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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Batalha Espiritual (Somente para os fortes)

Batalha Espiritual (Somente para os fortes)




Por Ruy Cavalcante

Poucos temas dentro do cotidiano evangélico brasileiro me parecem tão controversos quanto a chamada “batalha espiritual”. A questão se dá pelo fato de ser um assunto que está sempre em voga, mas a maioria parece ignorar completamente os fundamentos básicos do tema.

É incrível como se proliferam seminários, congressos e encontros sobre Batalha Espiritual Brasil a fora, ao mesmo tempo em que parecem se distanciarem cada dia mais do cerne da questão. Na maioria das vezes não existe preocupação alguma com as verdades bíblicas referentes a isso, voltando-se apenas para soluções imaginárias e extravagantes, na expectativa de que funcionem. Soluções de ideologia pragmática, porém sem nenhuma efetividade.

Vou direto ao ponto.

Batalha espiritual existe sim, e a bíblia fala bastante sobre ela. Temos sim um inimigo, a saber, satanás (I Pe 5:8), e ele é feroz. Outra coisa importante é que podemos vencê-lo, havendo para isso necessidade de ação.

Posto isso, resta afirmar algo que parece ser completamente ignorado por boa parte da igreja evangélica brasileira, que é o fato inequívoco de que esta batalha não se vence com retiros espirituais, cultos de libertação, veredas antigas, exorcismos, atos proféticos, quebras de maldições, utensílios consagrados, óleos ungidos ou coisas do tipo que só encontram fundamento na capacidade criativa e imaginária do povo.

Sim, a batalha existe e ela é terrível, porém vencemo-la da maneira mais simples possível, haja vista haver apenas uma arma nessa guerra. A Espada. O Evangelho.

Nada de soluções mirabolantes e fardos dificílimos de carregar a fim de vencermos nossa batalha contra satanás. Permita-me fazer uma simples analise do texto áureo utilizado pelos “grandes” arautos da batalha espiritual no Brasil, e nele poderemos observar claramente a simplicidade dessa questão. Eis o que o apóstolo Paulo diz aos efésios, para que vençam a batalha:

Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. (Efésios 6:13-17)

Sem maiores elucubrações teológicas, eis uma lista dos “utensílios” da armadura, necessários para a vitória cristã nesta disputa, seguidos de seus significados.

  • Cinto da verdade (A verdade é a Palavra de Deus – Jo 17:17);
  • Couraça da Justiça (A justiça de Deus é o cumprimento de sua Palavra – Sl 119:142);
  • Evangelho da Paz (O Evangelho é a própria Palavra – Ef 1:13);
  • Escudo da fé (A fé é gerada quando ouvimos Palavra – Rm 10:17);
  • Capacete da salvação (A salvação se dá por meio da fé [Ef 2:8], e a fé é gerada pela palavra – Rm 10:17);
  • Espada do Espírito (A própria palavra, única arma nessa batalha).

Percebeu que tudo gira em torno da Palavra?

Isso acontece porque somente o Evangelho é o poder de Deus para salvação (Rm 1:16), todo o resto é COMPLETAMENTE ineficaz, inócuo, inútil. Quebras de maldições e seminários de libertação e de batalha espiritual são sem sentido. Precisamos da compreensão de que tudo já foi feito por Cristo na cruz. 

Como então se quebra uma maldição? Pregando o Evangelho por um lado, e recebendo-o, pelo outro.

Como se liberta alguém da opressão maligna? Pregando o Evangelho por um lado, e recebendo-o, pelo outro.

Como pode o homem vencer a batalha contra satanás? Pregando o Evangelho por um lado, e recebendo-o, pelo outro.

Vejamos outro texto importante, também do Apóstolo Paulo, mas desta vez dirigindo-se aos coríntios: 

Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo; e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência”. (II Co 10:3-6)

Nossas armas não são carnais, mas poderosas em Deus. Quem é o poder de Deus para salvação? Acho que o leitor começou a compreender, não é mesmo?

Estas armas quebram raciocínios contrários ao conhecimento, à verdade de Deus, e levam cativos os pensamentos à obediência a Cristo. Somente o Evangelho é capaz de realizar estes feitos na mente humana, tornando-a cativa a Cristo, mentes renovadas, metanoia.

Tratam-se de ações puras (e simples) do Evangelho. É Cristo quem vence a batalha por nós, e é seu evangelho que nos entrega “de mãos beijadas” a vitória. 

Eis uma das razões pela quais ritos e exorcismos precisam ser continuamente renovados, e seminários se proliferam a todo instante, pois carecem de sentido e afastam o povo do Evangelho, uma vez que este acaba se tornado um simples adorno das reuniões.

Portanto eu insisto, o Evangelho não é para adornar ou simbolizar que somos de Cristo. O Evangelho é a solução definitiva e eficaz não somente para a disputa contra satanás, mas para a salvação indissolúvel do ser humano!

Assim, pregue o Evangelho e vença a batalha!


***
Há muito mais o que se dizer a respeito de batalha espiritual, e muitas outras perspectivas pelas quais este assunto pode ser abordado. Para quem desejar aprender um pouco mais, indico duas obras bem interessantes e de fácil leitura:

VARGENS, Renato. Batalha Espiritual - Respostas as perguntas frequentes sobre o conflito dos crentes com Satanás. Campina Grande: VCP Editora, 2014.

ARAUJO, Marco Antonio; CHAVES, Osvaldo; MARTINS, Luiz Fernando; MENEZES, Silas Batista; SILVA, Adriano Conceição. A grande batalha espiritual: Verdades e mentiras sobre a luta da luz contra as trevas em pleno século 21. E-book. (disponível gratuitamente através do excelente blog Apenas, de Maurício Zágari - Clique aqui para baixar)



http://intervalocristao.blogspot.com.br/2017/01/batalha-espiritual-somente-para-os.html

sábado, 23 de dezembro de 2017

O perigoso precedente aberto pelo MPT no caso das cartilhas da Hirota Foods Supermercados


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Em comemoração ao Dia da Família, a rede Hirota Foods Supermercados distribuiu aos seus clientes uma cartilha com devocionais do pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes. Porém, após denúncias o Ministério Público do Trabalho decidiu pela suspensão da distribuição (que por si só já havia se encerrado, pois abrangeu apenas o período próximo ao Dia da Família).
Para quem achava que o Brasil goza de liberdade religiosa, eis aí um perigoso precedente do contrário.
Vejamos.
Liberdade religiosa implica em se poder expressar a fé livremente. Como o Estado é laico, obviamente não é oportuno expressar uma ou outra fé nos equipamentos públicos, pertencentes ao Estado. Assim, fere a laicidade do Estado tanto um culto evangélico como um ritual vudu durante as atividades do órgão governamental, pois ou se dá espaço para todas as demonstrações religiosas, ou não se dá espaço a nenhuma, sob pena do Estado privilegiar essa ou aquela religião. Se o Estado brasileiro não fosse laico, aí seria outra história.
Porém, se o Estado é laico, os cidadãos não são. É direito de todos terem ou não terem uma religião. Até os servidores públicos podem ter sua fé, a ser expressada fora das dependências governamentais. Da porta do governo para fora, a Constituição Federal nos garante o direito de livre expressão da fé.
O caso da Rede Hirota é emblemático. A rede de supermercados não tem qualquer ligação com o governo, sendo uma empresa privada. Seus donos devem professar uma fé, aparentemente evangélica. Por professarem tal fé, decidiram através de SUA empresa, do SEU espaço, distribuir a cartilha com devocionais que, obviamente, pregam a crença que seguem ou que consideram a ideal. Mas aí alguém não concorda com pontos dessa crença e levam o caso ao Ministério Público do Trabalho (do Trabalho???), que resolve por suspender a distribuição, como se o mercado estivesse errado. E o mercado, por sua vez, para não perder clientes é praticamente obrigado a emitir “sinceras desculpas” pelo ocorrido.
Vivemos o tempo absurdo do “politicamente correto”. O que inicialmente poderia ser positivo, inibindo formas de bullying, por exemplo, com o tempo se mostrou uma patrulha contra os que não são do “mundo”. Hoje não podemos usar frases racistas, o que é maravilhoso, mas também não podemos falar do pecado, da perversão, dos valores que essa sociedade moderna está jogando no lixo supostamente em prol da felicidade e da união mundial.
Mesmo no âmbito puramente religioso já não é possível discutir aborto, homossexualismo, poligamia, corrupção, idolatria sem ser taxado de fundamentalista ou coisa pior. Veja que não estou falando em concordar ou discordar, apenas em discutir! Isso porque a religiosidade que o “mundo” nos permite, nesse momento de Era de Aquários e busca por uma unidade mundial, é a religião cantada por Raul Seixas: “faça o que tu queres que é tudo da lei”.
Milhões morrem no mundo todos os dias das mais diversas causas. Mas basta um terrorista matar dez ou vinte na América ou na Europa que a imprensa nos entope com informações de como o fundamentalismo religioso é prejudicial. No que concordo plenamente, diga-se de passagem. O problema não são essas informações, mas a motivação por trás delas.
Engana-se quem pensa que tentam demonizar apenas os muçulmanos. A grande imprensa tenta demonizar, aos poucos e pelas beiradas, as religiões que não se curvarão a um Governo Único. E essas religiões são as monoteístas: muçulmanos, cristãos e judeus. As demais aceitarão um Governo Mundial de bom grado, seja por crerem que o que importa é a paz mundial (espíritas e demais religiões espiritualistas), seja por crerem já em várias divindades, então mais uma, menos uma não fará a menor diferença, conquanto que o mundo conquiste a tão esperada paz.
A demonização dos muçulmanos é fácil, pois os fundamentalistas entregam o prato pronto e cheio. A demonização dos judeus é um pouco mais trabalhosa, foi tentada várias vezes durante a história e atualmente se dá no enfoque de “lobo mau” frente aos pobres palestinos. Já a demonização dos cristãos se dá dividindo-os em duas frentes: dos “que nem parecem cristãos” por serem gente boa, que aceitam a tudo e a todos, e dos “fanáticos”, os que vêem pecado em todos mas são hipócritas com seus próprios pecados. E, após dividi-los, o mundo aprova os do primeiro grupo (como o Papa Francisco ou evangélicos liberais) e desaprova os do segundo (alguns justamente, como boa parte da Bancada Evangélica e lideranças pastorais a eles ligados, e alguns injustamente, apenas porque não respaldam totalmente a doutrina do “politicamente correto”).
Embora o Brasil seja de ampla maioria cristã, intriga saber que o “nem parece cristão” ou “nem parece evangélico” tornou-se um elogio. Culpa do péssimo exemplo que muitos que se dizem cristãos demonstram, culpa da omissão de outros (que preferem ser “politicamente corretos” a desagradar o mundo que os cerca) e culpa também da manipulação que, aos poucos, viabilizará a perseguição conforme as profecias bíblicas.
A Rede Hirota ousou distribuir cartilhas onde o aborto e o homossexualismo são tratados à luz das Escrituras Sagradas e foi punida por isso. Tivesse distribuído cartilhas com fotos de casais homossexuais se beijando e atores globais com cartazes “Meu corpo, minhas regras” e nada teria acontecido. Caso alguém se sentisse ofendido e denunciasse, as autoridades competentes arquivariam o processo por julgá-lo improcedente. Afinal, vivemos o século XXI, a diversidade, a canção de Raul Seixas, o vale-tudo pela felicidade pessoal aqui e agora. Os cristãos têm que respeitar e aceitar o mundo. Mas o mundo não tem que aceitar ou respeitar os cristãos. Ao mundo, total liberdade de ação e de pensamento. Aos cristãos, apenas a liberdade de pensar e agir conforme o mundo.
Na porta da minha casa recebo publicações das Testemunhas de Jeová e, mais raramente, do Universo em Desencanto. Em alguns estabelecimentos comerciais me deparo com imagens de santos católicos e até com discretos altares budistas. Volta e meia espíritas tentam me demonstrar a racionalidade de sua fé. E nunca cogitei denunciar ninguém por isso.
Hoje foi a Rede Hirota. Amanhã será eu ou você, pois:
“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.
Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.
Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa.
Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.” –  João 15:18-21
Aproximamo-nos do Fim. Estejamos vigilantes. Busquemos a santificação. Busquemos o Alto.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Fonte: estrangeira.wordpress.com




terça-feira, 31 de outubro de 2017

A CORROMPIDA IGREJA EVANGÉLICA ATUAL PRECISA DE UMA NOVA REFORMA


                


                 
                      Hoje, celebramos os 500 anos da Reforma Protestante. Esse grande avivamento na Igreja de Cristo, iniciado pelo monge alemão Martinho Lutero, mudaria não apenas o Cristianismo, mas toda a história da civilização ocidental. Eu poderia dizer muita coisa sobre o assunto, mas como sou um inveterado pessimista (como bem conhecem os mais próximos), falarei sobre a violação sistemática que igrejas ditas protestantes (ou evangélicas) cometem contra os cinco grandes princípios da Reforma, inteiramente baseados nas Escrituras e fielmente apregoados pelos grandes teólogos protestantes ortodoxos dos últimos cinco séculos. Muitos crentes vivem sendo guiados por supostas revelações, estão tomados pelo medo de perder a salvação (como Lutero antes de conhecer a graça de Deus) e idolatram homens (como os leigos ignorantes de sua época faziam). Vejamos os cinco pontos e as violações cometidas:

SOLA GRATIA – SOMENTE A GRAÇA

O que significa? Que somos salvos apenas pela graça de Deus, não tendo méritos ou qualidades em nós mesmos.

TEXTO BÍBLICO:
                "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois  salvos)"Efésios 2:5

                Um dos grandes líderes da teologia da prosperidade afirma em uma de suas obras que todo homem merece ser salvo. Mesmo em meio aos arraiais conservadores, é comum a velha crença de que o homem, por si é bom. Assim sendo, a importante doutrina do pecado original, outrora vigorosamente defendida por Agostinho, é totalmente esquecida. Já vi pregadores pentecostais afirmarem que as crianças nascem totalmente puras (Sl 51.5).
                Na  verdade, as Escrituras dizem que todos pecaram (I Re 8.46; Rm 5.12), que, por natureza, estamos mortos no pecado (Ef 2.1; Cl 2.13), somos inimigos de Deus (Cl 1.21), e com nossos juízos corrompidos pelo mal (Is 64.6). Quando nossos pais caíram no Éden (Gn 3), todos nós caímos. Mas para que ninguém diga que Deus é injusto ao condenar-nos por pecados cometidos num tempo antiquíssimo por um casal, sabemos que, a cada dia, juntamos a este pecado original uma multidão de pecados pessoais, que nos fazem dignos da morte eterna. Assim sendo, o homem é mal, e totalmente depravado. Não no sentido de que faça todo o mal imaginável, mas porque todas as áreas de sua vida estão corrompidas pelo pecado.
                Lancemos fora de nosso meio esse evangelho "light" que diz que o homem é bom (Gn 8.21), que pode por suas próprias forças vir à Deus (Jr 13.23). Essa heresia, chamada de pelagianismo, já foi refutada por Agostinho a mil e seiscentos anos. E os reformadores foram enfáticos em condenar suas premissas.

SOLA FIDE- SOMENTE A FÉ

O que significa? Que somos salvos ao depositar totalmente nossa confiança em Cristo, de forma verdadeira, e não por nossas boas obras ou cumprimento da lei.

TEXTO BÍBLICO:
                     "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei".(   Romanos 3:28)

                Essa doutrina é frequentemente violada nos púlpitos das igrejas brasileiras, principalmente pentecostais e neopentecostais. A principal queixa de Lutero contra a Igreja medieval residia no fato de que esta havia se tornado uma religião de méritos. Apregoava que a salvação vem, sim, primeiramente da graça de Deus, mas que devemos conservá-la por nossa obediência e boas obras. Para mim, tudo aquilo que nós protestantes consideramos errado na Igreja de Roma tem origem nessa meritocracia. Ora, é óbvio que, se a fé em Cristo não me basta, tenho que me apoiar em vários pilares para garantir a minha salvação: a hierarquia da igreja, aqueles que foram mais fiéis do que eu em vida , os corpos destes santos, objetos ungidos, e todo excesso sacramental e eclesiológico da Igreja Romana.
                O herege Edir Macedo é um claro exemplo de pastor (pastor?) que nega a "sola fide". Recentemente, afirmou que a salvação pela graça, mediante a fé (Ef 2.8), é uma doutrina diabólica. Ele já dava mostras de ser um semipelagiano em vários artigos que escreveu. Muitos pastores afirmam que somos salvos apenas se tivermos uma perfeita obediência. Assim, se cometermos alguns "pecados" (como jogar videogame, torcer para um time de futebol, ir à praia,etc.), perdemos a salvação. Ora, isso é a meritocracia de Roma levada ao extremo. Ao menos em Roma, os fiéis tem a hipótese da purificação no fogo do purgatório caso morram em algum pecado não muito grave. Mas em nossas igrejas, infelizmente, em minha denominação, muitos pastores não dão a mínima chance para quem cai em pecados (que, muitas vezes, nem pecados são!).  A doutrina da salvação pela fé apenas nos garante que a manutenção de nossa salvação não está em nossas frágeis mãos, mas no cuidado divino (Fp 2.13; Rm 8.30-39; Jo 10.28,29; Fp 1.6). Nenhum de nós tem capacidade para cumprir plenamente os mandamentos de Deus. A obediência de Cristo cobre a nossa desobediência. Não perderemos a salvação por cometer qualquer erro. Devemos, sim, ser obedientes aos mandamentos, mas por amor à Deus e ao próximo, e não por medo de perder a salvação.

SOLA SCRIPTURA - SOMENTE A ESCRITURA

O que significa? Que as Escrituras inspiradas (os 39 livros do Antigo e os 27 do Novo Testamento) devem ser a única fonte de doutrina, prática e dogmas cristãos.

TEXTO BÍBLICO:

                "Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de  bom  grado receberam a  palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas eram assim (At   17.11)
                 
               As Escrituras são a nossa única regra de fé. Apesar de andarem de um lado para o outro com a Bíblia debaixo do braço, muitos evangélicos colocam ao lado dela, como regras de fé, a tradição de sua denominação e supostas revelações e profecias que ouvem na igreja. Eu creio que o dom de profecia, revelações e coisas do tipo ainda existem em nossos dias (I Co 12), mas jamais podem ser colocadas ao lado da Bíblia para se estabelecer uma crença. Algumas vezes, essas "revelações"  e "ensinamentos celestiais" são absurdos, negando doutrinas importantes. Podemos ouvir coisas como: "Deus falou pro irmão fulano que mulher que corta cabelo não vai para o céu" (negação da sola fide); "O irmão tal teve uma visão de que o missionário sicrano é quem vai chamar os nomes daqueles que entrarão no céu" (negação do solus Christus); e outras aberrações teológicas deste naipe. As regras, catecismos, usos e costumes de nossas igrejas devem passar pelo critério da confirmação bíblica. A mesma coisa com supostas revelações.
               
             Outro ponto que merece destaque é o fato de que muitos pastores distorcem as Escrituras para provar suas teses. Houve o caso de um documento de  certa igreja afirmar que os irmãos não poderiam usar barba pelo fato de que José se barbeou para ir à presença de Faraó(!). As Escrituras necessitam de ferramentas interpretativas, e é muito importante para o cristão (especialmente para os obreiros) conhecerem essas ferramentas através da teologia.


SOLUS CHRISTUS- SOMENTE CRISTO

O que significa? Que apenas Cristo pode conduzir o homem a Deus, e que a teologia cristã deve girar em torno de sua pessoa e obra.

TEXTO BÌBLICO:

                "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo  homem". (ITimóteo 2:5)

                Os evangélicos costumam criticar duramente os católicos por colocarem Maria e os santos mortos como mediadores ao lado de Cristo. Vivem gritando por todos os cantos a passagem da epístola paulina, de que há um só Mediador entre Deus e os homens, Mas, na prática, muitos deles praticam uma obediência cega a seus líderes, dizendo que perderão a salvação caso não o fizerem, que o líder é o ungido de Deus, tendo uma relação especial com o Senhor, por isso devem se colocar sob a"cobertura espiritual" do bispo ou apóstolo. Conforme o exemplo que eu citei no ponto anterior, em certa igreja pentecostal alguém teve a revelação de que seria seu líder quem chamaria os nomes dos que entrarão no céu. Em outro caso, um membro de uma igreja neopentecostal afirmou que o apóstolo beltrano é o enviado de Deus para nos salvar. Além de colocarem homens mortais entre eles mesmos e Deus, muitos evangélicos criam toda uma superstição em relação a objetos ungidos (água, rosas, sabonetes,etc.) como meios de graça e da benção divina.

SOLI DEO GLORIA- GLÓRIA SOMENTE A DEUS

O que significa? Que devemos fazer tudo para a glória de Deus, e que apenas Ele é digno de louvor supremo, adoração e obediência irrestrita.

TEXTO BÍBLICO:

                "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para   glória de Deus"(I Co 10.31)
                 
                A Bíblia nos diz que toda a glória pertence a Deus, e que devemos fazer tudo para a sua glória. Mas o que vemos em nosso meio é que muita coisa é feita para a glória do homem. Geralmente, aqueles que violam o "soli Deo gloria" são os mesmos que violam o "solus Christus". Assim sendo, as pessoas seguem toda sorte de orientação espúria de seus líderes (Jr 29.9; At 5.29), e acabam fazendo a obra para eles, e não para Deus. Desprezando o sábio conselho de João Batista (Jo 3.30), esses líderes querem aparecer, como outrora o mago Simão (At 8.9). Tenho a impressão de que muitas igrejas neopentecostais, quando seus líderes morrerem, acabarão, pois a tanta ênfase em suas figuras, que eles se tornam o núcleo em torno do qual se aglutinam seus fiéis.

                Portanto, vemos que muitas das igrejas ditas "protestantes", precisam resgatar os princípios da Reforma, a fim de pregar ao mundo o verdadeiro e puro Evangelho de Cristo. As igrejas de hoje vivem impondo medo nos fiéis com ameaças de perdição eterna para aqueles que não cumprirem os mandamentos humanos e terrenos de seus líderes, muitas vezes baseados em supostas revelações e num uso distorcido das Escrituras. Precisamos urgentemente de uma Reforma, pois essas igrejas estão no mesmo buraco (ou ainda mais fundo) do que a Igreja Católica Romana do século XV.


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A Reforma Protestante fracassou?


reforma

Há 500 anos da fixação das 95 teses na Catedral de Wittenberg por Martinho Lutero, ao olhar ao redor tem-se a impressão de que a Reforma Protestante fracassou. Nem a Reforma tem sido comemorada em muitas igrejas, mas festas imitando o Halloween, a nova modinha brasileira. Sim, já existe até o Halloween gospel, como também micareta gospel (para o cristão que quer se fantasiar na mesma época que o mundo), assim como Festa das Nações em tempos de Festas Juninas (para o fiel comer comidas típicas sem culpa e sem se misturar com o mundo).
O movimento reformador (que não surgiu do nada em 1517, mas já existia séculos antes) propunha a revisão de doutrinas da Igreja Católica Apostólica Romana, buscando conformar-se com os ensinos de Jesus Cristo. Com o passar do tempo, adentrou-se na igreja rituais pagãos, a busca por benefícios para os sacerdotes, a venda do perdão dos pecados (indulgências) e o envolvimento sacerdotal com o Estado, buscando aumentar seu poderio sobre os fiéis e toda a sociedade da época. Cada movimento reformador buscou lutar contra aquilo que achava inconveniente ou mesmo herético. E o preço pago por isso foi muitas vezes torturas e mortes dolorosas.
Assim como os cristãos se multiplicaram apesar dos martírios, os protestantes também se multiplicaram apesar da perseguição inquisitória. E chegaram aos dias de hoje, no Brasil se autodenominando evangélicos, embora haja na maioria pouco de Evangelho e muito pouco de protestantes.
reforma2O que dizer de uma igreja como a nossa, onde se vendem as bênçãos materiais e celestiais (uma venda de perdão de pecados mascarada, uma vez que se o fiel recebe as bênçãos pelas quais pagou prova que é “santo”, e por isso perdoado dos pecados)? O que dizer de uma igreja onde se proíbe “andar no mundo”, mas que replica o “mundo” para satisfazer a seus fiéis (festas sincréticas gospel, rituais de espiritismo gospel, idolatria gospel)? O que dizer de uma igreja que faz clara acepção de pessoas, tratando-as conforme o valor do seu dízimo e segundo o status que ocupa na sociedade? O que dizer de uma igreja na qual seus líderes se acham no direito de usurpar e usufruir das ofertas que deveriam ser destinadas à manutenção do templo e ao cuidado dos mais necessitados? O que dizer de uma igreja que deixa de confiar em Deus para confiar na força de políticos, por mais corruptos que eles sejam?
No Brasil não temos visto mártires atualmente. Talvez, por serem muito poucos os que se martirizariam em nome de Jesus. Talvez porque a pena de morte seja proibida em nossa nação. E talvez porque as igrejas no Brasil estão tão conformadas com o mundo que não apresentam risco nenhum ao “sistema capetalista”. Mas triste e incrivelmente há poucos meses presenciamos o quase martírio de não-cristãos por pessoas que se diziam cristãs. Veja o vídeo abaixo, de menos de 2 minutos:

Cadê a Igreja que transforma? Que converte o caráter? Que traz renúncia do mal? Que abre mão dos bens e prazeres desta terra em prol do Reino vindouro?
Cadê os frutos da Reforma?
Aparentemente, não há. Olhando para o mundo, e mais especificamente para o Brasil, a Reforma Protestante fracassou, deixando um legado ainda pior do que o que havia há 500 anos.
Reforma é ruim. Reforma incomoda. E cristão verdadeiro também tem que incomodar.
Alguns acham que incomodar é perseguir minorias. Muitos têm levantado bandeiras contra esse e aquele grupo social dizendo agir em nome de Deus. Ao mesmo tempo, ignoram plena e completamente toda a expressão de justiça, ao ponto de defender corruptos (que matam indiretamente a milhões de brasileiros), conquanto que esses se coloquem contra certos projetos.
O que esses não sabem é que a perseguição é uma das características do mundo, não dos seguidores de Cristo.
A Igreja Primitiva não incomodava por ser contra este ou aquele. Embora sempre contra o pecado, o que marcava a Igreja Primitiva era o amor que tinham entre eles, era a honestidade que tinham diante do mundo,  era a fé incondicional em Cristo Jesus. Fé essa capaz de lhes fortalecer frente às piores torturas e mortes. E o que mais incomodava na Igreja Primitiva era ela não se prostrar ao deus romano, no caso a figura do Imperador.
Atualmente nos colocamos contra os homossexuais, contra os adúlteros, mas aceitamos os corruptos como um mal menor e até necessário. E nos prostramos ao deus atual. Todos os dias. Em todo o tempo. E em “nome de Jesus” também, é claro. E por isso as igrejas brasileiras não incomodam ninguém.
_ Como assim, nos prostramos ao deus atual??? Nós servimos a Deus, a Jesus Cristo!!!
reforma3Sim, as igrejas brasileiras em sua grande parte servem a outro deus: a Mamom, ao dinheiro, que é o deus deste século. Vivem para e pelo dinheiro. Em seu credo, de forma escondida, pregam que tudo vem dele (do dinheiro), é por ele e é para ele. Oramos para ter dinheiro, precisamos de dinheiro para a evangelização e para a satisfação de nossos desejos mais ocultos, sem dinheiro não somos ninguém nessa sociedade desigual e o dinheiro tornou-se o termômetro de quão espiritual somos (quanto mais dinheiro, mais Deus abriu as comportas do céu e por conseguinte mais somos ungidos e espirituais). O que temos visto em boa parte das igrejas, as falsas promessas e profecias para aumentar a arrecadação de ofertas e a péssima destinação dessas nos mostra claramente a quem temos verdadeiramente servido. Quando precisamos nos aliar politicamente com o que há de mais sujo para conseguir “evangelizar”, mas na verdade para conseguir benefícios e até dinheiro, mostramos que nossa fé não está na provisão de Deus, mas no deus que temos servido.
A Igreja Primitiva não se prostrou ao deus romano. Se tivesse se prostrado, ninguém teria morrido. Se Lutero se prostrasse, continuaria com sua antiga fé e não teria sido perseguido. Se John Huss tivesse se prostrado, talvez morreria reitor, com todas as benesses que seu cargo permitia. Se Jesus tivesse se prostrado, receberia todos os reinos deste mundo e deles poderia usufruir livremente.
Mas, se assim fosse, Deus seria menor do que os deuses. E as pessoas não teriam a esperança da salvação.
Nossas igrejas se prostram diariamente ao deus deste século. Conformados ao “sistema capetalista”, somos incapazes de incomodar e de transformar o caráter de alguém.
A boa notícia é que a Reforma não acabou, pois reformas são sempre necessárias. Sempre haverá uma parte a ser consertada ou mesmo melhorada, embora boa parte das igrejas atuais devessem demolir seus credos e recomeçar do zero.
A Reforma não fracassou porque ela não terminou. Ela só terminará com a vinda de Jesus Cristo. Até lá, que nos reformemos a cada dia, em todo o tempo, com orações, súplicas, arrependimento e conhecimento das Escrituras Sagradas. Que possamos renunciar ao deus deste século e nos curvar diante do Deus Supremo. Que o Espírito Santo possa nos transformar por dentro, e que essa transformação transpareça para o mundo. Que possamos, como verdadeiros cristãos, incomodar e ser instrumento de transformação.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

https://estrangeira.wordpress.com

domingo, 15 de outubro de 2017

Os evangélicos e a corrupção: delações de Funaro, novo Refis e o direito de comer o melhor desta terra



michel3Há 2 anos, surgiam as primeiras denúncias contra o então deputado Eduardo Cunha. Além de presidente da Câmara dos Deputados, esse dito também era evangélico, dizimista e ofertante na Assembleia de Deus do Brás Ministério Madureira (ADBras). Era convidado de honra nos palcos das Marchas para Jesus, principalmente no Rio, ao lado de aliados e até então fiéis defensores, como Silas Malafaia. Nos bastidores era conhecido por sua agressividade, mas à vista de todos era um homem inteligentíssimo e articulado, que pela “vontade de Deus” alcançou grande poder político.
Com o tempo, e com a necessidade de entregar um “bode expiatório” para justificar o “perdão” aos demais políticos corruptos do seu partido (PMDB) e dos demais aliados, Eduardo Cunha caiu. As denúncias (segundo o Ministério Público) de corrupção, desvio de verbas públicas, a existência de contas no exterior em seu nome e no nome da esposa e filha, acabaram com a perda do seu mandato político e seu envio para um presídio. Por seu caráter agressivo e vingativo, esperava-se que logo faria “aquela” delação, entregando a tudo e a todos, mas misteriosamente mantém-se calado, curtindo seu longo período de férias forçadas.
Também é curioso que Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, tenha sido inocentada de todas as acusações. Com envolvimento parecido, tivemos a prisão (mesmo que absurdamente domiciliar) da esposa de Sérgio Cabral. Poupar Cláudia Cruz do espaço prisional teria sido a moeda que pagou até hoje o silêncio de Eduardo Cunha?
Lembrando de trecho de uma gravação do Senador (suspeito de corrupção) Romero Jucá meses atrás: “tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria, por meio de um acordo com o Supremo, com tudo”. (fonte: UOL Notícias)
2aypx7ijr4_6dqq6q316a_fileEduardo Cunha continua em silêncio, mas seu parceiro operacional no PMDB resolveu falar. Lúcio Funaro fez a delação e dias atrás foram divulgadas as gravações. Incriminou, na delação, todos os caciques do PMDB, citando inclusive o presidente Michel Temer. Apesar de horrível, tudo isso já era esperado. Mas o que mais intriga, e que é o cerne deste artigo, são os trechos a seguir:
“O terceiro encontro com Temer, segundo Funaro, foi uma reunião de apoio à candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) para a Prefeitura de São Paulo. Ele diz que o encontro foi na Assembleia de Deus do bairro Bom Retiro, com a presença dos bispos Manoel Ferreira e Samuel Ferreira.” (fonte: Revista Veja)
michel6Encontrar-se numa igreja evangélica não tem nenhum problema. Porém, a cúpula do PMDB foi a uma igreja não para um culto, mas para uma “reunião de apoio” a um candidato a prefeito de São Paulo, o católico Gabriel Chalita. Ou seja, era um evento especial, fechado, com o objetivo puramente político. E com o aval dos papas dessa igreja.
E lembrando, essa igreja, que antes era do Jabes de Alencar, agora é do Samuel Ferreira, também dono da ADBras, que é a mesma que tem (ou tinha) Eduardo Cunha como fiel dizimista e ofertante. E a ADBras é a mesma que, tempos atrás, foi acusada de lavar parte do dinheiro de Eduardo Cunha, no caso uns 250 mil reais (fonte: UOL Notícias). E vale lembrar que seu papa, o agora Bispo Samuel Ferreira, foi acusado na delação da JBS de receber 1 milhão de dólares de propina em 10 parcelas de 100 mil dólares, numa conta nos Estados Unidos (por que será? – Fonte: G1 Notícias).
michel4Enfim, Eduardo Cunha é (ou era) membro da igreja certinha para seu (falso) caráter cristão.
Outros trechos da delação de Lúcio Funaro que merecem destaque neste artigo são os seguintes (a partir de 3:15 minutos):
“O Eduardo, ele funcionava como se fosse um banco de corrupção e de políticos. Ou seja, todo mundo que precisava de recursos pedia pra ele e ele cedia os recursos, e em troca mandava no mandato do cara, era assim que funcionava” (3:27 minutos).
“O dinheiro vivo chegando em minha mão, eu distribuía pra quem eu tinha que pagar, e nesse caso era o Eduardo Cunha que fazia o repasse para quem era de direito dentro do PMDB, que eram as pessoas que apoiavam ele dentro do PMDB”. “Que eram?” “Henrique Meireles, Michel Temer, todas as pessoas. A bancada que a gente chamava de bancada do Eduardo Cunha” (4:14 minutos).
No vídeo acima, a partir do minuto 1:40, vemos Lúcio Funaro delatando que a bancada evangélica sempre votava seguindo Eduardo Cunha, e que esse “esquema” se iniciou em 2009, justamente com a ascensão de Cunha. Em 2:40 minutos, Funaro revela que Eduardo Cunha tinha influência no PSC (Partido Social “Cristão” – aspas nossas), na Bancada Evangélica e no PMDB, e com todos esses em suas mãos, Cunha tinha um poder de barganha muito grande na Câmara dos Deputados, podendo “negociar” com empresários interessados a aprovação ou a rejeição de projetos de leis e medidas provisórias. Esse “esquema” é explicado a partir de 4:30 minutos.
Aí fica a dúvida: a Bancada dita Evangélica seguia (obedecia) ao Eduardo Cunha por ver nele um homem de Deus, ungido, santo e cheio de discernimento? Ou o faziam porque, assim como os demais deputados que o seguiam, havia, segundo Funaro, o recebimento de propinas advindas dos empresários que tinham interesses nesse ou naquele projeto de lei?
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Muito grave tudo isso. Diria até abominável, se a delação se confirmar. Afinal, se alguém se diz seguidor de Jesus Cristo, é até aceitável que cometa um ou outro pecado. Porém, é incompreensível que viva em tão grande corrupção.
Dias atrás houve também a votação de uma medida provisória, o novo Refis, que seria o refinanciamento de dívidas tributárias de empresas. Para as igrejas, os deputados deram dois benefícios a mais, segundo a Época Negócios:
“A primeira prevê perdão de dívidas tributárias com a Receita Federal de igrejas, entidades religiosas e instituições de ensino vocacional sem fins lucrativos. A remissão vale para débitos inscritos ou não na Dívida Ativa da União, inclusive aqueles objeto de parcelamentos anteriores ou que são alvo de discussão administrativa ou judicial.
A segunda emenda favorável às igrejas estabeleceu isenção de cobrança de tributos da União incidentes sobre patrimônio, renda ou serviços para igrejas e instituições de ensino vocacional. A isenção valerá por cinco anos para entidades que exerçam atividade de assistência social, sem fins lucrativos.”
michel7As igrejas já possuem isenções fiscais, por seu caráter de entidade sem fins lucrativos (para muitas, pelo menos em tese, não na prática). Além disso, o Brasil passa por um dos mais difíceis períodos de sua história econômica, com altos índices de desemprego, grandes quedas na produção e com os entes da União sem caixa para tratar das mínimas questões. O Estado do Rio de Janeiro amargou falta de dinheiro até para o pagamento de aposentados e servidores ativos. Não há como arcar com os gastos para a segurança, saúde, moradia, educação nas mais diversas regiões do país.
Com o desemprego e a queda na produção, obviamente caiu também a arrecadação através dos impostos. O Refis seria uma alternativa de renegociação para que o governo possa receber valores atrasados e assim investir (e não propinar, por favor) no que é necessário. É claro que também é uma tentativa do governo de se aproximar do empresariado, ao facilitar a renegociação de dívidas. Apesar da necessidade do governo de angariar fundos, os líderes e políticos evangélicos não conseguem se sensibilizar e buscam, através de negociatas travestidas de votações no Congresso, não pagar nem o que antes lhes era devido. Mas eu e você precisamos pagar, sim senhor!
Cabe aqui um adendo: você viu algum líder evangélico, mesmo de igrejas tradicionais, denunciando isso? Será que a mudez geral se deve ao fato de que todos, isso mesmo, todos, serão no final “beneficiados”?
E pensar que Jesus, o Cristo, pagava impostos sem reclamar e sem necessitar, mas para dar e ser exemplo para os verdadeiros cristãos!
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Seja nas delações de Funaro, seja nos esquemas para a aprovação das vantagens gospel no Refis, o que vemos é que muitos líderes evangélicos são capazes de qualquer coisa para ter, no futuro, um presidente da mesma religião. E qualquer coisa, para muitos desses líderes, significa propinar, roubar, mentir, enriquecer às custas do Erário e dos fiéis. Para eles, o fim justifica os meios.
Lembremos de Jesus, quando chamou os fariseus de sepulcros caiados: limpos por fora e podres por dentro. Lembremos das admoestações de Jesus em Mateus 23, quantos ais!
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Certa vez, uma jovem seguiu o Apóstolo (de verdade) Paulo por muitos dias, bradando que ele e os demais eram servos do Deus Altíssimo (Atos 16:16-18). Porém, o Apóstolo (de verdade) Paulo era cheio do Espírito Santo e teve discernimento de Deus. Embora a jovem falasse a verdade, estava tomada por um espírito maligno, que foi prontamente expulso pelo Apóstolo.
O que acontece nas igrejas hoje, que líderes e políticos evangélicos são totalmente enganados por seres como o Eduardo Cunha? Cadê o discernimento dos espíritos? Cadê a prudência?
Ou será que não foram enganados e se aliaram de caso pensado?
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Tudo isso é para se pensar. Funaro deu 13 horas de depoimentos, que podem ser assistidos na íntegra no Youtube. Tive que assistir a muitas horas, pois se você pesquisar no Google “bancada do Cunha” e “bancada evangélica”, não achará absolutamente nenhuma notícia. É como se tivessem orquestrado um cala-boca gospel. Mas assistindo aos vídeos, outros gospel são citados, como o Garotinho e o Pr. Everaldo, e isso provavelmente também não sairá na grande imprensa. Amanhã inventarão algum meme na internet e essa delação, assim como a da JBS e a da Odebrecht, cairá no esquecimento. E os “esquemas” continuarão, com direito a testemunhos nos púlpitos de como “deus” abençoou que apareceu um bom dinheiro para ajudar na reforma do templo.
Nojo. Por muito menos, Jesus expulsou os mercadores do templo. E nós, pelo caminhar da carruagem, acabaremos reelegendo os mesmos indicados de sempre por nossos (im)pastores.
O mais triste é que muitos evangélicos sabem de tudo, mas mesmo assim apoiam suas lideranças e instituições, pois tudo vale em prol do “reino”. Até mesmo corrupção em nome de Jesus.
Será que ninguém mais está vendo isso? Onde estão as vozes para denunciar a iniquidade em parte das igrejas evangélicas brasileiras? Por que estão caladas?
Simples: muitas lideranças e muitas instituições são sustentadas por esse “sistema”. Ninguém quer perder sua parcela dentro do sistema corrupto.
Estamos a cerca de 2 semanas dos 500 anos da Reforma Protestante. O que temos a comemorar é que as Escrituras, como sempre, estão certas:
“E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” – Mateus 7:14
lutero solamente
Igreja Evangélica Brasileira, formada por mim e por você: arrependamo-nos enquanto é tempo.
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!
A DEUS toda a honra e toda a glória para sempre.

Fonte:
https://pedrasclamam.wordpress.com
https://estrangeira.wordpress.com