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domingo, 18 de setembro de 2016

O cristão e a política: estamos sendo manipulados?




amala1O (im)Pastor Silas Malafaia está apresentando na tevê sua pregação “O cristão e a política”, na qual diz usar de argumentos bíblicos e históricos para defender sua tese de que os evangélicos precisam se mobilizar para eleger os candidatos certos, aqueles que coincidentemente serão os indicados por líderes religiosos como ele mesmo. E como não poderia deixar de ser, faremos aquilo que ele mesmo pediu ao anunciar sua pregação: “duvidar, criticar e determinar”.
Malafaia há anos descobriu que a política é o melhor caminho para o crescimento de um ministério. Antes dele, Edir Macedo e o Apóstolo (?) Estevam Hernandes já elegiam seus candidatos e obtinham benesses, algumas pequenas mas bastante simbólicas como homenagens em nome de ruas da cidade, outras maiores como benfeitorias ao redor dos seus templos nababescos. Mas Malafaia não é bobo e sabe que o ditado “antes tarde do que nunca” é bastante válido.
Em 2012, Malafaia chegou lá, politicamente falando. Nesse ano, conseguiu eleger 83% dos candidatos que indicou em nível nacional (entre prefeitos e vereadores). Segundo o im(pastor): “Apoiei 18 caras para vereador, 16 foram eleitos. Em Porto Alegre, quando cheguei para apoiar (José) Fortunati (prefeito eleito), estava empate técnico com aManuela Dávila (PCdoB). Dei uma força, lá em Porto Alegre tem muito evangélico. Ele pediu: ‘Grava aqui para o TRE.’ Fiz um áudio e pus na porta da igreja. Não digo que ganhei, mas ajudei a ganhar”.
Mas para quem pensa que o motivo das indicações de candidatos é o bem público, engana-se. Segundo o próprio Malafaia: “Na época da eleição, o prefeito e governador bajulam todo mundo para ganhar. Quando são eleitos, essa aqui é que é a verdade, amigo: “Quem é esse cara aí? Elegeu quem?” Então, para eles te atenderem, você tem de mostrar que você tem força política! Senão é mais um no bolo! (…) Essa é que é a verdade nua e crua.”
Ou seja, o rebanho, os fiéis, os evangélicos têm sido apenas e tão somente massa de manobra de líderes inescrupulosos, que usam da boa fé do povo para demonstrar poder e buscar ainda mais poder junto aos governantes da nação.
Ou alguém achou que, quando um líder evangélico indica um político, o faz porque essa é a “vontade de Deus”?
Deus não erra. Deus não volta atrás. Deus não se confunde. Deus sabe todas as coisas. Mas os (im)pastores não. E por isso, sempre estão “voltando atrás” nas suas decisões políticas, de acordo com as circunstâncias (para que sempre lhe sejam favoráveis, claro).
Exemplo? Continuaremos com Malafaia, mas serve para Edir Macedo, Renê Terra Nova, Estevam Hernandes, Samuel e Manoel Ferreira, R. R. Soares, Valdemiro Santiago, Agenor Duque e todo e qualquer que os sigam, ao invés de seguir a Deus.
Em 2002, na eleição presidencial, Lula apresentava vantagem nas pesquisas (após a derrota para Collor, que depois sofreu impeachment). Coincidentemente, as lideranças evangélicas, inclusive Malafaia, resolveram apoiar o candidato. De repente, “esqueceram-se” das plataformas petistas como a legalização do aborto. E sumiu por completo o “medo da implantação do comunismo”, discurso que usaram em 1989 para apoiar Fernando Collor. E em 2006 Malafaia e cia. gospel continuaram apoiando Lula para a presidência, afinal tinha larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto.
amala2Nas eleições presidenciais de 2010, uma divisão entre os evangélicos: enquanto Edir Macedo apoiava Dilma, Malafaia decidiu apoiar José Serra no segundo turno. Por quê? Malafaia acusou Macedo de ser favorável à Dilma por conta do dinheiro que o governo supostamente lhe daria para ajudar a manter a Rede Record. Mas a mudança de preferência partidária de Malafaia “coincidentemente” ocorreu durante o segundo mandato de Lula, quando a Receita Federal e o Ministério Público resolveram investigar o (im)pastor sob suspeita de desvio de dinheiro do dízimo e lesão à crendice popular. E como tudo aconteceu no Governo Lula, que apoiava a eleição de Dilma, aí Malafaia “se lembrou” das plataformas petistas, como legalização do aborto e maiores punições para crimes considerados de homofobia…
Estão entendendo as “coincidências” que levam (im)pastores a indicar candidatos a serem eleitos pelo seu rebanho? Mas continuemos…
amala4Nas eleições presidenciais de 2014 o quadro se repetiu, com Edir Macedo e outros apoiando Dilma e Malafaia apoiando Aécio Neves. Porém, “deus” estava aparentemente ao lado de Malafaia, pois logo depois o evangélico Eduardo Cunha foi eleito Presidente da Câmara dos Deputados, sob os gritos de alegria do (im)pastor Silas Malafaia“Parabéns ao novo presidente da Câmara, deputado evangélico Eduardo Cunha, uma vitória espetacular. Humilhou o governo e o PT. Vão ter que nos aturar.
O que você entende por “vão ter que nos aturar”? Que Malafaia e Cunha estavam juntos nessa?
Mas, como na política, o que importam são as circunstâncias, quando Eduardo Cunha foi pego com a boca na botija, aí Malafaia tentou se desvencilhar do colega:
“Quando o Eduardo ganhou, eu botei no Twitter mesmo. Eu disse assim “vão ter que nos aturar”, os evangélicos. É isso que eu botei. Agora eu nunca apoiei o Eduardo Cunha para deputado. O meu deputado aqui é o Sóstenes Cavalcante. Todo mundo sabe. Nunca foi Eduardo Cunha. Isso aí é a petralhada mais uma vez.”
E
“Meu deputado, aqui da minha igreja, ele trafega no varejo do voto evangélico, igual a Cunha. […] Então, eu ficaria bem contente do Cunha se f***, vai sobrar mais voto para meu candidato. Agora, amigo, com todo respeito, com todo respeito, se o Cunha deve, que pague, meu irmão! Quer botar o dinheiro na igreja, que pague, amigo! Agora, por que o procurador não denunciou todo mundo que foi citado na Lava Jato, os senadores?”
À propósito, quando da cassação de Eduardo Cunha, Malafaia não deu gritos de vitória. E ao que parece, nem grande parte da “bancada evangélica”. Alguns se abstiveram da votação e o (im)pastor Marco Feliciano votou pela absolvição de Cunha. Se é verdade que Cunha teria uns 250 parlamentares na mão por conta de propinas e afins e a bancada evangélica tem 87 parlamentares, quantos desses estariam nas mãos de Cunha?
amala3Voltando, a então Presidente Dilma até tentou uma reaproximação com Malafaia e cia., quando a corda começava a machucar o seu pescoço (lembrando que o evangélicoEduardo Cunha só aceitou o pedido de impeachment porque a Dilma e o PT não se “esforçaram” para que as acusações que recaíam sobre Cunha fossem devidamente arquivadas). Para agradar os líderes gananciosos evangélicos sancionou a MP 668, que ampliou (ainda mais!!!) a isenção tributária de igrejas e ainda anistiou líderes gospel de multas milionárias. “Coincidentemente”, Malafaia foi um dos mais privilegiados com essa MP, sendo anistiado em 1,5 milhão.
Como, nesse caso, Dilma agiu segundo a vontade de “deus”, Malafaia até gravou um vídeo elogiando a então presidente. Mas a trégua durou pouco, só o suficiente para que a medida provisória entrasse em vigor, é claro…
No vídeo abaixo, o singelo discurso malafaiano elogiando Dilma:

Como a politicagem é gigantesca, nesse artigo só analisamos os apoios de Malafaia nas últimas eleições presidenciais. Mas é possível fazer o mesmo exercício para as eleições municipais, estaduais, de deputados, senadores, vereadores. Sempre a “vontade de deus” será coincidente com algo que beneficiará o líder religioso. Nesse artigo exemplificamos com Silas Malafaia (por ele ter usado de uma pregação sobre política para influenciar as pessoas a seu favor), mas o mesmo serve para todo o qualquer líder eclesiástico.
Você já se perguntou por que ontem Malafaia apoiava o petista Lindbergh Farias, e hoje não o apoia mais? Será que o apoio “coincidiu” com a votação do senador petista contra o PLC 122, e poucos meses depois, como o objetivo já havia sido alcançado, Malafaia “ouviu de deus” que não o precisava apoiar mais?
Além dos púlpitos, do programa de tevê, Malafaia sempre usou da Marcha para Jesus no Rio de Janeiro (assim como os Hernandes da Renascer em Cristo usam da Marcha em São Paulo) para fins políticos. No palco da Marcha, os políticos são devidamente apresentados ao povo e recebem “orações”, a senha para que sejam votados pelos fiéis.

E tem gente que ainda acredita que o objetivo principal dessas “Marchas” é adorar ao Deus Vivo… ah, se fosse!!!
Deus (o de verdade) não permitiu que houvesse Marcha para Jesus no Rio neste ano, mas Malafaia ainda tem outros canais para influenciar o meu e o seu voto.
marchario
Continuaremos a ser manipulados pelos Malafaias, Macedos, Hernandes da vida? Ou deixaremos nossa preguiça e conformismo, e buscaremos por nós mesmos todas as informações dos candidatos, para assim buscar a melhor (ou a menos pior) escolha?
3
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!

estrangeira.wordpress.com

Uma triste expectativa para a Igreja Brasileira: a era de Laodiceia


rene“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” – Apocalipse 3:15,16
No dia 10 de setembro nós do MEEB (Movimento pela Ética Evangélica Brasileira) estivemos no Congresso Estadual M12SP, no Estádio da Portuguesa em São Paulo. Esse evento é liderado pela autointitulado Apóstolo-Patriarca Renê Terra Nova, criador de mais um processo metodológico de crescimento para igrejas, onde os cultos nos lares reproduzem as teologias místicas do líder referido.
Nesse evento, o Apóstolo-Patriarca trataria da “Reforma”, que para ele parte do “manto apostólico” gerando avivamento. Meu Deus! O que seria tudo isso?
Estivemos na porta de entrada com nossas faixas, camisetas e folhetos, no intuito de chamar a atenção e despertar o povo para uma consciência essencialmente cristã. O texto que vos apresento é uma reflexão diante do que vi e ouvi naquele lugar.
Primeiramente, não posso negar: Renê Terra Nova e sua nefasta teologia atrai pessoas, principalmente jovens. Porém, a questão aqui é refletir sobre essas pessoas.
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Lamentavelmente, o conhecimento bíblico e sua reflexão é o que menos importa nesses ambientes. Algumas pessoas até concordam que a Igreja precisa passar por transformações, porém não permitem, em hipótese alguma, que alguma crítica seja feita à sua liderança e muito menos que as ideologias ali pregadas sejam contestadas ou colocadas à prova. Essas pessoas estão sob a influência da Teologia do Medo, fundamentada no texto de 1 Samuel 26, na triste crônica do “não toqueis nos ungidos”. Também na famigerada Teologia da Prosperidade, que se fundamenta nas obrigações de Deus de abençoar o fiel que oferta e dizima. Essas teologias trazem uma atmosfera mística, mágica, como se um anjo fosse pousar no referido local de culto.
O que se observa nesses ambientes são pessoas num certo transe, movidas por uma perspectiva de algo grandiosamente sobrenatural. O triste de tudo isso é que nesses eventos temos um número incontável de adolescentes e jovens, envolvidos por essas lideranças e por esses propósitos.
Por isso minha reflexão nesse texto é de uma triste expectativa para a Igreja Brasileira, pois no Brasil temos vários segmentos dessa mesma realidade. Renê Terra Nova chama sua metodologia de Mir12, porém temos outras variantes, por exemplo o Movimento Celular do Cesar Castelhanos (G12), o MDA de Santarém (PA), agora temos igrejas históricas com suas cópias e transformações da metodologia, enfim, temos muitas igrejas envolvidas com esses métodos que têm como única finalidade produzir números, tanto de frequentes como de arrecadação financeira para as diversas instituições religiosas.
pastor-e-dinheiroPor que essa perspectiva é ruim, a meu ver?
Porque essas pseudoteologias não se fundamentam na Palavra de Deus. Não são cristocêntricas. Fundamentam-se numa fonte de entretenimento e não numa fonte de espiritualidade.
Lideranças como Renê Terra Nova não representam o caráter cristão, que era a marca predominante dos verdadeiros apóstolos de Cristo. E o lamentável, Renê Terra Nova está conseguindo reproduzir suas ideias e sua metodologia, cegando a muitos.
Muitos jovens querem se espelhar em Renê e demais lideranças.
O que esperar de uma igreja que tem suas bases não fundamentadas na Palavra, e que se fundamenta no entretenimento, no lucro e no crescimento numérico?
Triste, mas estamos plantando ervas daninhas nos pastos verdejantes do Senhor. Isso não vai acabar bem.
A Igreja está entorpecida com os elementos da pós-modernidade. A Igreja está trocando o Eterno pelo momentâneo, pelo passageiro. Os cultos promovidos pelo Renê e sua turma objetivam o consumismo e perpetuam os valores terrenos, ou seja, preciso comer o melhor dessa terra. Mas muitos se esquecem que o Senhor Jesus nos ordenou a não ajuntarmos tesouros nessa terra.
Infelizmente, essas metodologias tiram a Igreja de sua verdadeira essência, que é transformar o caráter do ser humano, fazendo-0 uma nova criatura em Cristo Jesus.
Temos muita emoção, porém pouca razão. Muita música, muita dança, muito pulo, muitos gritos, porém pouca espiritualidade. E quando se pensa que há uma espiritualidade, essa aparente espiritualidade é fruto de técnicas neurolinguísticas, hipnose, transes coletivos, ou seja, uma esquizofrenia coletiva, com ares de uma espiritualidade.
Se você for dialogar com as pessoas que participam desses eventos, a resposta é sempre a mesma: “foi tremendo”. Como se estivessem em transe. Porém, muitos se esquecem de que o verdadeiro sentido do genuíno cristianismo está na transformação dos seres humanos no seu cotidiano. Ou seja, novas criaturas que refletem os valores cristãos nas suas atividades diárias, seja no trabalho, seja na família, ou seja, em toda a sociedade.
Nesse sentido, esses eventos não refletem a realidade do nosso país, onde o pecado reflete os altos índices de corrupção, de violência, de uso de substâncias tóxicas, lícitas e ilícitas, a má qualidade da nossa política e  dos nossos políticos e, consequentemente, a má qualidade das nossas igrejas, que também nesse contexto reproduzem uma péssima teologia, teologia essa quase inexistente, pois no nosso país as teologias produzidas só existem para os interesses daqueles que a produzem.
O reflexo disso são as nossas universidades. Todas possuem donos, onde se ensinam as teologias de interesses. Essa é a razão de termos comunidades eclesiásticas de interesses.
Tudo isso são reflexos de uma era pós-cristã. Isso mesmo. Estamos vivendo dias de um pós-cristianismo, pois as igrejas e suas lideranças não mais se importam com as essências do Cristianismo.
Vivemos um momento onde não importa o certo, mas sim o que dá certo, o que dá lucro, o que dá crescimento, o que dá resultado. Lamentavelmente, a cultura do jeitinho brasileiro adentrou nossas igrejas, influenciando as lideranças e também a membresia. O importante é que estou recebendo a bênção, não importa se é fruto de heresias, se é fruto de hipnose, de transe ou pura emoção. O importante é a bênção.
Muitos são os cristãos que frequentam essa realidade há anos e nada sabem sobre a volta de Jesus, sobre o julgamento de cada individuo diante do trono de Deus. Muitos jamais leram os primeiros capítulos de Apocalipse, onde o Senhor avalia as igrejas, numa linguagem também futurística, prevendo a realidade das igrejas da modernidade.
Diante desses textos, classifico que estamos na era de Laodiceia, onde a igreja não é quente nem fria, é morna, morna porque tem uma aparência de santa, porém é extremamente pecadora, pois não é dependente de Deus, mas sim de homens. Morna porque sua espiritualidade é falsa, pois suas essências são momentâneas, são passageiras, são emocionais, fruto de metodologias e entendimento puramente humanos, ou seja, irreais e falsos. Morna porque seu crescimento não se fundamenta em almas convertidas, transformadas pela ação do Espírito Santo através da Palavra genuína de Deus. Morna porque busca o lucro, que se fundamenta nas riquezas deste mundo e seus valores que produzem desigualdades e o sofrimento de muitos.
laodiceia1À Igreja de Laodiceia restou ao Senhor vomitá-La.
Confesso que diante do que tenho visto nesses últimos anos, participando de diversos eventos, também estou nauseado, também sinto vontade de vomitar. Talvez faça isso em forma de palavras, porém é minha tentativa de despertar e conscientizar alguns de que a Igreja de Cristo não é isso o que estamos vendo, pois a Igreja Genuína persevera na Palavra, persevera na comunhão, tem tudo em comum, é dependente totalmente de Deus e por isso luta pela justiça, pela verdade e pela paz.
E acima de tudo, é solidária, é piedosa, não vive para os seus próprios prazeres, mas vive pelo próximo, luta pela vida. Não tem seus pés fixados nesse mundo, mas ao contrário, almeja a casa que o Senhor foi nos preparar junto ao Pai.
Ou seja, a nossa verdadeira morada.
Minhas expectativas são de que muitos ainda serão despertados, porque minhas expectativas estão fundamentadas na Palavra de Deus. É Nele que creio e confio.
Quem tem ouvidos, que ouça a voz do Espírito Santo.
Paulo Siqueira
Publicado em 

domingo, 11 de setembro de 2016

MEEB no Congresso apostólico em São Paulo

Nós do MEEB, estivemos ontem, em frente ao Estádio da Portuguesa ( Canindé, São Paulo-SP) com nossas faixas, folhetos e camisetas propondo a  "volta ao Evangelho Puro e Simples"  num evento realizado pelo MIR ( Ministério Internacional da Restauração) liderado pelo "pastor, pastor não, apóstolo, apóstolo não, patriarca, patriarca não semi deus....", Renê  Terra Nova e sua Visão Celular.
O estádio tinha vários portões de entradas, ficamos em frente a um deles e vimos centenas de pessoas chegarem a maioria em caravanas.

A maioria simplesmente ignorou (ou fingiram ignorar) nossas faixas, outras leram, algumas fotografaram e boa parte apesar de ler não conseguiram fazer relação entre os textos lidos com o evento em que participariam. De positivo, não fomos hostilizados por palavras ou mesmo olhares como em outros eventos.
Não entramos no estadio, portanto só dá para  falar sobre tudo o que sabemos deste herético ministério, mas não dá para falar do que ocorreu lá dentro  ontem, pelo menos até vermos ou lermos algo pela internet, mas gostaria de compartilhar algumas coisas que observei ainda do lado de fora.


Vou destacar o que li em algumas camisetas deles:

"Sou fruto fiel" .

"cobertura dos Apóstolos ( e nome do casal de apóstolos)".

"sou 12" ( ainda bem que não eram 13 rs).

Um grupo de jovens desceu do ônibus gritando "Sou cara de leão (?) e sou "Batista( não lembro se Peniel ou Betel). Acho que os batistas históricos e bíblicos devem sentir calafrios ao ver o nome batista ser associado a este movimento.

Propaganda politica não faltou , é obvio, principalmente  de um candidato a vereador que no panfleto entregue aparecia junto com o Terranova na foto  e que dizia que teria um mandato a serviço de Reino de Deus ( ou algo parecido). Será que esta promessa poderá ser cumprida ( se bem que para este pessoal reino de Deus e império religioso são similares e ai sim, ele pode estar a serviço deste império)?

Evento vem, evento vai e aquele texto onde Jesus via a multidão como "ovelhas sem pastor" ( Mat 9:36) não me saem da cabeça. Também os dizeres de Paulo ( Ef 4:14) quando fala de pessoas sendo levadas por todos ventos de doutrina fica bem claro quando vejo esta multidão, a maioria pessoas sinceras mas enganadas, a  maioria portanto uma bíblia mas lendo-as com a visão de seu líder, a maioria professando Jesus, mas desconhecendo sua Palavra, a maioria conhecendo o texto sobre a Verdade que liberta, mas não sabendo que estão presas a religião e homens a serviço do mal.

cartaz sobre o evento
Para quem não conhece o movimento apostólico e seu líder Renê Terranova vamos ver algumas de suas heresias proferidas em um congresso em 2011:

http://exemplobereano.blogspot.com.br/2011/07/as-heresias-de-rene-terra-nova-na.html

O tema deste encontro foi Reforma, e já que ele usou este termo vou deixar um artigo sobre o tema:

http://exemplobereano.blogspot.com.br/2011/11/rene-terra-nova-o-novo-lutero-corra.html




                                                                              


sábado, 23 de julho de 2016

O discurso da fé: análise do discurso de lideranças de igrejas neopentecostais – Parte 2

aad1Leia também a Parte 1

Continuando a transcrição de trechos do trabalho de conclusão de curso de Pós-Graduação em Revisão de Texto, disponibilizo o capítulo 3. Boa leitura!

3 – Análise do discurso de lideranças neopentecostais para a tomada de poder na sociedade

Em análise do discurso, Charaudeau (2008, p. 63) nos ensina que o sujeito analisante deve dar conta dos possíveis interpretativos que surgem ou se destacam no encontro dos pontos de vista do sujeito comunicante e do sujeito interpretante. Os possíveis interpretativos são as “representações linguageiras das experiências dos indivíduos que pertencem […]”[1] a grupos específicos ou comunidades humanas. Assim, as igrejas neopentecostais possuem seus próprios possíveis interpretativos.
Se no capítulo anterior analisou-se o discurso neopentecostal direcionado aos membros e visando a manutenção da estrutura eclesiástica, este capítulo dedica-se à análise do discurso de lideranças neopentecostais visando a incursão no ambiente político.
aad1Malafaia – Pela primeira vez na história do nosso país, na história republicana, a terceira maior autoridade do país, o presidente da Câmara dos Deputados é um irmão nosso. Eu vou pedir para ele dar uma saudação: o deputado Eduardo Cunha.
Eduardo Cunha – Paz do Senhor, meus amados, Pastor Silas Malafaia. Deus me colocou lá. Eu sempre digo, Silas: se Deus me colocou lá, ele saberá sempre honrar o trabalho que ele fez. Todos conhecem o que eu penso, qual é minha posição e aquilo que a gente vai tentar sempre fazer valer. Muito obrigado, que Deus abençoe todos vocês porque, afinal de contas, o nosso povo merece respeito! (Pr. Silas Malafaia e Eduardo Cunha – YOUTUBE)
Este discurso foi proferido no palco da Marcha para Jesus no Rio de Janeiro (2015). Tal evento reuniu milhares de fiéis, atentos aos shows de música gospel e aos líderes eclesiásticos e políticos convidados[2].
O Pastor Silas Malafaia introduz o Deputado Federal Eduardo Cunha à plateia, enaltecendo o fato dele ser o Presidente da Câmara dos Deputados e um irmão de fé. Pela primeira vez, segundo Malafaia, um evangélico consegue alcançar tal cargo, algo que vem carimbar a doutrina de vitórias e de conquistas seguida pelas igrejas neopentecostais.
O Deputado Eduardo Cunha fala a seguir. Com voz macia e boa dicção, possivelmente aprendida durante seus tempos como locutor na Rádio Melodia FM[3], Cunha saúda os fiéis e declara: “Deus me colocou lá”, atestando que sua posição política ocorreu pela vontade divina e, por isso, sem direito a críticas. Afinal, se Deus o colocou na presidência da Câmara, não cabe a nenhum fiel contestar tal fato, mesmo face às maiores arbitrariedades (vide, no capítulo 2, que os líderes neopentecostais amaldiçoam a quem se volte contra um “ungido”, mesmo diante de ações criminosas).
De forma demagógica, Cunha afirma ser próximo dos eleitores. Afinal, todos o conheceriam e ao seu modo de pensar e agir. Porém, nos últimos tempos o Judiciário e as mídias têm trazido uma nova face de Eduardo Cunha: a de uma pessoa agressiva, ardilosa e corrupta[4].
Cunha termina seu discurso com o bordão de seu programa de rádio: “o nosso povo merece respeito”, sua marca registrada no Estado do Rio de Janeiro.
aad2Pela primeira vez, pela primeira vez, a Marcha pra Jesus pela primeira vez tem o apoio – tudo o que vocês estão vendo aqui – da Prefeitura do Rio de Janeiro. Eu vou chamar duas autoridades pra gente orar. Eles não vão aqui falar nada, nós é que vamos falar com Deus pela vida deles. Eu vou convidar duas autoridades, o prefeito da cidade Eduardo Paes e o senador Lindbergh Farias. E nós temos aqui vários deputados e nós vamos – quero convidar os deputados federais e estaduais Bráulio, Samuel, Felipe. Estenda a sua mão aqui, por favor, estenda a sua mão. Meu irmão, na hora de votar você vota em quem você quer. Na hora de orar – quem aqui é povo de Deus? – você tá vendo, prefeito, tá vendo, Lindbergh, o povo de Deus é educado, o povo de Deus respeita a autoridade. E eu queria que vocês estendessem as mãos por favor, estenda as mãos. Em nome de Jesus, amém! Deus dê misericórdia, obrigado pelo seu apoio, Deus abençoe. (Pr. Silas Malafaia, Eduardo Paes e Lindbergh Farias – YOUTUBE)
Na Marcha para Jesus no Rio de Janeiro (2012) vê-se o Pastor Silas Malafaia com outros políticos no palco principal. Desta vez, o Prefeito Eduardo Paes (que concorria à reeleição) e o Senador Lindbergh Farias, além de deputados estaduais e federais aliançados com o pastor neopentecostal.
Antes de apresentá-los, Malafaia esclarece a plateia de que os custos daquele evento tinham o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro. Nesse caso, apoio significa também auxílio financeiro. Logo em seguida, Malafaia convida os dois políticos ao palco (um deles concorrendo à reeleição meses depois) sob a justificativa de que o público ali presente iria “orar” por eles.
Uma coisa a observar é que, no discurso evangélico, é raro o líder dizer claramente aos fiéis que devem votar no candidato X ou Y. A indução ocorre com outras palavras: “orar” pelo candidato que está no púlpito ou palco. Isso ocorre para tirar do discurso o peso de manipulação dos votos e será visto nos discursos a seguir. E, embora implícita, a mensagem é compreendida pelos fiéis, que costumam obedecer às instruções do “representante de Deus”.
Orlandi (2009, p. 82) lembra que, no decorrer dos discursos, há uma série de não-ditos que também possuem significado. Assim, embora não se solicite abertamente o voto, há um “não-dito” que o subentende.
Neste discurso não foi diferente. Malafaia diz que não dará a palavra aos políticos, na tentativa de desconstruir possíveis críticas. Apenas, de forma aparentemente cristã, “orará” por eles. O interessante é que só sobem ao púlpito os candidatos agradáveis aos líderes religiosos. Os demais não precisam de oração.
Além de “receber oração”, políticos sobem aos palcos e púlpitos evangélicos para, de forma subentendida, visualizar o rebanho. Do alto, em posição de destaque na congregação, é possível para o líder eclesiástico mostrar ao político a quantidade de “ovelhas” sob sua responsabilidade, muitas das quais acatarão suas instruções por medo de se negar a cumprir uma ordem vinda do próprio Deus.
aad3Narrador – Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, assinou a lei 729/2015, que institui o Dia da Marcha para Jesus, de autoria do deputado e pastor da Igreja Quadrangular Carlos César. Estiveram presentes no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo, lideranças de diversas denominações como o Apóstolo Estevam Hernandes, Bispa Sônia Hernandes, Deputado Marcelo Aguiar, Deputado Celso Nascimento, Pastor Rinaldi Digilio, entre muitos outros. O Apóstolo Estevam Hernandes, líder da marcha no Brasil, falou da transformação da cidade de São Paulo através da Marcha pra Jesus.
Estevam Hernandes – Então eu creio que realmente é um diferencial nós podermos levar essa mensagem de vida, de paz e principalmente aquilo que a palavra fala, que é nós destronarmos principados e potestades. Assim como, durante todos esses vinte e três anos, nós observamos mudanças profundas no ambiente espiritual do Brasil, e eu creio que na França e em todos os países aonde a gente marcha pra Jesus isso efetivamente deva acontecer.
[…] Geraldo Alckmin – E com esta nova lei, o Dia da Marcha para Jesus vai para Corpus Christi, que é uma das maiores datas do cristianismo. E de outro lado, sendo feriado, facilita também para mais pessoas poderem ir para a marcha. Então isso vai fazer com que a marcha possa crescer ainda mais, com todos os seus bons frutos no nosso cotidiano, fortalecendo a família, trazendo a paz, trazendo bons valores e também o ponto de vista espiritual na vida de cada pessoa.
[…] Sônia Hernandes – A bancada evangélica se mobilizou. Hoje é um dia de muitas atividades aqui dentro da Assembleia, mas a bancada toda estava aqui. Glória a Deus, eu preciso falar isso para que você saiba que Jesus nos une. […] (Geraldo Alckmin, Apóstolo Estevam Hernandes e Bispa Sônia Hernandes – YOUTUBE)
Eis um dos motivos para o empenho das igrejas neopentecostais na eleição de políticos: que eles venham a agir em prol dos evangélicos e, principalmente, dos seus líderes. Ao instituir o feriado católico de Corpus Christi como Dia da Marcha para Jesus, o Governador Geraldo Alckmin fez um afago ao casal Hernandes (Igreja Renascer em Cristo), pois transferiu, pelo menos na capital, o feriado da Igreja Católica para os evangélicos.
O Apóstolo Estevam Hernandes, em seu discurso, destacou o aspecto espiritual e beligerante da existência da marcha. Marcha, em si, denota um tipo de andar próprio de combatentes. Aliado a isso, Hernandes remete à luta entre o bem e o mal, entre os evangélicos e os principados e potestades que dominariam a cidade. Para Hernandes, as batalhas têm sido vencidas pelos evangélicos através da marcha, uma vez que ele enxerga mudanças (de forma subentendida, para melhor) na cidade de São Paulo.
Já a Bispa Sônia Hernandes esclarece que as coisas de Deus são mais importantes do que qualquer outra coisa, entendendo como “coisa de Deus” qualquer assunto relativo ao mundo evangélico. Assim, embora havendo muitas outras atividades na Assembleia naquele dia, a chamada “bancada evangélica” preferiu se unir para a sanção de uma data comemorativa.

aad4[…] Gilberto Kassab – Boa noite a todas, a todos. Eu quero cumprimentar a cada um de vocês aqui presentes e o fato cumprimentando nosso querido Apóstolo Agenor Duque e a Bispa Ingrid. E dizer da alegria de estar aqui acompanhado do Deputado Jorge Tadeu e da nossa vereadora, uma companheira [inteligível]. E dizer pra vocês que a minha presença aqui nesta noite acompanhando, se Deus permitir, o nosso futuro prefeito José Serra, que tá chegando, é apenas pra trazer a vocês o nosso reconhecimento, nosso agradecimento da cidade de São Paulo a todas as ações aqui realizadas, principalmente no campo social, no campo da solidariedade, trazendo o abraço ao apóstolo, à bispa, trazendo o pedido que faço nesse momento de que vocês possam orar pelo prefeito, orar pela cidade. Pedi essas orações, apóstolo, porque é o caminho da certeza de que podemos ter uma cidade melhor, um Brasil melhor, com mais liberdade, com mais igualdade social, com mais justiça. […]
Agenor Duque – […] Eu quero te pedir uma coisa, agora é eu que tô falando, posso ou não posso? Você vai [inteligível] vinte pessoas da sua rua, da sua comunidade, da sua vila, daqui, de onde você conhece, e você vai dizer assim: “olha, a Sandra [Tadeu] já é vereadora e com fé em Deus ela vai se reeleger”. Fala um glória a Deus. Vamos fechar com a senhora essa aliança. Eu fiz uma pesquisa pela vida da Sandra e também do Jorge Tadeu, seu esposo, deputado federal, e a vida deles é limpa, pura e são servos de Deus. […]
José Serra – […] Eu queria aqui é combinar uma parceria. Eu sei que você [Agenor Duque] tem uma entidade, uma casa: Rei das Ruas, vocês tem uma obra social [inteligível] e eu queria propor essa parceria, e nós trabalharemos juntos. Agora, [inteligível] aqui não foi apenas conhecer e estar com vocês. Foi para fazer um pedido: que vocês orem por mim […]. Eu preciso de sua oração para dar mais forças a mim e à Sandra. Muito obrigado, a paz do Senhor. (Gilberto Kassab, José Serra e Apóstolo Agenor Duque – YOUTUBE)
Neste discurso, novamente vê-se a expressão “orar” pelo candidato, significando votar nele nas próximas eleições. O então Prefeito Gilberto Kassab se esforça para adotar o linguajar evangélico em seu discurso, tencionando parecer simpático aos fiéis.
Logo depois, o Apóstolo Agenor Duque pega a palavra e de forma bastante clara incita os fiéis a não apenas votar, mas também a conquistar novos vinte votos cada para a reeleição da Vereadora Sandra Tadeu, tida pelo apóstolo como uma pessoa idônea, além de serva de Deus. Fala em fechar uma aliança com a vereadora, o que implicitamente sugere uma troca de favores (especialmente em se tratando do universo neopentecostal, onde é lícito fazer negócios ou “alianças” até mesmo com o Sagrado). Assim, Duque a ajuda, com a força dos seus fiéis, na reeleição, e Sandra Tadeu o ajuda quando eventualmente solicitada.
E enfim chega o candidato a prefeito José Serra, propondo com Duque uma “parceria” (termo menos espiritual que “aliança”, porém contendo o mesmo significado) na manutenção da instituição social mantida pela IAPTD. E o pedido indefectível: “que vocês orem por mim”. Ou seja, “direcionem a mim os seus votos”.
aad5Ou você vai fazer como Judas, ou vai ser com a gente. Ou você vai entregar a gente na mão deles. Em nome de Jesus, eu peço para você uma coisa: me dê o teu voto. Quando você for votar no [Marcelo] Crivella, você está votando dez, você está votando na gente. Você pede a nossa ajuda, eu já te ajudei muito. Eu vou te ajudar agora, mas eu te peço ajuda no domingo. Eles estão certos de que o Crivella não vai para o segundo turno, mas a gente vai dar uma resposta domingo agora. Mas não faça como uma obreira nossa, que aqui dentro da igreja deu santinho de outro candidato. Sabe por quê? Porque alguma coisa ela tá ganhando. Ela tá atrás de trinta moedas de prata. Quem aqui eu posso contar? Mas é só o seu? É você e mais quantos? Já conseguiu quantos? O bispozão falou comigo antes de ir para o Grajaú. Falou assim: “Daniel, fala pra esse povo do desmanche, que eu conto com eles domingo agora. Vem cá, me dá um abraço. Eu sou o candidato, é isso. Olhe pra mim, a obra de Deus vai ganhar. E no ano que vem eu vou estar no programa do desmanche!” (Pastor da IURD – YOUTUBE)
Na IURD não costuma haver rodeios. Assim, o pastor Daniel, durante um culto, pede claramente que os ouvintes votem no Bispo Marcelo Crivella, sobrinho do Bispo Edir Macedo. Note que isso é possível, pois os cultos não são todos filmados. No discurso em questão, a gravação ficou a cargo de um componente da plateia.
O pastor começa exigindo um posicionamento do fiel: ou cumpre a instrução, ou se compare ao personagem bíblico Judas (aquele que traiu a Jesus). E em nome de Jesus é feito o pedido: o voto para Crivella, que é comparado a um voto para a própria instituição eclesiástica, e por isso a traição se configuraria mais grave.
Para justificar o pedido, o pastor apela para o toma-lá-dá-cá: ele já ajudou os ouvintes (talvez orando, dando conselhos) e é a hora da plateia retribuir. Nas igrejas neopentecostais, tudo tem um preço, ao ponto de uma obreira que estava dando “santinho” de outro candidato ser considerada vendida aos opositores da IURD, não se levando em consideração que o motivo poderia ser simplesmente ideológico.
O pastor não se contenta em direcionar os votos dos fiéis. Em certo momento, pergunta para os ouvintes com quem ele pode contar. Subentende-se que os fiéis se levantam ou levantam as mãos, expondo assim aos demais seu comprometimento com o voto no Crivella. É uma forma de intimidação, pois ao ver muitos se levantarem, os demais podem se sentir temerosos e assim, também seguir a multidão. E como se trata de um ambiente sagrado, torna-se difícil para o fiel desfazer posteriormente seu voto.
A última cartada é a menção ao “bispozão”, possivelmente o Bispo Edir Macedo, que espera o voto dos fiéis a seu sobrinho como se fosse a si mesmo. E quem contrariaria a palavra de um “representante de Deus”?
aad6Nós tínhamos dois candidatos: Lula e Collor. O Lula já tinha declarado que ele, eleito presidente, mandaria fechar a Igreja Universal. Ele declarou isso. Ele fez essa declaração: iria fechar a Igreja Universal. Eu não vou ser auto demolidor de mim mesmo. E houve promessas da parte do Collor de ajudar a igreja. O Collor disse eu iria ajudar a igreja. Eu estive com ele nesse momento. Eu tenho um retrato ao lado dele, inclusive. Hoje eu escondo esse retrato. Mas ele iria ajudar a igreja, dar apoio, etc. […] Nós estávamos comprando a TV Record. Repare se por acaso você compra, depende da autorização do presidente. A concessão de uma rede de televisão, de uma emissora, depende da aprovação do presidente. Se você tem um presidente dizendo para você “vou te apoiar”, você apoia o cara. Por quê? É uma questão de praticidade. Eu não vou apoiar meu inimigo. Vou apoiar aquele que se diz meu amigo. […] Roberto Marinho se insurgiu, os Mesquitas, do Estadão, se insurgiram, o Frias começou, depois esfriou, Brizola e outras coisas mais, todos contra o Bispo Macedo. Então o que aconteceu com o Collor? Ele se retraiu. E mandou um recado para o Bispo Macedo que não iria atendê-lo porque não queria se queimar junto aos meios de comunicação de massa. E o que aconteceu com ele? Se queimou. Ele foi contra um ungido de Deus[…] [próximo ao impeachment] O bispo veio dos EUA orar com ele na casa da Dinda. Passou três horas com ele. Orou e ele chorava copiosamente. Chorou baldes de lágrimas. Mas ali não adiantava mais. (DE VELASCO apud MARIANO, 2014, p. 93)
O Pastor Paulo de Velasco revelou, neste discurso, a estratégia da IURD e de muitas igrejas neopentecostais. Embora, para os fiéis, a escolha de um candidato a cargo político ocorra por intervenção divina, na realidade a escolha passa simplesmente pelo jogo de interesses.
Em 1989, conforme o discurso de De Velasco, o candidato Lula foi preterido por ter declarado, segundo o pastor, que fecharia a IURD, enquanto que Collor ofereceu apoio. Anos depois, vê-se a mesma IURD se aliando ao Lula e seu Partido dos Trabalhadores[5], demonstrando que as circunstâncias falam mais alto do que a espiritualidade.
De Velasco expõe, de forma bastante clara, como funciona o jogo político-religioso. Porém, embora toda a negociação se dê no âmbito terreno, as consequências são relegadas ao âmbito celestial. Assim, o então Presidente Fernando Collor teria amargado o impeachment não por sua atuação durante o mandato, mas por ter se voltado contra um “ungido do Senhor”, no caso o Bispo Edir Macedo.
Nas igrejas neopentecostais, os fins justificam os meios.
aad7Diante de três centenas de pastores reunidos no Hotel Caesar Park, São Paulo, dia 20 de agosto de 1994, Sônia Hernandes, com frases do tipo “a Palavra de Deus nos fala que quando um servo de Deus assume o comando, todo o povo é abençoado”, conclamou os presentes a apoiar a candidatura de Quércia à Presidência da República, mesmo que tivessem objeções quanto a sua idoneidade e competência, porque sua vice, Íris Resende, era evangélica de primeira hora. (MARIANO, 2014, p. 144)
Numa reunião de pastores, a Bispa Sônia Hernandes (Renascer em Cristo) tenta influenciar os presentes a votar (e também suas respectivas congregações) no candidato à presidência Quércia. Embora não sendo uma unanimidade em termos de idoneidade e competência, mesmo assim o voto em Quércia é recomendado, afinal sua vice, Íris Resende, era evangélica.
Para convencer os ouvintes, Hernandes espiritualiza o discurso. Embora vice, mas na chapa havia alguém da mesma profissão de fé, através de quem Deus agiria em prol da nação.
O discurso proferido deu resultado, embora Quércia não tenha sido eleito. Segundo Mariano (2014, p. 144), o candidato obteve 5,1% (cinco vírgula um por cento) dos votos na população em geral, enquanto que, entre os evangélicos, alcançou 8,3% (oito vírgula três por cento).
aad8Quero dar uma palavra, mais um testemunho, testemunho por ele autorizado em relação ao Deputado Eduardo Cunha. É absolutamente verdadeiro tudo aquilo que ele disse, e por isso que eu disse que suas palavras são críveis, são acreditáveis. E eu tenho o Eduardo Cunha como um auxílio extraordinário na Câmara Federal. Ninguém desconhece, como o Bispo Manuel Ferreira salientou, as suas qualidades. Se você quiser dar uma tarefa das mais complicadas para o Deputado Eduardo Cunha, ele as simplifica, porque ele trabalha muito. Porque certa e seguramente também, quando ele se manifesta, também está presente a sua fé, e a fé é que mobiliza as pessoas. Então, as tarefas difíceis eu entrego, entregava como entrego à fé do Deputado Eduardo Cunha, de modo que eu fico muito feliz em saber que toda a comunidade aqui acaba por apoiá-lo. E sabe-se que levará ao Congresso Nacional uma figura que adequadamente representa toda esta fé que emana desta igreja e desta assembleia. (Vice-Presidente da República Michel Temer – YOUTUBE)
O Vice-Presidente da República Michel Temer estava em meio ao processo deimpeachment da Presidente Dilma Rousseff[6] quando proferiu este discurso, dirigido a lideranças evangélicas capitaneadas pelo Bispo Manuel Ferreira, da Assembleia de Deus Ministério Madureira. A exemplo da ADVEC, essa Assembleia de Deus deixou suas origens pentecostais e enveredou pelo neopentecostalismo, adotando doutrinas como a da Teologia da Prosperidade. Entre os membros ilustres do Ministério Madureira está Deputado Eduardo Cunha[7], Presidente da Câmara dos Deputados e envolvido em uma série de denúncias de corrupção[8].
O locutor precisa adequar seu discurso à plateia. Assim, Temer se utiliza de termos familiares aos evangélicos para se dirigir aos líderes, como “testemunho” e “fé”.
O testemunho que Michel Temer quer trazer é o da capacidade de Eduardo Cunha. Segundo o político, Cunha é alguém bastante trabalhador e que consegue resolver os problemas que lhe são apresentados. Porém, como se dirige a religiosos, Temer lembra que sua capacidade advém do Alto, do divino, da fé que Eduardo Cunha possui. E como essa fé é a causa dos sucessos do deputado, é também a prova de que suas ações são ratificadas pelo próprio Deus, sendo assim indiscutíveis.
O mais intrigante é que Michel Temer coloca com todas as letras que os líderes evangélicos ali presentes estão apoiando Eduardo Cunha, apesar de todas as denúncias que recaem sobre sua pessoa. Sobre isso, nada é citado. Afinal, a suposta fé de Cunha o redime de todos os possíveis pecados terrenos, inclusive as acusações de corrupção e de existência de contas não declaradas no exterior com dinheiro de propina.
É sabido que os neopentecostais querem sempre estar próximos ao Governo, e para isso se empenham tanto na eleição de políticos que lhes sejam favoráveis. Assim, quando Dilma Rousseff estava à frente das pesquisas pré-eleitorais, muitos grupos neopentecostais (incluindo a igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira) lhe estenderam apoio[9]. Porém, quando a Presidente está sendo deposta, esses mesmos líderes deixam o barco e se ancoram nos que lhe substituirão no poder.
Além do Bispo Manuel Ferreira, o Pastor Silas Malafaia também “orou” por Michel Temer[10]. E certamente, seus fiéis seguidores também “orarão” por quem quer que lhes seja indicado, afinal é a vontade de Deus (pelo menos, por enquanto).
O final do discurso de Michel Temer é intrigante, pois bastante ambíguo: “[…] de modo que eu fico muito feliz em saber que toda a comunidade aqui acaba por apoiá-lo. E sabe-se que levará ao Congresso Nacional uma figura que adequadamente representa toda esta fé que emana desta igreja e desta assembleia”. Cunha representaria a fé dos neopentecostais no que tange às qualidades que lhe foram inferidas no discurso ou aos defeitos que foram omitidos? As duas hipóteses são consideráveis, porém acredita-se que Temer, nesse caso, usou de grande sarcasmo e ironia para cutucar os presentes.

[1][1] CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Editora Contexto, 2008, p. 63.
[2] PORTAL G1. Marcha para Jesus reúne multidão no centro do Rio. Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/05/marcha-para-jesus-reune-multidao-no-centro-do-rio.html>. Acesso em: 24 Abr.2016.
[3] O GLOBO. Para enfrentar denúncia, Cunha se ampara em grupo construído entre evangélicos. Disponível em: < http://oglobo.globo.com/brasil/para-enfrentar-denuncia-cunha-se-ampara-em-grupo-construido-entre-evangelicos-17276421>. Acesso em: 24 Abr.2016.
[4] Folha de São Paulo. Janot diz ao STF que Cunha é agressivo e pede abertura de ação. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1740043-janot-diz-ao-stf-que-cunha-e-agressivo-e-pede-abertura-de-acao.shtml>. Acesso em: 24 Abr.2016.
[5] VEJA. Dilma recebe o apoio do “bispo” Macedo, que é favorável ao aborto. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-recebe-o-apoio-do-bispo-macedo-que-e-favoravel-ao-aborto/>. Acesso em: 24 Abr. 2016.
[6] G1 Política. Comissão do Senado ouve autores do pedido de impeachment de Dilma. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/processo-de-impeachment-de-dilma/noticia/2016/04/comissao-do-senado-ouve-autores-do-pedido-de-impeachment-de-dilma.html>. Acesso em: 28 Abr.2016.
[7] Estadão. Cunha usou Assembleia de Deus para receber propina, diz Janot. Disponível em: < http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/janot-acusa-cunha-de-usar-assembleia-de-deus-para-receber-propina/>. Acesso em: 28 Abr.2016.
[8] Carta Capital. Réu por corrupção, Cunha vê pressão aumentar. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/politica/reu-por-corrupcao-cunha-ve-pressao-aumentar>. Acesso em: 28 Abr.2016.
[9] Folha de São Paulo. Painel. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/183825-painel.shtml>. Acesso em: 28 Abr.2016.
[10] O Povo Online. Temer recebe bênção de Silas Malafaia. Disponível em: <http://www.opovo.com.br/app/politica/2016/04/27/noticiaspoliticas,3608365/temer-recebe-bencao-de-silas-malafaia.shtml>. Acesso em: 28 Abr.2016.


Vera Siqueira: 
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