tem amor e misericórdia para conosco e ainda não derramou sobre nós o cálice da Sua ira. Enquanto o chamado ao Evangelho incomodar, é sinal que há espaço para reflexão e arrependimento, e que ainda há esperança para nós.
Especificamente sobre a metodologia G12, sobre “a visão”, existem vários artigos na internet. Por exemplo: O que está por trás do G12.
Na Igreja Primitiva ninguém se reunia em grupos de 12. Reuniam-se em grupos de quantos fossem alcançados. A liderança não era para todos, mas apenas para os capacitados espiritualmente. A ênfase era a pregação do Evangelho, e o levantamento de recursos servia para prover os cristãos e igrejas em necessidade, não para custear os luxos dos líderes. O título de Apóstolo desapareceu após a morte dos doze, e durante séculos e séculos e séculos nem a Igreja Católica ousou se apossar desse título. Porém, poucas décadas atrás tiveram a lucrativa ideia de ressuscitar esse título, para tornar líderes gananciosos com a falsa impressão de mais poder espiritual perante os demais.
Cristo nos ensinou que quem quer ser o maior precisa servir o menor. No Evangelho dos novos tempos, o maior tem que ser maior ainda, com título mais grandioso, mais pompa e mais circunstância. O quanto estamos distantes do verdadeiro Evangelho!!!
Que Deus abre os olhos dos sinceros. Que Deus tenha misericórdia de nós.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.


pedrasclamam.wordpress.com

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Marcha para Jesus em São Paulo: uns confiam em políticos, poucos confiam em Deus


marchapolitica
Foto: Facebook Marcha para Jesus
Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus. – Salmos 20:7
Estivemos em mais uma edição da Marcha para Jesus em São Paulo, igual a todas as outras, dispensando por isso descrição. Mas um item obteve destaque: o gigantesco enfoque político dado nessa edição.
E não é por menos. Estamos em ano eleitoral, com eleições para Presidente, Governador, Senado e Câmara dos Deputados. O Brasil passa de crise em crise: a última, a greve dos caminhoneiros que desabasteceu o mercado interno; antes, a troca de votos favoráveis ao atual Governo por verbas através de emendas parlamentares; antes ainda, o impeachment da Governante anterior, sem falar na Lava-Jato, Petrobras e cia.
marchasp4Essa eleição é muito importante não apenas porque o Brasil necessita de um governante que consiga colocar o gigantesco trem nos trilhos, mas também porque manter um mandato pode salvar muitos políticos citados na Lava-Jato de cair nas mãos do Judiciário. Com um mandato eletivo, podem ir protelando a título de foro privilegiado.
Assim, mais do que nunca boa parte dos políticos precisa se manter no poder. E outros mais querem também experimentar a boquinha.
Entendido isso, é compreensível o grande assédio dos políticos ao povo evangélico. Os evangélicos, em sua maioria, são dóceis e cegamente obedientes aos seus líderes. Existe uma lenda de “pecado de rebeldia”, que supostamente afeta quem deixa de obedecer a uma ordem do seu (im)pastor. Se isso ocorre, diz a lenda, o fiel rebelde é castigado com maldições sem fim. E como “seguro morreu de velho”, muitos evangélicos não ousam se voltar contra essa falácia gospel.
Se boa parte dos evangélicos obedece cegamente a seus líderes, o caminho mais fácil para lhes conquistar o voto é através da liderança. Mas os (im)pastores e apóstolos (?) não são fáceis de convencer: precisam muitas vezes de um “agrado gospel”, de uma demonstração física e concreta da boa vontade do político, afinal “quem quer rir tem que fazer rir”.

E aí entra a visita, hoje, do Presidente Temer a uma Assembleia de Deus, e também a Marcha para Jesus nesta mesma data, que teve a participação especial dos “presidenciáveis” Bolsonaro e Flávio Rocha, além do candidato ao Governo de São Paulo João Dória. Também apareceram na Marcha o atual prefeito Bruno Covas, o atual governador Márcio França, além dos candidatos a deputado e coisa e tal, e nessa lista destaco o Marcelo Aguiar, deputado da Igreja Renascer que contou com um trio-elétrico próprio, com sua foto em tamanho gigante e tudo (a propaganda é a alma da chuva de votos).
É muito triste ver igrejas que deveriam defender o Sagrado, mas preferem uni-lo ao Profano. É muito triste ver o nome de Jesus como uma marca, sendo que os trios estampavam personalidades gospel, não o verdadeiro Rei da Glória. É muito triste ver a manipulação clara daquela multidão ávida por Cristo, mas que é vendida em troca de sabe-se lá o que (e talvez uma Lava-Jato gospel da vida venha a revelar). É muito triste que ao invés de almas sedentas por Salvação, quem está em cima e no conforto dos trios-elétricos só enxergue votos ambulantes.
Tempos atrás líderes evangélicos mandaram votar no Eduardo Cunha e oraram pelo Temer. Agora “deus” está dando outro direcionamento, até que o eleito pelas “emprejas” caia em desgraça e o apoio seja esquecido, e a “empreja” escolha um novo candidato para se perpetuar ao lado do poder.
Você sinceramente acha que Deus se agrada de que usem Seu Santo Nome nessas negociatas baixas?
Uns confiam em carros, outros em cavalos, outros em políticos, mas os verdadeiros cristãos confiam em Deus, não necessitando vender apoio para esse ou aquele.
Em quem você confia?
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.
marchasp3marchasp2marchasp1
Por:Vera Siqueira

https://estrangeira.wordpress.com/

sábado, 26 de maio de 2018

Dia 31 de maio estaremos na Marcha POLÍTICA para Jesus em São Paulo


aad3Não, você não leu errado: Marcha POLÍTICA para Jesus em São Paulo, evento patenteado e organizado pelos líderes da Igreja Evangélica Renascer em Cristo, do Apóstolo (?) Estevam Hernandes e sua esposa Bispa (?) Sônia Hernandes. E provaremos, neste artigo, que de Jesus essa marcha só tem o nome (pois os objetivos são POLÍTICOS).
Voltemos um ano no tempo. Feriado católico de Corpus Christi, tendo como evento de maior proeminência a Marcha para Jesus. Em todas as edições, essa Marcha tem participações especiais de grandes autoridades, como o Governador do Estado, o Prefeito e Vereadores e Deputados aliados aos líderes “apostólicos”. Porém, na edição de 2017, por conta do forte rebuliço em torno de denúncias de corrupção por autoridades, Geraldo Alckmin e João Dória não compareceram (sendo o governador citado na delação da Odebrecht com a alcunha de “santo”, fato que está, ou estava, sendo investigado).
14jul2012---marcha-para-jesus-realizada-em-sao-paulo-1342291590213_956x500O Apóstolo (?) Estevam Hernandes ficou chateadinho com a ausência das maiores autoridades do Estado em SUA marcha. Conforme noticiado no jornal Folha de São Paulo, o Apóstolo (?) Hernandes disse que o Governador Alckmin não julgava a Marcha importante, pois se a julgasse estaria lá. Disse também que não entendia porque o Governador não tinha ido. Que dó. Mas sobre o Prefeito João Dória, disse entender que ele tinha viajado para o exterior.
[um adendo: recomendo muitíssimo que você leia a íntegra da reportagem da Folha clicando aqui – abrirá em outra janela]
Esforçando-me para ter toda a empatia possível, entendo a decepção do Apóstolo (?). É muito triste fazer um grande evento e a pessoa mais importante não estar lá. E nem estou falando de Jesus, pois esse só dá nome ao evento, é apenas marketing. Estou falando mesmo é da ausência do Governador do Estado de São Paulo, já que a Marcha tem conotação POLÍTICA.
marchaMat1-eEnfim, o Apóstolo (?) ficou “de mal” com o Governador. Mas um precisa do outro. O Apóstolo (?) precisa do Governador para viabilizar seus sonhos de grandeza e poder para si e sua denominação religiosa, e o Governador precisa de cada voto dos milhares de seguidores e fiéis do Apóstolo (?). Uma mão lava a outra e juntas enxugam o rosto.
Assim, esse “mal-estar” político-religioso precisava se resolver logo. Apenas “pedir desculpas” não ajudaria muito, pois o Apóstolo (?) sentiu a ausência do Governador em SUA marcha como uma grande desfeita. Imaginem como o Apóstolo (?) ficou em relação a outros líderes estelionatários gospel! O que devem ter rido dele pelas costas…
Para desfazer o “mal-estar”, o Governador teve que presentear o Apóstolo (?). E, conhecendo-o, escolheu um presente que serviu direitinho – para o seu grande ego gospel. No dia 16 de outubro de 2017, cerca de 4 meses após sua ausência na Marcha, promulgou a Lei 16.547, que institui o dia 12 de Março como o Dia da Igreja Renascer em Cristo (lembrando que esse projeto de lei estava parado desde 2016).
[outro adendo: tão bom saber que o Estado de São Paulo está em ótima situação, a ponto do Governador perder tempo promulgando essa tão importante data comemorativa!]
600-doria-renascerComo neste ano teremos eleições (e Alckmin concorre a Presidente ou mesmo ao Senado), alguém duvida que, desta vez, ele aparecerá na Marcha? E não só ele, mas também o candidato ao Governo do Estado João Dória, e todos os demais que queiram uma parte dos votos dos marchadores (candidatos a deputados, senadores, presidente – talvez o candidato da IURD Flávio Rocha –  e o que mais for)?
O Apóstolo (?) Estevam Hernandes deu seu recado na última Marcha: fica magoadinho com político que não o apoia abertamente, desfilando seu ar da graça nos trios-elétricos ou no palco do show da Marcha para Jesus. Atitude que revela toda a santidade, espiritualidade e dependência de Deus que percorre os bastidores desse evento dito – apenas dito – cristão.
Nem vou falar da questão do comércio que ronda o evento, que é gratuito mas arrecada com a venda de camisetas oficiais e tem patrocínio governamental em forma de verbas do orçamento de São Paulo. Também não vou novamente citar o comércio dos shows, na forma de cachês para as atrações, para os artistas gospel. Isso tudo já foi dito em outros artigos neste blog. No final deste artigo, deixaremos alguns links caso você tenha estômago, pois é muito triste ver no que se tornou muitas igrejas nos dias de hoje.
Mas fica a dica: se Jesus não for à Marcha não tem problema, afinal para muitos Ele é apenas uma ideia que dá muito dinheiro. O importante é que os políticos estejam lá.
043Em nossa infinita insignificância, estaremos na Marcha POLÍTICA para Jesus no dia 31 de maio, em São Paulo. Estaremos carregando faixas com dizeres bíblicos, buscando em Deus que o Espírito Santo leve alguns que as lerem a refletir sobre o que é o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo. Em Marchas anteriores já fomos chamados de fariseus pela multidão, já jogaram objetos em nós, já roubaram nossas faixas para que o público não as lesse, já tentaram encobrir as faixas formando uma parede de brutamontes na nossa frente e na última passaram os carros alegóricos com líderes gospel e políticos no outro lado da rua, para que seus ocupantes não se escandalizassem ao ler os versículos bíblicos que portávamos. Ainda assim, estaremos lá novamente, pois o que nos move é o amor a Deus e à Sua Palavra e o amor aos sinceros que lá estão e são enganados em nome do “Gizuiz” que muitos lobos pregam.
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Nos tempos bíblicos, Deus levantou “coisas loucas” para se opor aos sacerdotes que distorciam Sua Palavra. Cadê as “coisas loucas” do nosso tempo, deste tempo em que a apostasia está se espalhando em muitas igrejas em grande velocidade?
Haverá “coisas loucas” para confundir as que pensam que são alguma coisa no dia 31/05, às 10 horas em frente ao posto de gasolina na saída da estação Armênia do Metrô. Quantas, só Deus sabe, lembrando que nosso Deus, em Sua Superioridade, não trabalha com grandes números, mas com o necessário para que se saiba que não é por nossa força e poder, mas pela força e poder que vem do Alto.
marcha3
A Igreja de Cristo não precisa de carros, de cavalos, de governadores, presidentes, prefeitos, deputados, senadores e vereadores. A Igreja de Cristo precisa apenas de Cristo.

                                   Voltemos ao Evangelho puro e simples,
                                   O
$how tem que parar!
fontes:
www.pedrasclamam.com
www.estrangeira.wordpress.com

sábado, 19 de maio de 2018

O Evangelho não é um Show

showgospel
“São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes.
Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um.
Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo;
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;
Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez.
Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.” –
2 Coríntios 11:23-28
Este relato do Apóstolo (de verdade) Paulo sobre sua vivência na pregação do Evangelho de Cristo. Pouco se sabe sobre sua vida como Saulo de Tarso, antes do encontro com Jesus no caminho para Damasco, mas com certeza sua vida era relativamente próspera, uma vez que coordenava a perseguição aos cristãos.
Porém, ao se converter ao Cristianismo sua vida se transtornou: ficou cego por alguns dias e passou por muitas dificuldades, algumas delas elencadas no relato em 2 Coríntios 11. Trabalhava tecendo tendas para ajudar a se manter. Culminou com uma morte desonrosa, como réu em Roma, por decapitação.
Assim como ocorreu com o Apóstolo (de verdade) Paulo, ocorreu (com diferentes intensidades) com os demais apóstolos e com os cristãos convertidos. Viveram, por séculos, perseguições, torturas e mortes horríveis. Foram considerados párias pela sociedade. Foram achados perigosos para os governantes e demais religiosos.
Por séculos, ser cristão não era sinônimo de festa. Era sinônimo de renúncia, de contrição, de arrependimento, de santidade. Era sinônimo de inimigo do mundo e dos seus prazeres. Era sinônimo de amor ao próximo e resistência ao inimigo.
Mas os tempos mudaram. E os conceitos e valores também.
Hoje ninguém (a não ser que viva na China, na Coreia do Norte ou em países de maioria muçulmana) precisa esconder que é cristão. Ao contrário, em alguns países, como no nosso, é algo aparentemente natural. Num primeiro momento, podemos achar que o sangue de tantos mártires por tantos séculos frutificou, pois o Evangelho chegou até nós e outras nações do mundo.
Mas algo está errado: o Evangelho que professamos é diferente daquele dos primeiros cristãos. É diferente do Evangelho ensinado por Jesus Cristo.
Hoje vivemos o Evangelho do Show.
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Show bom é show que lota e que tem grande arrecadação na bilheteria. É show que traz os artistas mais famosos e mais idolatrados. É show que nos faz esquecer momentaneamente dos problemas e que nos leva, nas suas horas de duração, a um êxtase. Show bom satisfaz nossos sentidos mais primitivos.
O futebol é um exemplo de show bom. Espetáculos musicais também, além dos comícios eleitorais. E agora temos as pregações show, os shows gospel e as Marchas para Jesus. E todos eles trazem os mesmos elementos do sucesso.
Por que cristãos se submeteram, como cordeiros, a torturas e mortes horríveis durante séculos? Por que vemos cristãos preferindo entregar suas vidas no Iraque e na Nigéria a terem que negar a Cristo?
Porque eles se converteram ao Evangelho de Cristo, ao Evangelho da Cruz.
O Evangelho da Cruz prega que o maior precisa servir ao menor. Prega que devemos oferecer a outra face a quem nos agride. Preconiza que devemos amar e abençoar aos nossos inimigos. Ensina que o Reino de Deus está nos céus, não nessa nossa vida curta e provisória.
Quem se converte ao Evangelho da Cruz sabe desde o início que passará por tribulações e que terá que renunciar aos favores deste mundo. Sabe que não tem merecimento nenhum, e que por isso o “morrer é lucro”. Sabe que carece do amor e da infinita misericórdia de Deus, Daquele que criou os céus e a terra e tudo o que há, Daquele que provê nas dificuldades mas que, se não prover, ainda assim continua sendo Soberano sobre todas as coisas.
O cristão do Evangelho da Cruz busca a Salvação de sua alma.
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O Evangelho do Show prega que o cristão nasceu para dominar a tudo e a todos. Prega que somos filhos do Rei, cabeça e não cauda, dignos de todas as promessas dadas ao povo hebreu, porém isentos de todas as maldições recebidas por esse mesmo povo. Preconiza que os nossos inimigos ficarão debaixo dos nosso pés e que cairão ao nosso lado sem dó nem piedade, afinal estão mexendo com os filhos do Rei. Ensina que Deus não apenas nos provê na hora da dificuldade, como tem a obrigação de nos prosperar infinitamente, afinal somos fiéis na entrega dos dízimos e ofertas, que têm o poder de direcionar a vontade Soberana (pero no mucho) de Deus a nosso favor.
O cristão do Evangelho do Show busca a recompensa ainda nessa vida, já que o pós morte parece muito distante.
Quando enfrentarmos uma verdadeira perseguição no Brasil (verdadeira, com risco de torturas e morte, não falsas perseguições como as alegadas por [im]pastores que cometem falhas e as têm expostas), muitos dos cristãos convertidos no Evangelho do Show negarão a Jesus e apostatarão da fé. Afinal, não foi isso o que lhes foi prometido naquela pregação show, naquele show gospel ou naquela Marcha para Jesus. O combinado foi que Jesus os faria ricos, famosos, com sucesso profissional e tudo o mais. Foi-lhes prometido que teriam muitos amigos na igreja, muitos eventos ministeriais para se divertir de forma saudável, um presidente ou deputado amigo da igreja que o ajudou a se eleger, enfim, o Paraíso na terra. O cristão do Evangelho do Show não foi preparado para a perseguição.
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Eventos gospel show como os citados e muitos outros têm o poder de inchar as igrejas. Atraem as pessoas pelo espetáculo, pelo show, pelas promessas aqui e agora, pelas benesses que o fiel pode usufruir ao fazer parte do “clube”. Como todo o mundo almeja essas coisas, é muito fácil oferecer esse Evangelho.
Mas o Evangelho do Show é FALSO.
O verdadeiro Evangelho, o da Cruz, não aumenta a autoestima de ninguém. Ao contrário, nos faz perceber o quanto somos pecados e indignos de Cristo. Mas, ainda assim, nos mostra o Deus amoroso que, apesar de nós, ainda assim sacrificou Seu Próprio Filho em nosso favor. Porém, se quisermos seguir a Cristo, teremos que andar nos Seus mesmos passos, e isso implica em também carregarmos nossa cruz, nosso instrumento de morte, o instrumento que mata, dia após dia, meu Eu orgulhoso, egoísta, avarento, maldoso, pecaminoso. E qual morto tem interesse em desfrutar de um mundo do qual não pertence mais?
“Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra.
Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti;
Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.
Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e neles sou glorificado.
E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.
Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.
Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.
Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim;
Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.
E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.
Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.
Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim.
E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.” – João 17:6-26
Seja por ignorância, seja por maucaratismo, muitos têm pregado o Evangelho do Show e feito acreditar que são instrumentos de Deus para a salvação de muitos. Não é a toa que, embora Jesus Cristo esteja às portas (visto as profecias em toda a bíblia, especialmente em Apocalipse e Daniel), ainda assim não vemos, em muitas igrejas, pregações sobre o tempo do Fim. Afinal, se o Fim ocorrer hoje, como fica quem creu no Evangelho do Show?
“Mas o que eu faço o farei, para cortar ocasião aos que buscam ocasião, a fim de que, naquilo em que se gloriam, sejam achados assim como nós.
Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.
E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.
Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” – 2 Coríntios 11:12-15
Vivemos tempos de missões. Não apenas missões em países fechados ao Evangelho, mas também onde o Evangelho do Show e suas vertentes, como a Teologia da Prosperidade, imperam. Infelizmente, temos que re-evangelizar muitos evangélicos.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
Que Deus abra os olhos do Seu povo.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.
precisamos de uma igreja

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Marcha para políticos ou para Jesus?

Não aceitarei os vossos holocaustos e sacrifícios de gratidão. Nem sequer olharei para os vossos sacrifícios de paz.
Calem antes os vossos hinos de louvor – não passam de mero barulho aos meus ouvidos. Não escutarei a vossa música, por muito bonita que possa ser.
O que eu quero ver é antes a justiça correndo como o poderoso caudal de um rio – como uma torrente abundante de boas obras. – Amós 5:21-24 Edição O Livro


Começamos neste mês em todo o Brasil o evento intitulado Marcha para Jesus, evento esse que é referido por seus fundadores como “o maior evento gospel do mundo”. Um evento que é uma marca registrada da Igreja Renascer em Cristo, e devido a isso, para que esse evento possa ocorrer em qualquer parte do território nacional é preciso que se pague para se utilizar a marca. Por essa razão, em muitos locais o evento ocorre com outros títulos, por exemplo Marcha da Família.
Em decorrência dos fatos ocorridos com os líderes da Igreja Renascer, muitas igrejas e suas lideranças deixaram de participar do evento, fazendo com que a Marcha se tornasse um evento de uma só bandeira, exigindo da liderança acordos e conchavos para a execução do mesmo.
Em São Paulo capital, esses conchavos fizeram com que o evento se tornasse, além de religioso, também um evento político. Isso é facilmente percebível diante das inúmeras reuniões, cafés, cultos com a participação de candidato A, B ou C. Sem contar que são nesses eventos que se apresentam candidatos, partidos, fazem-se orações, profecias em torno desses candidatos e partidos.
Isso foi amplamente visto, por exemplo, pela ampla defesa de Eduardo Cunha em pleno palco do evento no Rio de Janeiro.
E por que deste artigo?
Porque lamentavelmente, ano após ano, nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) temos denunciado neste e em outros blogs as verdades por trás desse evento que ora tem um título religioso, porém sua essência ultrapassa os limites do Sagrado e do Profano.
Por que esse evento desperta tamanho interesse por parte dos políticos e seus partidos?
  1. Já faz anos que o Ministério Público proíbe o uso de showmícios promovidos por políticos e partidos (Lei 9.504/97).
  2. É proibido pedir votos em templos religiosos segundo o MP (Folha Web).
Diante disso, eventos como a Marcha para Jesus se tornaram um grande trunfo, já que por ser “religioso” pode atrair as grandes massas, podendo ser uma ferramenta de marketing comercial, político ou não.
Se um referido político se diz participante ou simpatizante de determinada instituição religiosa, quem poderá impedi-lo de participar ou “abençoar” ou “ser abençoado” no evento?
Com isso, políticos se tornaram figuras fáceis no alto dos trios-elétricos e nos palcos do evento.
Outro ponto que preciso destacar é que igrejas como a Universal do Reino de Deus, a Mundial, Renascer, AD Vitória em Cristo e outras fazem, através de seus líderes, uma aberta campanha e projetos em prol da conquista do poder e dos espaços públicos. Para isso, defendem abertamente seus candidatos e seus partidos.
Por exemplo, a Universal encabeça um partido onde lança seus candidatos diretamente vinculados aos propósitos e objetivos da igreja; Silas Malafaia, no Rio de Janeiro, não esconde de ninguém seus candidatos e usa os espaços na mídia para divulgar e buscar votos para esses candidatos, de tal forma que nesse ano São Paulo e Rio se dividem no cenário religioso eleitoral.
Enquanto no Rio Malafaia usa seu universo religioso como cabo eleitoral de Bolsonaro (na intenção de conquistar a presidência da república), em São Paulo Edir Macedo se une a Estevam Hernandes no intuito de lançar seu candidato também à presidência da república – um candidato um tanto desconhecido do público, que necessitará do apoio de seus “padrinhos políticos” para ganhar projeção no cenário nacional.
Então, eventos como a Marcha para Jesus se tornam um grande trunfo nas mãos daqueles que buscam o poder.
Algumas igrejas e suas lideranças não escondem de ninguém que ter um vereador, um deputado, um prefeito, um governador ou um presidenciável como membro é algo de destaque para a promoção e crescimento da referida instituição, tanto que em ano eleitoral vemos uma verdadeira caça, de ambos os lados, em busca desses benefícios.
Muitos são os estudos que divulgam essa realidade a fundo. Um estudioso que já citei em outros artigos sobre essa realidade é o sociólogo inglês Paul Freston, que por muito tempo pesquisou a igreja coreana no intuito de traçar um paralelo entre a igreja coreana e a igreja brasileira. Isso em virtude da igreja coreana fascinar tanto as lideranças evangélicas brasileiras, principalmente as pentecostais.
Do_pulpito_as_midias_sociais-212x300Recomendo o estudo das conclusões de Freston sobre o tema. Já adianto que, por ver os resultados da igreja da Coreia do Sul, a igreja brasileira caminha para uma situação não muito boa.
As lideranças que se utilizam da Marcha para Jesus para negócios com o universo político não têm por alvo a democracia, muito menos o caráter evangelístico-missionário. As intenções são diretas. Por exemplo, Edir Macedo não esconde de ninguém que seu objetivo é tomar o poder. E, assim como os católicos, dirigir o país através de uma teocracia, tendo como base a teologia da Universal. Para isso, não medem esforços para utilizar a Marcha para Jesus.
Uma pena que muitos que participam desses eventos não param um segundo para pensar e refletir. O alto som dos trios-elétricos, o ritmo dos cantores gospel não deixam espaços para isso. Lamentavelmente, não há uma teologia, não há uma reflexão histórica e muito menos uma sociologia ou uma consciência da realidade que tudo cerca.
Hoje, quem tem o conhecimento se tranca em suas instituições e divide o conhecimento só com os seus. Muitos são os pastores que preferem levar os membros da sua igreja para um retiro longe de tudo, com o pensamento de que, não vendo, não serão contaminados. Grande engano!
A Igreja de Cristo é uma só.
Alguns analistas já dizem que o silêncio de Cunha é no propósito de defender a igreja, pois muitos são os líderes envolvidos com os escândalos da política brasileira.
Nós do MEEB estaremos no próximo dia 31 de maio novamente na referida Marcha para Jesus. Temos a consciência de que o evento não é para Jesus. Estaremos com nossas faixas, camisetas e folhetos no propósito de despertar alguns para as verdades do Evangelho. Sabemos que diante do volume das músicas, da grande apoteose do culto, somos meramente insignificantes. Porém, estaremos envoltos no versículo que abre esse artigo. Estaremos ali como uma pequena fonte que goteja justiça e retidão.
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A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

   Voltemos ao Evangelho puro e simples,
             O $how tem que parar!
Paulo Siqueira
pedrasclamam.wordpress.com